RESUMO
Objetivos: Avaliar
a exposição aos tipos de mídia que evidenciam
o padrão de beleza
magra feminina, a internalização
deste padrão, a insatisfação corporal, peso
corporal e comportamentos inadequados para o controle do peso em
universitárias de Letras (L), Nutrição (N)
e Educação Física (EF). Métodos: Foram
utilizados questionários auto-aplicados, em universitárias
de Letras, Nutrição e Educação Física;
o “Cuestionário
de Influencias sobre el Modelo Estético Corporal”
(CIMEC-26)
(OOLOCAR
O NOME COMPLETO DOS QUESTIONÁRIOS E DEPOIS AS SIGLAS) e o “Psychosocial Risk Factors Questionnaire”
(PRFQ)
para avaliar a internalização do padrão cultural
de beleza magra feminina, o “Body Shape Questionnaire” (BSQ) para avaliar a insatisfação
corporal, o “
Bulimic Investigatory Test – Edinburgh” (BITE) e o “Eating Attitudes Test” (EAT) para avaliar o comportamento
alimentar. Foi acrescentado a estes instrumentos um questionário
contendo perguntas sobre dados demográficos, nosológicos
e o consumo de mídia. Resultados: os grupos de N, EF e L
não foram diferentes quanto aos escores obtidos nos instrumentos
utilizados neste estudo, ainda que estudantes de EF e N consumam
mais revistas que evidenciam o padrão de beleza magra feminina.
O consumo deste tipo de revista mostrou-se relacionado a maiores
escores em um dos instrumentos utilizados para avaliar a presença
de comportamentos alimentares anormais, o “Bulimic Investigatory
Test - Edinburgh” (BITE), e a maior internalização
do padrão cultural de beleza magra feminina. Esta mostrou-se
relacionada a maiores taxas de insatisfação corporal
e de comportamentos alimentares anormais. Estes comportamentos também
estiveram relacionados a antecedente de sobrepeso/obesidade e à
prática atual ou pregressa de dieta. Conclusões: Ao
contrário de nossa hipótese inicial, este estudo mostrou
que, apesar das diferenças quanto aos interesses profissionais
e à exposição à mídia, as estudantes
de N e EF não foram diferentes das estudantes de L na internalização
e na valorização do padrão cultural de beleza
magra feminina, assim como não apresentaram diferenças
quanto ao risco para desenvolver sintomas de transtornos alimentares.
Em mulheres jovens, a exposição ao padrão cultural
de beleza magra feminina, independente do tipo de carreira escolhida,
aumenta a internalização deste padrão e se
relaciona a presença de comportamento alimentares alterados
verificados pelo BITE. A maior internalização do padrão
de beleza magra se relaciona à maior insatisfação
corporal e aumenta o risco para o desenvolvimento de comportamentos
alimentares anormais. Outros fatores que aumentam o risco para o
desenvolvimento destes comportamentos são a prática
de dieta pregressa ou atual, a insatisfação corporal
e apresentar antecedente de sobrepeso/obesidade. |