RESUMO
Objetivo: Apresentar os dados
relativos aos anos de funcionamento do NAPREME, através de
uma análise descritiva das características de sua
clientela e funcionamento. Sabendo-se que o período de residência
médica é o mais desgastante para o médico,
a universidade oferece através desse serviço orientação
e apoio psicológico e psiquiátrico aos residentes
e pós-graduandos. Métodos: desde o início do
serviço em 1996 informações estruturadas foram
coletadas para cada paciente atendido, formando um banco de dados
que abrange todos os casos desde então. Resultados: No período
de cinco anos, 233 residentes e pós-graduandos utilizaram-se
do serviço. É uma população jovem (26,6
(+/_4,42) anos), predominantemente feminina (80,3%), onde solteiros
correspondem a 82,4%, constituída por médicos (31,3%)
enfermeiras (20,6%) e muitos outros profissionais em treinamento
na área de saúde. São atendidos mais comumente
transtornos depressivos e ansiosos, mas em 30% dos casos o usuário
procura por orientação psicológica ou suporte
com relação a conflitos pessoais específicos.
Também são tratados casos graves
(psicoses,
bipolares, TOC, etc). Poucas diferenças estatisticamente
significativas foram observadas entre os residentes e os demais
grupos de PGs: os residentes são um grupo mais masculino
(32,1%, p<0,01), com mais distúrbios do sono (60,8%, p=0,034),
que
necessita de mais afastamentos durante o tratamento(20,8%, p<0,01),
e
constituído por mais indivíduos formados pela própria
universidade (39,2%, p=0,016). Os indivíduos formados pela
própria universidade parecem constituir também um
grupo peculiar: mais comumente moram com os pais (64,8%), tendem
a fumar mais (21,8%, p=0,018) e grande parte já
fez uma psicoterapia anterior à procura pelo serviço
(35,8% p=0,023). Conclusão: O NAPREME constitui um serviço
de atenção psicológica sui generis, que atende a uma população
com características muito especificas, necessitando ser muito
flexível em seu funcionamento para atender a diferentes demandas.
A decisão de atender a residentes e pós-graduandos
em um único serviço parece acertada, uma vez que esses
grupos, constituídos por jovens profissionais da área
de saúde em programas de especialização, são
semelhantes entre si. |