BANCO DE TESES EVELYN DOERING XAVIER DA SILVEIRA
Avaliação Neuropsicológica de Adolescentes que Consomem Chá de Ayahuasca em Contexto Ritual Religioso
Orientador: Prof dr Itiro Shirakawa
RESUMO Objetivo: Avaliar o desempenho
neuropsicológico de adolescentes que consomem ayahuasca em
contexto ritual religioso. Método: Foi aplicada uma bateria
de testes neuropsicológicos para avaliar o perfil cognitivo
de 40 adolescentes que consomem ayahuasca comparativamente a uma
amostra pareada por sexo, idade e escolaridade. Resultados: Sujeitos
e controles obtiveram bons resultados em todos os testes utilizados.
Entretanto, foram observadas diferenças favoráveis
ao grupo controle em testes mais complexos e que exigem a participação
concomitante de múltiplas áreas cognitivas para a
realização das tarefas. Observou-se ainda influência
do nível sócio-econômico na qualidade de desempenho
em provas neuropsicológicas mais robustas. Nos níveis
sócio-econômicos mais baixos, os controles obtiveram
melhor desempenho que os sujeitos nos testes mais robustos. Entre
os usuários de ayahuasca, os indivíduos mais favorecidos
em termos sócio-econômicos apresentaram os melhores
resultados nas provas mais complexas. Por outro lado, não
observamos influência da classe sócio-econômica
sobre o desempenho dos adolescentes em testes neuropsicológicos
puros, que demandam esforços concentrados em apenas uma função
cognitiva. Os adolescentes do sexo masculino que estavam há
mais tempo abstinentes de ayahuasca apresentaram melhor desempenho
em testes mais robustos. Conclusões: Os adolescentes usuários
de ayahuasca em contexto ritualizado apresentaram bom desempenho
cognitivo nos testes neuropsicológicos. Entretanto, este
desempenho foi influenciado pelo sexo e pelo nível sócio-econômico
destes adolescentes. Pode-se supor que condições sócio-econômicas
privilegiadas que implicam em melhores oportunidades educacionais
e culturais, e, por conseguinte, melhor desenvolvimento intelectual,
garantam melhores recursos cognitivos para dar conta de tarefas
mais complexas.Tais requisitos não são essenciais
no desempenho de tarefas mais simples e automáticas. Podemos
hipotetizar que a ayahuasca possa exercer um efeito sutil sobre
a cognição, observável apenas quando as demandas
ao sistema cognitivo se tornam mais exigentes, o que se faria notar
entre os indivíduos socialmente menos favorecidos. Cabe ressaltar
que as pontuações elevadas observadas na maioria dos
testes utilizados, se aproximando do “efeito teto”, nos levam a
considerar esta uma sub-amostra particularmente privilegiada. Por
conseguinte, uma nova avaliação, com instrumentos
especificamente direcionados à investigação
da influência do uso de ayahuasca sobre grupos
socialmente diferenciados poderia
esclarecer alguns dos achados deste estudo.
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