RESUMO
Os ritmos circadianos
são a base para a adaptação dos organismos
vivos aos ciclos ambientais. Alterações na estabilidade
das pistas temporais como exposição a luz e ritmos
sociais, podem levar a distúrbios dos ritmos circadianos
e depressão em indivíduos vulneráveis. Achatamento
da amplitude circadiana foi verificado em estudos dos ritmos circadianos
com adultos deprimidos e somente em um estudo do
ritmo de atividade/repouso com crianças e adolescentes deprimidos.
Objetivos: avaliar se existe uma correlação entre
potência espectral de 24h do ritmo de atividade/repouso e
o curso clínico de depressão e investigar as possíveis
mudanças no ritmo de atividade/repouso ao longo de 1 ano
de terapia psicológica e farmacológica de um adolescente
deprimido. Métodos: A atividade motora de seis adolescentes
(14 a 17 anos) com Transtorno Depressivo Maior (DSM IV) foi registrada,
por um monitor de atividade, durante 13 semanas consecutivas. Os
sintomas depressivos foram avaliados semanalmente pela aplicação
da escala Children”s
Depressive Rating Scale-Revised (CDRS-R). Um estudo de caso foi também realizado
com um adolescente deprimido que participou do estudo anterior.
A atividade motora foi registrada por 51 semanas consecutivas.
Aplicações
da escala CDRS-R foram realizadas mensalmente
após as 13 semanas iniciais. As séries temporais nos
dois estudos foram submetidas a análise espectral (p<0.05)
para detectar a potência espectral de 24h.
Conclusões: A potência espectral de 24h se correlacionou
significativamente (negativamente) com os escores clínicos
de depressão. No estudo de caso, verificou-se
ainda
possíveis influências de pistas sociais na ressincronização
do ritmo de atividade/repouso associadas a melhora dos sintomas
depressivos. |