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Departamento de Psiquiatria da Unifesp

 

Estudo da produção de mudança em psicoterapia breve dinâmica de grupo

Orientador: Prof Dr. Sérgio Blay

 

A psicoterapia, embora constitua um recurso terapêutico amplamente utilizado, tem sido pouco estudada de forma sistemática e controlada em nosso meio. Em particular, a visão do paciente e sua avaliação da psicoterapia são questões que têm sido pouco abordadas. Estudos nessa área podem permitir melhor compreensão do processo de mudança em psicoterapia.

O presente estudo é parte de um estudo de eficácia da psicoterapia breve dinâmica de grupo, realizado com pacientes com transtornos psiquiátricos menores no Ambulatório de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina. Objetivou-se, no estudo atual, investigar aspectos do processo terapêutico, em particular a experiência dos pacientes e os fatores relacionados à produção de mudança.

Foi realizado um estudo qualitativo, que consistiu de duas etapas. Inicialmente, realizaram-se entrevistas retrospectivas em profundidade com onze pacientes que haviam participado de intervenção psicoterápica em estudo de eficácia. O relato dos pacientes foi submetido à análise de conteúdo, segundo metodologia da "Grounded Theory". Em uma segunda etapa da análise qualitativa, a avaliação dos pacientes foi comparada à avaliação de terapeutas obtidas por meio do instrumento "Therapy Session Report" e à avaliação de examinadores independentes obtidas a partir dos instrumentos "Clinical Interview Schedule", "General Health Questionnaire", "Hamilton Rating Scale for Depression" e "Global Assesment Scale".

A análise das entrevistas revelou que houve boa aceitação e avaliação positiva da intervenção psicoterápica por parte dos pacientes. Os principais benefícios relatados foram o alívio do sofrimento psíquico, a modificação de alguns padrões de comportamento e da forma de encarar sua problemática. O fator que mais contribuiu para a produção de mudança foi a interação positiva com os demais membros do grupo, enquanto a atitude pouco ativa do terapeuta e a curta duração da intervenção foram os fatores que a limitaram, segundo os pacientes.

Os resultados da segunda etapa da análise indicaram que não houve, de forma geral, discrepâncias importantes na comparação da perspectiva de pacientes, terapeutas e examinadores independentes quanto a aspectos do processo terapêutico e ao desfecho clínico. A inclusão destas vertentes permitiu ampliar a compreensão da produção de mudança, onde o envolvimento e o compromisso do paciente com a terapia foram os fatores que mais se destacaram.

Os principais resultados obtidos e suas limitações foram discutidos em maior detalhe no corpo do trabalho.

 

mail103.gif (4196 bytes) Webmaster: Denise Razzouk

Data da última modificação: 20/12/99