Banco de Teses : Dr Maurício Lima
Doutor
em Medicina Departamento de Psiquiatria da Unifesp / Voltar Banco de Teses
Professor Adjunto
da Universidade feral de Pelotas (RS)
Epidemiologia do uso de drogas ilícitas e
dos transtornos psiquiátricos menores em Pelotas![]()
Autor: Maurício Lima
Orientador: Prof. Dr. Jair de Jesus Mari
| Objetivo: Em 1994, um estudo transversal
foi realizado em Pelotas, Rio Grande do Sul, com a finalidade de estudar a prevalência e
fatores de risco relacionados com transtornos psiquiátricos menores e consumo de drogas
ilícitas. Material e métodos: Uma amostra representativa da zona urbana da cidade foi retirada através de estágios múltiplos. A população alvo era constituída por pessoas com 15 anos ou mais de idade, residentes na zona urbana de Pelotas. O questionário, aplicado por estudantes de Medicina e Nutrição, incluía perguntas sobre o consumo de álcool, psicofármacos em geral e anorerígenos em particular, um instrumento de rastreamento para transtornos psiquiátricos menores (Self Reporting Questionnaire - SRQ-20), ocorrência de eventos de vida produtores de estresse no último ano, utilização de serviços de saúde e questões sócio-demográficas. Resultados: Foram entrevistadas 1277 pessoas, o índice de perdas foi igual a 9,3%. Encontrou-se uma prevalência de transtornos psiquiátricos menores de 22% (26,5% para mulheres e 17,9% para homens), que se mostraram mais comuns entre idosos e pessoas com baixa renda e escolaridade. Os eventos de vida produtores de estresse ocorridos no último ano (morte de familiar, separação, presença de familiar com doença crônica, desemprego, assalto ou roubo) associaram-se positivamente com morbidade psiquiátrica. A fração atribuível na população para os eventos foi de 24 %. Renda e escolaridade mostraram frações atribíveis de 20,1% e 51,2%, respectivamente. O consumo de psicofármacos, verificado por 11,9% da amostra, foi maior entre pessoas com maior renda per capita e maior escolaridade. Quando se consideram juntamente consumo de psicofármacos e morbidade psiquiátrica menor- é possível, através dos níveis de foco e cobertura, ver que os mais pobres estão mais expostos à doença e têm menos acesso ao uso de psicofármacos, caracterizando uma forma de lei dos cuidados inversos. A droga lícita mais consumida foi o álcool: mais da metade da amostra (54,2%, IC 95% 51,5 - 56,9) havia consumido álcool no mês anterior. O consumo de risco ( mais de 17 gramas de álcool por dia para mulheres e mais de 24 gramas para homens) foi encontrado (positividade no teste CAGE) foi de 4,2% (6,2% para homens e 2,5% para mulheres). A cerveja foi o tipo de bebida mais consumida (46,9%), mas o maior percentual de abuso com fator associado ao consumo de risco foi sexo, que foi a única variável que permaneceu no modelo hierárquico final, construído através de regressão logísitca. Já com dependência, após a análise multivariada, permaneceram associados sexo, idade, cor, escolaridade e transtornos psiquiátricos menores. Com relação ao uso de psicofármacos, os mais consumidos foram os benzodiazepínicos, seguidos pelos antipsicóticos e pelos anorexígenos. Estes últimos foram consumidos por 16 pessoas: 15 mulheres e 1 homem, pertencentes principalmente a grupos de alta renda e escolaridade. Foram prescritas 41 drogas diferentes, com predomínio das formulações marginais. Discussão: comenta-se os principais achados, especialmente com relação à prevalência de transtornos psiquiátricos menores e suas relações com diversos fatores de risco, em especial com eventos de vida e consumo de drogas lícitas. Em virtude de prevalência de uso de anorexígenos e das características de uso, do maior uso de álcool por pessoas jovens, do maior percentual de consumo de risco entre os usuários de destilados, são levantadas sugestões com relação à políticas governmentais e ações em saúde. |
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