Banco de Teses : Dra Ana Cristina Chaves
Doutora
em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Unifesp / Voltar Banco de Teses ![]()
Diferenças entre os sexos na evolução da Esquizofrenia
Autora: Ana Cristina Chaves
Orientador: Prof. Dr. Itiro Shirakawa
| Os estudos de seguimento têm mostrado que existem vários fatores envolvidos no curso e evolução da esquizofrenia, e sexo tem sido considerado como um importante fator no prognóstico. As mulheres apresentam menos readmissões hospitalares, menor permanência no hospital, melhor prognóstico em relação aos sintomas psicóticos e um melhor ajustamento social em relação à situação ocupacional, condição de moradia e relacionamento social. Os homens apresentam um comprometimento maior de personalidade pré-mórbida, maior probabilidade de não se casarem, idade de início da doená mais precoce, mais sintomas negativos, maior probabilidade dos familiares pertencerem ao grupo com altas Emoções Expressas-EE e uma pior resposta ao tratamento em relação aos neurolépticos, às intervenções familiares e à aderência ao tratamento. Oitenta e três pacientes (46 homens e 37 mulheres) de duas unidades ambulatoriais, diagnosticados como esquizofrênicos segundo o critério do DSMIII-R, foram examinados através do Exame do Estado Psíquico Atual (PSE), da Escala de Avaliação das Síndromes Positiva e Negatia para Esquizofrenia (PANSS) e da Escala da Incapacitação Psiquiátrica (DAS). Os objetivos principais deste estudo foram avaliar as diferenças entre os sexos quanto aos fatores relacionados à história da doença, à natureza psicopatológica e a sua relação com o funcionamento social. Os resultados mostraram que a porcentagem de homens que nunca se casaram (91,3%) foi maior que a das muheres (67,6 %) e que dois terços da amostra total não exerciam nenhuma atividade economicamente ativa. A porcentagem de mulheres que possuíam atividade ocupacional (32,4%) foi maior do que a dos homens (15,2%). A idade de início da doença, do primeiro contato com serviços de saúde e da primeira internação psiquiátrica, foram mais precoces nos homens do que nas mulheres, e estas diferenças atingiram significância estatística. O primeiro contato com os serviços de saúde coincidiram com a idade de início da doença nas mulheres, mas foi mais tardia nos homens, sendo esta diferença estatisticamente significante. Não houve diferenças estatisticamente significantes entre os sexos em relação ao perfil sintomatológico dado pela Escala de Síndrome Positiva e Negativa - PANSS e Exame Psíquico Atual, havendo somente uma tendência dos homens apresentarem mais delírios de grandeza. Em geral, os homens apresentaram uma performance na DAS pior que das mulheres, mas em omente três ítens as diferenças atingiram significância estatística ( cuidado pessoal, atividade e performance no trabalho). O escore total da síndrome negativa dada pela PANSS apresentou correlações significantes com os itens da DAS, em ambos os sexos. No entanto, o escore total da síndrome positiva apresentou correlações significantes somente no sexo feminino. Os escores ajustados das seções I ( comportamento geral) e II (performance no papel social) foram submetidos a duas análises de regressão múltipla, utilizando como variáveis independentes: sexo, idade atual e de início da doença, escolaridade, número de internações psiquiátricas e os escores totais das síndromes positiva e negativa. Três variáveis explicaram uma parte substancial da variância (45 %) do comportamento geral: sexo, idade atual e o escore total da síndrome negativa. Quanto maior o escore da síndrome negativa, pior o desempenho. Três variáveis expicaram, também, 46% da variância da performance no papel social: sexo, sintomas negativos e a interação entre o sexo e sintomas positivos. Quanto maior a síndrome negativa, pior o desempenho nos papéis sociais em ambos os sexos, e quanto maior o escore total da síndrome positiva, pior o desempenho nos papéis sociais, mas somente para o sexo feminino. Este estudo examinou uma série de aspectos relacionados às diferenças entre os sexos na esquizofrenia, mas deve-se ter cuidado na generaliação dos resultados a partir de uma amostra de conviniência. Contudo, chama a atenção de que a maioria dos resultados concorda com a literatura em diferenças entre os sexos na esquizofrenia, apesar desta amostra de pacientes do sexo feminino ser mais grave do que a habitualmente descrita nos estudos em esquizofrenia. Estes achados são discutidos e analisados em relação às possíveis implicações na etiologia e no tratamento da esquizofrenia. |
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