RESUMO
Introdução:
A comunicação e suas perturbações têm
recebido crescente atenção no campo da formação
e da atenção em saúde, em função
da consolidação da percepção de suas
importantes repercussões no processo terapêutico. Objetivo:
A partir de uma discussão crítica do conceito “pacientes
difíceis de ajudar” identificar fatores que perturbam a comunicação
e o vínculo na relação médico-paciente,
refletindo-se na forma de “dificuldade para ajudar”. Método:
Numa amostra randômica de 74 leitos foram aplicados para o
paciente o Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), Confusion
Assessment Method (CAM) e Karnofsky Performance Scale; para os profissionais
o questionário de dificuldade para ajudar o paciente (DTH),
o HADS e o CAM (ambos sobre o paciente). O estudo de associação
entre as dificuldades do médico e as demais variáveis
foi feito utilizando o teste t quando numéricas e o teste
do qui-quadrado quando categóricas. Para identificarmos que
fatores predizem uma maior dificuldade do médico
para ajudar o paciente, desenvolvemos um modelo de regressão
logística cuja variável dependente foi a categoria
dificuldade para ajudar, e as variáveis de controle foram:
grau de dependência física pela doença orgânica,
procedência do médico, todas as questões do
DTH, sintomas psicopatológicos dos pacientes, sintomas psicopatológicos
dos pacientes percebidos pelo médico, taxa de acerto/erro
diagnóstico do médico.
Resultados: Dificuldade do médico para ajudar o paciente
apresentou índice de 38,3%. Em relação às
características do paciente a única característica
estatisticamente significante (p<0,05), para a alta dificuldade
de ajudar, foi frente aos pacientes que apresentam grandes limitações
físicas. Em relação às percepções
do médico, apresentaram associação estatisticamente
significante (p<0,05) com alta dificuldade as seguintes percepções:
os aspectos psicossociais terem afetado a doença do paciente
(88,9%), ter baixa adesão às recomendações
terapêuticas (27,8%) e considerar presença de sintomas
depressivos (61,1%) e ansiosos (72,2%) no paciente. A análise
multivariada da dificuldade de ajudar o paciente, tendo como variáveis
independentes aquelas que apresentaram associação
com a dificuldade (o médico proceder de outra cidade que
não
São Paulo, o médico considerar que os fatores psicossociais
afetaram o adoecer, que é baixa a adesão do paciente
ao tratamento, que o paciente tem sintomas depressivos e ansiosos)
mostrou que o médico considerar que o paciente tem sintomas
ansiosos aumentou em 19 vezes a chance de ele ter dificuldade para
ajudar este paciente, em relação ao médico
não considerar que os sintomas estão presentes (p<0,05)
e que, o médico ser de fora da cidade de São Paulo
aumentou em 15 vezes a chance de ele ter dificuldade para ajudar
este paciente, em relação ao médico ser da
cidade (p<0,05).
Conclusões: Os resultados obtidos no estudo revelam que na
amostra abordada não
são primordialmente as características do paciente
que produzem a condição de
dificuldade para ajudar mas, algumas percepções e
características dos profissionais, apontando para a importância
de uma atenção ao preparo e aos cuidados com os profissionais.
Por outro lado, estes resultados reafirmam a vantagem de não
se ater a categorizações como “paciente difícil”
mas de situar as observações no fenômeno (dificuldade
para ajudar), na relação e no vínculo, buscando
pesquisar os fatores e as características que promovem as
dificuldades.
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