epmpq.gif (1789 bytes) Banco de Teses : Dr Dartiu Xavier da Silveira Filhobar102.jpg (2735 bytes)   Doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Unifesp /  Voltar Banco de Teses hands.gif (114 bytes)

A avaliação das propriedades psicométricas da Escala de rastreamento de Depressão CESD em populações clínicas e não clínicas de adolescentes  e adultos jovensbar102.jpg (2735 bytes)

Orientador: Prof. Dr.Miguel R. Jorge

Existem evidências de aumento na prevalência de transtornos depressivos na população geral e de que tem havido incidência progressivamente mais precoce de depressão no transcorrer deste século. A grande maioria dos trabalhos científicos sobre depressão não focaliza especificamente populações de adolescentes e adultos jovens, sendo a literatura mais escassa ainda quando se trata de populações clínicas. Embora exista um grande contingente de estudos a respeito de farmacodependência nesta faixa etária, poucos se detêm nos aspectos relativos à comorbidade psiquiátrica e às dificuldades diagnósticas nesta população.

As escalas de rastreamento populacional para depressão têm sido amplamente utilizadas em etapas iniciais de identifcação de casos em levantamentos epidemiológicos, a despeito dos questionamentos sobre a concordância do desempenho destas escalas com resusltados de procedimentos diagnósticos mais complexos realizados  em uma segunda etapa. Além disto, poucos estudos examinaram o desempenho destas escalas em populações de adolescentes e adultos jovens, sendo a literatura científica extremamente restrita quando se trata de populações clínicas.

Utilizamos neste estudo a CES-D, escala para a depressão do Centro de Estudos
Epidemiológicos dos EUA, por ser uma das escalas de rastreamento populacional mais utilizadas nos últimos vinte anos. Propusemo-nos a estudar as propriedades psicométricas e a estrutura fatorial da escala em duas populações de adolescentes e adultos jovens.

Uma população de 523 estudantes universitários da cidade de São Paulo e umna amostra de 50 farmacodependentes que procuraram tratamento em um ambulatório da rede pública assistencial (PROAD) responderam à CES-D. A amostra de farmacodependentes e uma sub-amostra da população de estudantes foram também submetidas a uma entrevista psiquiátrica. Avaliamos o desempenho da escala de rastreamento comparativamente ao diagnóstico psiquiátrico sesgundo o RDC (Research Diagnostic Criteria) nas duas amostras.

Comparando-se os dois grupos, as estimativas de prevalência entre os estudantes universitários foram de 7,9% para transtornos depressivos atuais e de 19% para transtornos depressivos ao longo da vida, enquanto que entre os farmacodependentes encontramos freqüências de 32% para transtornos depressivos atuais e de 44% para transtormos depressivos  ao longo da vida. Com relação à escalas de rastreamento, concluímos que entre os estudantes universitários (população não-clínica) a escala apresentou melhor desempenho quando utilizamos o ponto de corte 15, constrastando com a amostra de farmacodependentes, na qual o ponto de corte 24 correspondeu ao melhor desempenho da escala. Quanto ao estudo da estrutura da escala, duas questões da CES-D apresentou boa consistência interna (alfa de Cronbach= 0,85) e a análise da estrutura   fatorial resultou em solução de quatro dimensões da escala, demonstrando assim relativa estabilidade quandoo utilizada em populações jovens em nosso meio.

Baseando-nos nestes resultados, concluímos que a CES-D pode ser de utilidade em uma primeira etapa de levantamento de casos, desde que sejam consideradas algumas de suas limitações. Finalmente, levantamos algumas sugestões a respeito da utilização deste tipo de instrumento em populações distintas daquelas para as quais foram concebidos.

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Data da última modificação: 03/02/98