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Departamento de Psiquiatria da Unifesp

 

Estudos psicofisiológicos de hostilidade em indivíduos normais e pacientes psiquiátricos

 

Orientador: Prof Dr. Ronaldo Laranjeira

 

A revisão da literatura começa com a discussão de definições e o background teórico da pesquisa experimental sobre agressão. Isso é seguido por um relato de características de longa duração associadas com a agressão, como herança genética, mecanismos anatômicos e químicos e diferenças individuais. Após, os eliciadores imediatos do comportamento agressivo, tais como a frustração e o ataque, são revistos. Argumenta-se que essas variáveis podem ou não produzir respostas agressivas dependendo de suas correlações com os antecedentes da pessoa e outras condições intervenientes tais como arousal, raiva e atribuições. Em cada um desses estágios, a relação entre as variáveis é comparada.

O primeiro estudo foi uma tentativa de estabelecer correlações significantes entre fatores fisiológicos e psicológicos e suas ligações com uma situação aversiva, que foi caracterizada por competição durante um Teste de Agressão por Subtração de Pontos (PSAT). Os níveis de serotonina neurotransmissora foram manipulados e seus efeitos na resposta agressiva foram testados. Nenhuma reação agressiva significativa foi demonstrada com relação ao paradigma usado, embora a ansiedade, hostilidade e raiva fossem relatadas nas escalas clínicas . Fisiologicamente, o período cardíaco e os níveis de condutância da pele não foram influenciados pela situação experimental.

O estudo 2 descreve um teste comparativo entre dois paradigmas para provocação de agressão: o Teste de Tempo de Reação Competitivo (CRT) e o PSAT. Os resultados mostraram efeitos inequívocos através do CRT nas respostas agressivas dos sujeitos. Os auto-relatos e em menor proporção, reações fisiológicas, foram influenciados pelos valores de estímulos associados ao CRT. O mesmo não ocorreu com o PSAT. O achado mais importante foi uma discrepância entre os auto-relatos de hostilidade medida pelo Inventário de Hostilidade de Buss-Durkee (BDHI) e a performance dos sujeitos no PSAT. O grupo de maior hostilidade respondeu menos agressivamente no teste.

O terceiro estudo investigou as respostas agressivas em uma população clínica. Pacientes forenses com uma história de agressão foram comparados com controles psiquiátricos casados e sujeitos normais. Mostrou-se que o CRT foi sensível na produção de comportamento agressivo em um modo similar àquele mostrado anteriormente por outros autores em sujeitos normais. A relevância do traço ou disposições à agressão (BDHI) foi uma interface construtiva ligando as medidas subjetivas e objetivas, especialmente entre os pacientes violentos. Eles pontuaram mais no BDHI e também responderam mais agressivamente no CRT. Embora o teste realmente tenha aumentado o arousal cortical e autônomo em ambos os grupos de pacientes, suas reações fisiológicas não foram diferenciadas de quaisquer das medidas usadas. No sistema fisiológico, uma desassociação entre o período cardíaco e os níveis de condutância da pele foi encontrada. Esses achados corroboram a posição contra uma concepção de ativação unidimensional da atividade fisiológica autônoma, no mínimo aos níveis dos estímulos de intensidade moderada.

As implicações metodológicas dos estudos experimentais sobre a agressão são então discutidas. Outros sentimentos associados ou disposições momentâneas como a hostilidade, desequilíbrio de humor, raiva ou atitudes negativas com relação a outros são considerados como uma forma de atitude agressiva. A necessidade de mais estudos dos determinantes da agressão entre sujeitos psiquiátricos e normais é apontada, considerando contextos mais amplos nos quais a relação entre uma pessoa e o ambiente é menos fixa e nos quais as pessoas podem mudar a situação através de seu comportamento. Também se sugere que os insights das teorias de avaliação podem ser relevantes em estudos com pacientes psiquiátricos agressivos em situações controladas. 

 

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Data da última modificação: 16/12/99