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CAMARGO
A EXPERIÊNCIA DE TER CÂNCER DE MAMA: DO DIAGNÓSTICO À REORGANIZAÇÃO DA VIDA APÓS A MASTECTOMIA
Orientador: Prof. Dr. José Francisco Quirino dos Santos
RESUMO O entendimento de médicos e pacientes sobre o que significa estar saudável ou doente e sobre o caminho a percorrer no sentido de uma melhor qualidade de vida é muitas vezes diverso e impenetrável às informações científicas mais acuradas. A compreensão da maneira pela qual o paciente entende a sua doença pode constituir um precioso instrumento para a real efetividade do atendimento médico e para o amenizar do sofrimento psíquico envolvido no processo do adoecer. Objetivo: Esta pesquisa tem como objetivo o entendimento de aspectos culturais associados ao câncer de mama e sua influência no diagnóstico, tratamento e reorganização da vida das pacientes após a doença. Objetivou-se conhecer como pacientes que tiveram câncer de mama e foram mastectomizadas pensam sua doença; observar a importância de estereótipos relacionados ao câncer num primeiro contato com o diagnóstico e na vivência do tratamento; conhecer a perspectiva segundo a qual estas pacientes entendem a sua vida após o câncer; identificar lógicas que permitam a estas mulheres reorganizar-se frente à realidade da doença, reconstruindo suas vidas dentro desta nova realidade. Participantes: Participaram deste estudo mulheres mastectomizadas uni ou bilateralmente, de idades entre 40 e 75 anos, acompanhadas no Ambulatório de Mastologia da UNIFESP, sem diagnóstico confirmado de recidiva, metástases ou câncer na mama contra-lateral. Método: Foram efetuadas entrevistas abertas e em profundidade em 10 pacientes que retornavam ao Ambulatório de Mastologia da UNIFESP para seus acompanhamentos de rotina. Os relatos foram analisados qualitativamente, segundo uma abordagem etnográfica. Conclusões: Observamos que, para as mulheres entrevistadas, o diagnóstico de câncer de mama introduz uma mudança inesperada e desorganizadora de perspectivas e rotinas que se concretiza com a mastectomia. Os estereótipos do câncer, como a morte e a punição, estão presentes em todo o processo da doença e influenciam a maneira das pacientes pensarem a si e à sua vida durante e após o tratamento. As marcas do sofrimento e da mastectomia, acompanhadas pela incerteza quanto a um adoecer futuro, propiciam que, mesmo após a fase aguda da doença, o câncer se mantenha como uma realidade viva em suas mentes, influenciando constantemente suas vidas. |