epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES WILZE BRUSCATO (doutorado)

Relações objetais na Esquizofrenia: um estudo comparativo 

Orientador: Prof. Dr. Sergio Blay

 

RESUMO

Introdução: A esquizofrenia é freqüentemente caracterizada por déficits na capacidade do indivíduo de exercer suas ações próprias e naturais, inclusive no que se refere ao relacionamento interpessoal. Relação objetal, no contexto deste trabalho, diz respeito à capacidade dos indivíduos para os relacionamentos humanos e é tida como uma função do ego fundamental para a vida psicológica saudável, podendo-se presumir que várias condições patológicas estejam associadas a déficits nesta função egóica. Em virtude disto, tem havido um interesse renovado na integração das questões ligadas à esquizofrenia às teorias sobre relações objetais, que valorizam a natureza interpessoal dos relacionamentos e articulam a psicologia individual com os sistemas de relacionamentos sociais. Objetivos: Este estudo teve como objetivos, averiguar a natureza das relações objetais na esquizofrenia, investigar a possível existência de um padrão deficitário de relacionamento peculiar deste transtorno e avaliar a interferência de variáveis clínicas e sócio-demográficas nos déficits eventualmente encontrados. Método: Duas amostras independentes, compostas, uma por 61 indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia de acordo com o critério do DSM-IV, e a outra por 218 estudantes universitários voluntários, foram avaliadas com o Bell Object Relations and Reality Testing Inventory (BORRTI – Forma O) e comparadas entre si. A amostra de pacientes também foi submetida à avaliação através da Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS) e da Composite International Diagnostic Interview (CIDI). Estes pacientes foram comparados de acordo com subtipos clínicos, sintomatologia predominantemente positiva ou negativa, tempo de duração da doença e variáveis sócio-demográficas, para investigar se os déficits de relações objetais tinham alguma relação com estas variáveis. Resultados: A comparação destes dois grupos amostrais revelou, conforme as medidas fornecidas pelas médias dos escores do teste e a porcentagem de altos escores nas quatro subescalas do BORRTI – Forma O, que o padrão de relações objetais foi significantemente diferente para cada um deles (p<0,001), com exceção da subescala de Vinculação Insegura. Quando comparados à amostra de estudantes, os pacientes revelaram ter padrões deficitários de relações objetais, com 83,6% deles mostrando comprometimento nas subescalas do teste. Todos os demais escores relacionados ao BORRTI – Forma O, indicaram, para a amostra de pacientes, que um alto grau de patologia nos relacionamentos está associado com esquizofrenia, tendo este grupo, ao contrário do grupo de estudantes, demonstrado déficits em relações objetais. Quando, através de análises univariadas, os pacientes foram comparados entre si nas medidas do teste BORRTI – Forma O quanto aos tipos clínicos, sintomatologia predominante (positiva ou negativa), tempo de duração da doença ou variáveis sócio-demográficas, nenhuma diferença estatística foi encontrada. A análise multivariada também não detectou relações nos resultados do teste BORRTI – Forma O na amostra de pacientes, indicando que nenhuma das variáveis independentes tem valor preditivo significante para qualquer dos resultados. Não existiu correlação entre as variáveis deste teste e as escalas da PANSS, demonstrando que os resultados das subescalas do BORRTI – Forma O representam características da personalidade na sua função egóica de relações objetais e ilustram um domínio do funcionamento egóico que é distinto da sintomatologia. Conclusões: Déficits de relações objetais estão presentes nesta amostra de pacientes com diagnóstico de esquizofrenia, podendo ser concebidos como característicos deste transtorno. Observou-se também que nenhuma variável clínica ou sócio-demográfica interfere no desfecho dos escores do teste BORRTI – Forma O.