epmpq.gif (1789 bytes) Banco de Teses : Rodrigo Affonseca Bressan

Departamento de Psiquiatria da Unifesp

 

Identificação de sintomas depressivos em pacientes com esquizofrenia: estudo de validação da versão brasileira da escala de Calgary de Depressão para Esquizofrenia

Orientador: Prof Dr Itiro Shirakawa

 

Introdução: Os sintomas depressivos são descritos desde os primeiros trabalhos sobre esquizofrenia, mas, por vários anos, estes sintomas foram entendidos com um fenômeno restrito a fase pós-psicótica. Estudos recentes vêm demonstrando que os sintomas depressivos são um fenômeno bastante freqüente entre os pacientes com esquizofrenia e podem ocorrer em qualquer uma das fases da esquizofrenia. Além disto, os sintomas depressivos vêm sendo associados a um desfecho clínico desfavorável e tendo, portanto, um impacto importante no curso e na qualidade de vida dos pacientes com esquizofrenia. A identificação e a mensuração dos sintomas depressivos em pacientes com esquizofrenia são consideradas difíceis devido a sobreposição dos sintomas depressivos com os sintomas negativos e extrapiramidais. Tendo em vista estas dificuldades, Addington et al. (1990) desenvolveram uma escala para avaliar sintomas depressivos em esquizofrenia - a Escala Calgary de Depressão para Esquizofrenia (ECDE).

Objetivo: O objetivo principal deste estudo foi adaptar a ECDE para uso no Brasil e avaliar a sua capacidade psicométrica.

Metodologia: A ECDE foi traduzida para o português e retro-traduzida para o inglês. Foi feita uma avaliação da confiabilidade entre examinadores da versão em português da ECDE em 15 pacientes com esquizofrenia. Para a avaliação da validade concorrente, da validade discriminante e da confiabilidade interna da ECDE, dois examinadores independentes avaliaram 80 pacientes estáveis que preencheram os critérios de esquizofrenia do DSM IV, de quatro unidades ambulatoriais do município de São Paulo. O primeiro examinador aplicou os critérios para depressão do DSM IV e o segundo avaliou os pacientes através das seguintes escalas: ECDE, Escala de Avaliação das Síndromes Positiva e Negativa (PANSS) e Escala de Sintomas Extrapiramidais (ESE).

Resultados: Os coeficientes de confiabilidade entre examinadores dos itens da ECDE foram calculados através do Kappa ponderado e variaram entre 0,63 e 1,00. A confiabilidade interna resultou num alfa de Crombah de 0,80. A análise da validade concorrente foi feita pela comparação do critério de depressão do DSM IV com os escores da ECDE, através da análise Receiver Operating Characteristc (ROC). A área sob a curva ROC para identificar depressão maior foi 0,948 (D.P. 0,024), e no ponto de corte 6/7 os coeficientes de validade foram os seguintes: sensibilidade 77%, especificidade 92%, valor preditivo positivo 67% e valor preditivo negativo 95%. A análise da validade discriminante foi feita através dos coeficientes de correlação entre os escores da ECDE e as demais escalas. O escore total da ECDE não se correlacionou com os escores das sub-escalas positiva e negativa da PANSS, tive uma pequena correlação com os escores da ESSE e se correlacionaram positivamente com os itens relacionados à depressão da sub-escalas de psicopatologia geral da PANSS .

Conclusão: A versão brasileira da Escala Calgary de Depressão para Esquizofrenia apresentou uma boa capacidade psicométrica, pois a confiabilidade entre examinadores, a consistência interna, a validade concorrente e a validade discriminante foram considerados bons. Portanto, a escala é um instrumento de pesquisa confiável, válido e específico para aferir sintomas depressivos de pacientes estáveis com esquizofrenia e poderá contribuir para os estudos de depressão em esquizofrenia a serem realizados no Brasil.