Banco de Teses : José Atílio Bombana
Departamento de Psiquiatria da Unifesp / Voltar Banco de Teses ![]()
A tradução psiquiátrica do diagnóstico "DNV" (Distonia Neurovegetativa) feito pelo médico não especialista
Autor: José Atílio Bombana
Orientador: Prof. Dr. Marcos Pacheco de Toledo Ferraz
| O autor realiza um estudo composto por uma investigação bibliográfica e uma pesquisa de campo sobre o diagnóstico distonia ou distúrbio neurovegetativo ("DNV"). Inicia por um histórico da descoberta do sistema nervoso vegetativo desde a Antiguidade e caracteriza o ambiente méduci-científico onde surgiram as teorias dos distúrbios neurovegetativos ( segunda metade do séc. XIX e primeira metade do séc XX). O termo teria sido introduzido por B. Wichmann em 1934, na Alemanha. Nos primeiros tempos era utilizado para designar quadros predominantemente orgânicos decorrentes da patologia do Sistema Nervoso Vegetativo, como se este tivesse autonomia no organismo. Progressivamente esse diagnóstico pasou a nomear um grupo de diferentes tipos de paciente, com queixas psíquicas e físicas frequentemente entrelaçadas e imprecisas, e cuja designação continha um sentido pejorativo. O "DNV"se aproximou assim de uma série de rótulos utilizados na prática médica relacionados a um grupo extenso de pacientes; são exemplos desses rótulos: "peripaque", "piti" e "poliqueixosos". Em outros países, como na América do Norte, também existiram termos usados de modo equivalente, como "crocks", "turkeys"e "troll". São revisto os principais sistemas diagnósticos que façam menção ao "DNV"até se chegar à CID-10, que com a categoria "Disfunção Autonômica Somatoforme"(código F45.3) estabelece a formulação mais próxima daquele conceito. É investigada a abrangência do termo "DNV"através dos trabalhos que o mencionam no Brasil, no Exterior e indiretamente pela descrição da larga utilização que foi feita dos medicamentos chamados äntidistônicos". Algumas contribuições básicas da Psicanálise no campo da Psicossomática são apresentadas, como a antiga noção de "neuroses atuais"(Freud), a distinção entre neurose vegetativa e conversão (Alexander) e o conceito de pensamento operatório ("Escola Psicossomática de Paris"). É apresentada uma pesquisa reaizada pelo autor que entrevistou 40 pacientes diagnosticados como "DNV"(casos) e 40 com outros diagnósticos ( controles) pareados por sexo e idade, provenientes do serviço de Triagem do HSP/EPM, num estudo tipo cego. Foram colhidas informações sociodemográficas, aplicado o CIS (Clinical Interview Schedule) e formulado um diagnóstico psiquiátrico (pelo DSMIII-R) quando houvesse. Encontrou-se uma população majoritariamente feminina na qual predominavam, quanto à situação ocupacional, atividades domésticas entre os casos, e emregados entre os controles. O perfil sintomatológico do "DNV"aproximou-se dos chamados quadros "neuróticos", com destaque para os sintomas somáticos e de ansiedade. Noventa e dois e meio dos casos receberam um diagnóstico psiquiátrico, em que os distúrbios da ansiedade (32,5%) distúrbio de conversão (10%), hipocondria/distúrbio de ajustamento (15%) são os mais frequentes. Entre os controles, 37,5% receberam diagnóstico. Para estimar a associação entre o diagnóstico "DNV" , dado pelos médicos da Triagem, e um diagnóstico psiquiátrico conferido por um especialista, calculou-se o Risco Relativo, obtendo-se valores entre 5,5 e 8,5, dependendo do critério utilizado, o que evidenciou boa percepção dos médicos quanto aos traços patológicos psiquiátricos dos pacientes, quando firmavam tal diagnóstico. |
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