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Revisão Sistemática sobre tratamento farmacológico da Acatisia Aguda induzida por antipsicóticos

Orientador: Prof. Dr Marcos Pacheco de Toledo Ferraz

RESUMO

A acatisia induzida por antipsicóticos é um transtorno do movimento relacionado ao sistema motor, caracterizado por sensação subjetiva de inquietude interna, irritabilidade ou disforia, que podem ser intensas. Associa-se sensação física e objetiva de desassossego e movimentos não discinéticos, incluindo movimentos alternados dos pés, caminhar no mesmo lugar quando na posição ereta, movimentos no sentido ântero-posterior do tronco ou balanço alternado das pernas quando sentado. Nos casos graves, os pacientes levantam-se e abaixam-se como tentativa de aliviar o sofrimento causado pela sensação de desassossego. Os tratamentos mais comumente utilizados e verificados por estudos controlados são as farmacoterapias com beta-bloqueadores de ação central, benzodiazepínicos e anticolinérgicos. OBJETIVOS  O objetivo desta revisão foi verificar a eficácia e a aceitação dos beta-bloqueadores de ação central, benzodiazepínicos e anticolinérgicos, em comparação ao placebo, no tratamento da acatisia aguda induzida por antipsicóticos.MÉTODOS Todos os estudos controlados, obtidos apartir das estratégias de busca, que compararam beta-bloqueadores de ação central, benzodiazepínicos ou anticolinérgicos ao placebo, independente de sexo, idade ou diagnóstico psiquiátrico, foram considerados para esta revisão. Até março de 1999, foram consultadas sete bases de dados eletrônicas, sendo também examinadas as referências bibliográficas dos artigos selecionados. Na tentativa de se encontrar mais estudos, foram contatadas as indústrias farmacêuticas e os primeiros autores de todos os estudos incluídos. Dois revisores independentes examinaram os estudos que poderiam preencher os critérios de inclusão para as metanálises. O Kappa entre os mesmos foi de 0.63 (intervalo de confiança de 95% 0.37-0.90). As medidas de desfecho primárias verificadas foram: (I) remissão completa dos sintomas acatísicos no final do estudo, ou no final da primeira fase para os de desenho cruzado, definida como 100% de remissão dos sintomas, (II) melhora clínica, definida como redução mínima de 50% dos sintomas acatísicos; (III) diferença média da gravidade dos sintomas acatísicos no final do estudo; (IV) abandonos devido a eventos adversos ou qualquer razão. Os cálculos metanalíticos, quando possíveis, foram feitos através do software RevMan 4.0.4, elaborado pela Cochrane Collaboration para a realização de revisões sistemáticas e metanálises. As variáveis dicotômicas foram analisadas pela estimativa do risco relativo (RR) e seu respectivo intervalo de confiança de 95%, segundo o modelo de efeito aleatório de Dersimonian – Laird. As medidas absolutas do número necessário para tratar (NNT) e do número necessário para causar danos (NNH) não puderam ser calculadas pois os resultados não foram significativos. As variáveis contínuas foram analisadas pela "weighted mean difference" (diferença ponderada das médias).RESULTADOS Número bastante reduzido de estudos controlados, randomisados, avaliando os efeitos terapêuticos de beta-bloqueadores de ação central, benzodiazepínicos e anticolinérgicos na acatisia aguda induzida por antipsicóticos preencheram os critérios de inclusão para as revisões sistemáticas. A qualidade metodológica dos ensaios clínicos foi pobre. De forma geral, informações relevantes concernentes aos métodos utilizados não foram apresentadas. A amostra de pacientes incluídas nos estudos foi de tamanho bem reduzido. Sendo assim, a generalização dos resultados deve ser considerada com cautela. Foram realizadas 2 metanálises, e apenas 2 estudos puderam incluídos em cada uma delas. A metanálise 1 comparou beta-bloqueadores de ação central e placebo. Trinta e um pacientes foram incluídos. Não foi verificada diferença na redução dos sintomas acatísicos. A taxa de remissão não foi estimável e a taxa de melhora clínica foi de 16% para o grupo intervenção e 20% para o placebo (RR= 1.04 CI 0.59 – 1.83). Não foram verificados abandonos precoces do tratamento, em ambos os grupos, durante o período de seguimento dos estudos. A metanálise 2 comparou benzodiazepínicos e placebo. Vinte e seis pacientes foram incluídos. Foi observada diferença não significante na remissão dos sintomas acatísicos favorável ao grupo intervenção. A taxa de remissão foi de 7% para o grupo que recebeu benzodiazepínicos e 0% para o placebo (RR= 0.86 CI 0.63 – 1.16) e a de melhora clínica foi de 100% para benzodiazepínicos e 16% para placebo (RR= 0.09 CI 0.01 – 0.58). Não foi verificado abandono precoce do tratamento, durante o período de seguimento dos estudos, tanto para o grupo intervenção como controle. A metanálise 3, comparando anticolinérgicos e placebo, não foi realizada por ausência de estudos que preenchessem os critérios de inclusão.CONCLUSÕES Há pouca evidência científica de boa qualidade que possa sustentar as intervenções terapêuticas mais utilizadas no tratamento da acatisia aguda induzida por antipsicóticos. Comparados ao placebo, os benzodiazepínicos parecem ser mais eficazes na redução dos sintomas acatísicos do que beta-bloqueadores de ação central, enquanto que os anticolinérgicos não puderam ser avaliados. Em relação ao placebo, não houve diferença entre os fármacos na tolerabilidade ao tratamento, possivelmente pela baixa incidência de efeitos adversos. Estes achados podem ser preditivos de boa adesão dos pacientes à farmacoterapia com beta-bloqueadores de ação central e benzodiazepínicos.

ABSTRACT

Neuroleptic-induced akathisia is a movement disorder related to the motor system characterised by a subjective report of inner restlessness, mental unease, or dysphoria, which can be intense. Associated with this experience are patterns of restless, including rocking from foot to foot and walking on the spot when standing, and shuffling and tramping the legs, rocking back and forth, or awinging one leg on the other when sitting. In severe cases, patients constantly pace up and down in attempt to relieve the sense of unrest. The treatments more commonly used and verified by controlled studies are the pharmacological approaches with central action beta-blockers, benzodiazepines and anticholinergics.OBJECTIVESThe objective of this review was to evaluate the effectiveness and acceptability of central action beta-blockers, benzodiazepines and anticholinergics, when compared with placebo, in the treatment of neuroleptic-induced acute akathisia.METHODSAll controlled studies obtained from the search strategies, comparing central action beta-blockers, benzodiazepines or anticholinergics with placebo, irrespective of gender, age or psychiatric diagnosis, were eligible to this review. Up to March 1999, seven electronic databases were searched, with the references of all identified trials also inspected. In order to find out more studies, the pharmaceutical companies and first authors of all included trials were contacted. Two reviewers, independently, decided if trials met inclusion criteria for the metanalysis. Kappa between reviewers was 0.63. (95% confidential interval 0.37-0.90). Primary outcome measures verified were: (I) remission in akathisia symptoms at endpoint, or at the end of the first phase for those studies with crossover design, defined as 100% reduction in symptoms; (II) clinical improvement, defined as at least 50% reduction in akathisia symptoms; (III) mean difference in severity of akathisia symptoms at endpoint; (IV) dropouts due to adverse events for any reason. When possible, metanalytic calculations were made by means of RevMan 4.0.4, which was created by the Cochrane Collaboration for systematic reviews and metanalysis. Dichotomous outcomes were analysed calculating the DerSimonian – Laird random effects model estimates of relative risk (RR) and approximate 95% confidence intervals. The absolute measures of the number needed to treat (NNT) and the number needed to harm (NNH) could not be calculated because the overall results were not significant. Continuous outcomes were analysed by the weighted mean difference.RESULTSA very limited number of randomised controlled trials, evaluating the therapeutic effects of central action beta-blockers, benzodiazepines and anticholinergics in neuroleptic-induced acute akathisia fulfilled inclusion criteria for these systematic reviews. The quality of reports was poor. In general, methodological informations were not presented. The number of patients included in the trials was very small. So, generalizability of findings must be considered with caution. Two metanalyses were performed, and only two studies could be included in each one. Metanalysis 1 compared central action beta-blockers with placebo. Thirty-one patients were included. Remissions rates were not estimable and the clinical improvement rates were 16% for the intervention group and 20% for placebo (RR= 1.04 CI 0.59 – 1.83). There were not dropouts during the follow-up period, in any group. Metanalysis 2 compared benzodiazepines with placebo. Twenty-six patients were included. There was not significant differences in reduction of akathisia symptoms between the two groups. Remission rates were 7% for benzodiazepines and 0% for placebo (RR= 0.86 CI 0.63 – 1.16 ), and the rates of clinical improvement were 100% for benzodiazepines and 16% for placebo (RR= 0.09 CI 0.01 – 0.58). Metanalysis 3, comparing anticholinergics with placebo, was not performed due to the absence of studies fulfilling inclusion criteria.CONCLUSIONSThere are few good quality scientific evidence to support therapeutic interventions commonly used for the treatment of neuroleptic-induced acute akathisia. Compared with placebo, benzodiazepines seem to be more effective than central action beta-blockers in reducing akathisia symptoms, while anticholinergics could not be evaluated. Compared with placebo, there was no difference in tolerability among the active drugs, maybe due to a low incidence of adverse events. These findings may be predictive of good compliance of central action beta-blockers and benzodiazepines.

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