epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES ANDRES E. A. ANTUNES

Estudo da afetividade em pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo por meio do método de Rorschach: estudo caso-controle e estudo de casos.  

Orientador: Profa Dra Latife Yazigi

 

RESUMO

 

Objetivo: Compreender a afetividade no Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Métodos: Para avaliação diagnóstica foi utilizada a Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-IV. Para avaliação dos afetos e das emoções, o método de Rorschach, segundo o Sistema Compreensivo e a Fenomenologia-Estrutural. A amostra contou com 60 sujeitos, 30 pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo e 30 não-pacientes pareados por sexo, idade e anos de escolaridade. Realizou-se estudo de confiabilidade entre codificadores do Rorschach no Sistema Compreensivo; análise estatística das quatro variáveis selecionadas: tipo de vivência, quociente afetivo, modulação afetiva e constrição afetiva; análise exploratória de todas as variáveis; e análise qualitativa das respostas de cor. A análise fenomenológica-estrutural focalizou a expressão verbal de sete protocolos. Resultados: O grupo de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo apresentou comorbidades psiquiátricas em 86% dos casos. Quanto ao Rorschach, não houve diferença estatisticamente significante nas variáveis escolhidas, porém a análise qualitativa das respostas de cor mostrou que nos pacientes as cores são acompanhadas por tons mais desagradáveis e ansiedade. A análise exploratória mostrou a predominância significante de Códigos Especiais relacionados à alteração de pensamento nos pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo. A análise da linguagem em sete protocolos revelou marcada presença de dúvidas e incertezas; necessidade de tempo para lidar com a angústia e impacto afetivo; prevalência da estrutura esquizo-racional e mecanismo de corte ou cisão; atitude de isolamento e distanciamento. A presença de elementos sensório-motores, na visão de imagens em movimento e nos mecanismos de ligação, assinala bons recursos de personalidade. Conclusões: Pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo não apresentam um tipo de vivência definido; o quociente afetivo se apresenta na média com tendência a uma afetividade lábil e sem dificuldades de expressar as emoções. São as qualidades das respostas de cor que revelam dificuldades no manejo dos afetos e das emoções, com distanciamento e isolamento dos componentes da afetividade, que não é sentida, vivida, mas preferencialmente descrita e racionalizada.