epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES ALBINA TORRES

 Aplicabilidade e confiabilidade de um instrumento para o diagnóstico de distúrbio da personalidade

Orientador: Prof Dr José Alberto Del Porto

 

RESUMO

A Psiquiatria sempre teve interesse em aspectos teóricos, de mensuração e classificação da personalidade, mas nos últimos anos a importância desse campo de estudos vem sendo enfatizada. Os sistemas multi-axiais de diagnóstico, como o DSM-III, ressaltam a importância dos distúrbios da personalidade (DPs), que freqüentemente coexistem e podem influir na predisposição, manifestação, curso e resposta ao tratamento de outras patologias psiquiátricas. Entretanto, são muitas as dificuldades envolvidas no diagnóstico dos distúrbios da personalidade, que ainda tem menor confiabilidade e muita sobreposição entre seus tipos. Recentemente, vários instrumentos foram desenvolvidos para a avaliação sistemática dos pacientes em relação a esses distúrbios do eixo II (DPs). O objetivo deste trabalho foi, além de traduzir e adaptar para a língua portuguesa, avaliar a aplicabilidade e a confiabilidade entre avaliadores da “Entrevista Estruturada para Distúrbios da Personalidade pelo DSM-III-R” (SIDP-R), desenvolvida por Pfohl et al. em 1989. Os sujeitos foram 40 pacientes psiquiátricos e 40 pacientes não psiquiátricos do ambulatório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP. Todos os primeiros tinham o diagnóstico de distúrbio obsessivo-compulsivo (DOC), segundo critérios diagnósticos do DSM-III-R. Todas as entrevistas foram feitas simultaneamente por dois pesquisadores, que avaliaram de forma independente. Pode-se calcular o índice de concordância (Kappa) para nove tipos de DPs e os níveis variaram entre 0,55 e 1,00, podendo ser considerados satisfatórios.  Os pacientes psiquiátricos (com DOC) apresentaram significativamente (p< 0,01) mais DPs (70%) do que os não psiquiátricos (15%). Não houve diferenças estatisticamente significantes entre os sexos em relação à presença de DPs. Os DPs diagnosticados consensualmente no estudo entre os pacientes com DOC foram: evitador (52,5%), dependente (40%), histriônico (20%), paranóide (20%), obsessivo-compulsivo (17,5%), narcisista (7,5%), esquizotípico (5%), passivo-agressivo (5%) e autodestrutivo (5%). Houve um grande número de sobreposições diagnósticas, destacando-se a dos distúrbios dependente e evitador.  A versão traduzida da SIDP-R demonstrou ter boa aplicabilidade e confiabilidade entre avaliadores e pode ser um instrumento útil para a avaliação da psicopatologia da personalidade em nosso meio.