Banco de
Teses do Departamento de Psiquiatria Unifesp/EPM http://www.unifesp.br/dpsiq/posgrad/bancode.htm
BANCO DE TESES: ANDREA DE ABREU FEIJÓ DE MELLO
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da Pós-graduação
Estudo de Validade da Escala de Avaliação Global de Funcionamento nas Relações (GARF) em uma Amostra de Pacientes com Depressão Recorrente.
Orientador: Prof. Dr. Sérgio Blay
RESUMO Neste trabalho a autora realiza um estudo de validação da Escala de Avaliação Global de Funcionamento nas Relações (GARF) para um grupo de pacientes portadores de depressão recorrente. Uma amostra de 34 pacientes, com diagnóstico de depressão recorrente confirmado através da Structured Clinical Interview (SCID), foi submetida a uma entrevista familiar semi-estruturada e à aplicação da GARF. A entrevista foi considerada padrão ouro. Os dados obtidos na entrevista e na escala foram comparados para obtenção do ponto de corte da GARF para dividir famílias entre funcionamento satisfatório ou insatisfatório. Foram então calculados os coeficientes de sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo e negativo e taxa de classificação incorreta. O estudo do ponto de corte da escala foi também realizado utilizando curvas ROC examinadas para o escore geral da GARF e para suas três subescalas; resolução de problemas, organização e clima emocional. Foi observado o comportamento do ponto de corte de acordo com variáveis sociodemográficas e clínicas. A influência do conjunto das variáveis sociodemográficas e clínicas nos escores da GARF foi avaliada através da regressão múltipla. Os resultados mostram que o melhor ponto de corte para a GARF é 70, com sensibilidade de 78%, especificidade de 86%, valor preditivo positivo de 95%, valor preditivo negativo de 50% e taxa de classificação incorreta de 20%. Não há variação significativa do ponto de corte para as três subescalas da GARF. O modelo de regressão múltipla explica 41% da variabilidade do escore da GARF e envolve as variáveis, escolaridade do paciente, gravidade do episódio depressivo atual e papel relacional do indivíduo que responde às questões para o preenchimento da escala. Sendo que a escolaridade baixa, o diagnóstico de depressão grave e o fato do cônjuge responder às questões para o preenchimento da escala aumentam os escores da GARF. São discutidas algumas hipóteses para estes achados apoiadas na dinâmica do funcionamento familiar, em questões socioculturais e metodológicas. Conclui-se que a versão em português da GARF apresenta bom desempenho no estudo com pacientes com diagnóstico de depressão recorrente. Deve-se destacar que o escore da GARF sofre influência da escolaridade do paciente, da gravidade do episódio depressivo atual e do papel relacional de quem fornece as informações sobre o funcionamento familiar. SUMMARY The author conducted a validity study of the GARF’s Portuguese version, with families of depressive patients. An experienced clinician in family therapy interviewed thirty four families of major depressive patients of recurrent type. Patients were recruited in three psychiatric inpatients units and two outpatients units. A semi structured family interview was used to classify families’ functioning into functional or dysfunctional. The semi structured interview was taken as gold standard. A trained psychologist, blind to the gold standard evaluation, used the GARF to assess the families’ functioning. The results were compared to obtain the validity coefficients. The best validity coefficients were obtained with cut-off point 70: sensitivity=78%, specificity=86%, positive predictive value=95% and negative predictive value=50%. The regression analyses identified that some sociodemografic and clinical variables have influence on GARF’s score. The variables patient’s scholarship, severity of the actual depressive episode and family role of the family member who’s participating on the study explained 41% of GARF’s score variability. GARF’s score increases significantly if the patient has: less years of study, a severe depressive episode and if the husband or the wife is the family member who’s answering the scale. To explain these findings some methodological, cultural and psychossocial hypotesis were generated. The author concluded that GARF’s validity coefficients were satisfactory and that the scale can asses the family functioning of depressive patients. |