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Pé Torto Congênito

Caio Nery

 

020.gif (954 bytes) Generalidades

O capítulo de deformidades congênitas dos pés é muito extenso e constitui-se em assunto bastante árido. O tratamento e a evolução destas deformidades vem sendo alterados com os progressos da cirurgia, mas ainda não são animadores, excessão feita aos pés tortos congênitos.
Dentro deste grupo há quatro patologias mais importantes que passaremos a descrever sumáriamente. É importante sua divulgação pois o tratamento deve ser levado a cabo em idade bastante precoce (primeiros meses de vida) já que disto depende, em grande parte, o sucesso da correção e o prognóstico geral do paciente.



020.gif (954 bytes) Pés Equino Varos

Quando alguém se refere ao pés tortos congênitos, freqüentemente está querendo citar esta variante de patologia. Os pés são comparáveis a tacos de golfe tal a deformidade que apresentam. O retro pé (região posterior do pé) está em equinismo (flexão) e varismo (inclinação interna) acentuados, o médio pé (porção média do pé) está rodado internamente e exibe um cavismo (arqueamento) intenso e o ante pé (porção anterior do pé) é francamente aduzido (inclinado internamente). Existem várias gradações e tipos, podendo incidir tanto uni quanto bilateralmente. A patologia é grave e o tratamento deve ser iniciado nos primeiros dias de vida. Inicia-se com gessos e cunhas, através dos quais vai-se "desenrrolando" o pé de sobre si mesmo. As botas gessadas são trocadas semanalmente e as cunhas (recortes no gesso que forçam mais a posição de correção) são realizadas também semanalmente. O tratamento se prolonga por 5 a 6 meses e aproximadamente a terça parte dos casos necessita de pelo menos uma cirurgia para que se obtenha o apoio normal dos pés. O defeito inicial restringe-se às partes moles (tendões e cápsulas articulares) mas com o progredir do tempo, se deixados ao acaso, surgem deformidades ósseas de dificílima correção. Vários métodos cirúrgicos têm sido preconizados para o tratamento dos pés tortos congênitos. Na UNIFESP- Escola Paulista de Medicina adotamos a técnica de V. Turco utilizando-nos da incisão de Cincinatti. Os casos inveterados (que não receberam qualquer tipo de tratamento) acabam andando sobre a face lateral do pé onde surge uma "falsa sola", globosa e grosseira, para suportar a descarga de peso do corpo.



020.gif (954 bytes) Pés Metatarsos Varos

Nesta deformidade, apenas o ante pé está aduzido (desviado internamente) com relação ao restante do pé. Trata-se de uma deformidade um tanto mais benigna que se resolve freqüentemente com o tratamento com gessos e cunhas. Igualmente ao pé equino varo, precisa ser tratada logo que diagnosticada. Quando muito resistente ou quando não tratada, necessita de cirurgia que, através da liberação de partes moles ou pela realização de osteotomias, promove o alinhamento do eixo longitudinal do pé.



020.gif (954 bytes) Pé plano valgo congênito ou Pé talo vertical

É uma patologia grave mas, felizmente, mais rara. Nela, o talo (osso do pé que se articula com a perna) encontra-se em franco equinismo (flexão plantar) e há uma luxação fixa, rígida, do osso navicular do tarso sobre o colo do talo, que impede a redução da deformidade principal. O formato do pé é de um mataborrão com a sola convexa e o calcâneo fazendo protrusão para trás. É bastante incapacitante para a criança e raramente responde ao tratamento conservador. A cirurgia para a correção desta deformidade é bastante difícil e só resulta em benefício na mão dos cirurgiões mais experientes.



020.gif (954 bytes) Pé calcâneo valgo

É a mais benigna das formas de pés tortos congênitos. Nesta, observa-se o pé totalmente dorsifletido a ponto de encostar seu dorso contra a face anterior da perna. Acredita-se tratar de patologia relacionada com a posição fetal dentro do útero com conseqüente encurtamento dos tendões extensores dos dedos e tibial anterior, que mantém a deformidade depois do nascimento. O tratamento é efetuado logo ao nascimento, através de exercícios de estiramento das estruturas dorsais do pé. Um pequeno número de casos necessita de gessos corretivos e muito raramente não se consegue a correção por este método. São raros os casos que necessitaram de correção cirúrgica.

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