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3 - OSTEOCONDROMA |
O osteocondroma é uma exostose óssea, coberta por uma capa de cartilagem e classificada como lesão benigna latente (B-1) ou ativa (B-2). Pode ser considerado um defeito do desenvolvimento em que há um distúrbio na localização e direção da cartilagem encondral de crescimento, mais do que uma verdadeira neoplasia. A exostose é produzida por uma ossificação progressiva da capa de cartilagem hialina, que atua como placa de crescimento e vai deixando à jusante osso esponjoso desorganizado, mas histologicamente normal.
ETIOLOGIA
Parece que a causa mais provável do osteocondroma é a modificação na direção de crescimento da placa fisária, com protrusão lateral de porções dessa placa, causando o desenvolvimento de proeminências ósseas, excêntricas e cobertas de cartilagem (35).
INCIDÊNCIA e LOCALIZAÇÃO
O osteocondroma é o tumor benigno mais comum. Aproximadamente 10% entre todos os tumores ósseos e 30% entre os tumores benignos são osteocondromas. A exostose costuma ser detectada na infância e adolescência (Fig. 50)
50. Esquema mostrando incidência, faixa etária e localização do osteocondroma.
Os osteocondromas ocorrem em ossos que apresentam ossificação endocondral. A localização principal é a região do joelho, metáfise distal do fêmur e proximal da tíbia. Em seguida, a região proximal do úmero e do fêmur. As lesões são localizadas na região metafisária do osso e tendem a crescer no sentido da diáfise, afastando-se da epífise.
ANATOMIA PATOLÓGICA
A lesão pode ser séssil ou pediculada. A exostose é coberta por uma camada fina de pericôndrio, que é aderente à cartilagem e contínua com o periósteo do osso adjacente. A capa de cartilagem costuma variar de 1 a 3 mm em espessura. Quanto mais jovem o paciente, mais espessa é a capa de cartilagem. O interior da exostose é constituído por osso esponjoso normal, que é contínuo com o osso da metáfise adjacente. Uma bolsa pode se formar sobre o osteocondroma e geralmente é decorrente do processo inflamatório que ocorre pela irritação dos músculos e tendões adjacentes. A bolsa pode conter líquido e corpos fibrosos, algumas vezes calcificados. O exame microscópico revela ossificação endocondral normal; focos de cartilagem proliferativa são encontrados nas camadas profundas. Pode haver medula óssea fibrosada, impregnada por detritos de cartilagem calcificada. A medula óssea do interior da exostose é predominantemente gordurosa (35).
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A lesão é freqüentemente descoberta incidentalmente, no exame radiográfico ou durante a palpação de uma massa na região acometida. A dor resulta do trauma direto no tumor ou do processo inflamatório que acomete a bolsa adjacente ao osteocondroma. Pode ocorrer fratura geralmente da base da exostose e conseqüente dor localizada (Fig. 51).

51. Radiografia da extremidade
proximal do fêmur de um
paciente portador de exostose múltipla hereditária. Note
que
houve transformação maligna para condrossarcoma
na região
do ísquio esquerdo. Note também a deformidade
do colo femoral.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
O osteocondroma é uma exostose, uma projeção óssea com a cortical contínua com a do osso subjacente, preenchida por osso esponjoso que também é contínuo com o da metáfise.
A capa cartilaginosa da exostose não é vista através de radiografias simples e há necessidade da tomografia axial computadorizada para determinar sua real extensão, assim como a presença e tamanho da "bursa". No entanto, massas de cartilagem calcificada podem ser visíveis como manchas algodonosas características no exame radiográfico. A tomografia axial computadorizada é de valia no estudo dos osteocondromas que se localizam nas cinturas escapular e torácica, na coluna e na raiz dos membros, mostrando com precisão o verdadeiro tamanho da lesão e sua relação com as estruturas vizinhas (Fig. 52).

52. Aspecto típico da radiografia
de um osteocondroma
na extremidade proximal do úmero.
TRATAMENTO
A simples presença de um osteocondroma solitário não é uma indicação absoluta para sua ressecção cirúrgica. A ressecção do osteocondroma está indicada quando houver compressão de nervos, artérias, tendões ou quando a exostose estiver interferindo com o crescimento da extremidade, levando a alterações funcionais ou mecânicas, ou quando houver irritação da "bursa". A fratura do osteocondroma pode ocorrer e nessa circunstância pode-se optar pelo tratamento conservador ou cirúrgico. Durante a cirurgia, a exostose com sua capa cartilagínea e o pericôndrio devem ser removidos como um bloco, na tentativa de se evitar a recorrência do processo.
MALIGNIZAÇÃO DA EXOSTOSE
A malignização do osteocondroma deve ser suspeitada quando o osteocondroma começa a crescer rapidamente e o paciente refere aparecimento de dor. A incidência de malignização em osteo-condromas solitários é de 0.1%, na E.P.M. (45). Os achados radiográficos precoces são a perda da linha de demarcação na superfície externa da exostose e a perda de continuidade da exostose com a cortical óssea, além do aumento da espessura da capa de cartilagem. O diagnóstico e o tratamento precoce devem ser realizados, ressecando-se a lesão. A transformação costuma ocorrer para condrossarcoma grau I (baixo grau) de malignidade e o prognóstico, desde que seja feita uma cirurgia com margens amplas, é satisfatório, com pequena chance de recidiva ou metástases.
São comuns as recidivas em partes moles que aparecem após a ressecção marginal da exostose, quando blocos de células cartilaginosas ficam implantados nos tecidos moles. Em vista disso, a ressecção deve ser feita sem se descolar o pericôndrio da exostose. O periósteo da base da exostose deve ser incisado, geralmente em forma de elipse, facilitando assim a ressecção do pericôndrio e do periósteo que recobrem o osteocondroma.
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