|
2 - OSTEOMA OSTEÓIDE |
É uma lesão osteoblástica, freqüentemente benigna
ativa, caracterizada pelo seu pequeno tamanho (em geral menos do que 1,5 cm),
com bordos claramente delimitados e a presença freqüente, mas não
constante, de uma zona periférica de neoformação óssea
reativa. Histologicamente é constituído por um tecido celular
muito vascularizado composto por osso imaturo e tecido osteóide. (21)
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Aparecem sobretudo nas diáfises dos ossos longos, especialmente na tíbia e no fêmur (57%).
Predominam nos adolescentes e adultos jovens. A lesão costuma ser dolorosa, provavelmente pela presença de fibras nervosas no tumor (88),(90) e não parece aumentar de volume com a evolução. A queixa clínica típica é uma dor persistente, vaga, que piora à noite e é aliviada pelos salicilatos. No entanto, outros processos neoplásicos e inflamatórios apresentam dor persistente, pioram à noite e são aliviados pelos salicilatos. Quando o osteoma osteóide se localiza em uma diáfise como a da tíbia, especialmente ao longo da borda subcutânea, tumefação, sensibilidade, eritema e endurecimento são achados clínicos freqüentes. Reação articular existe quando localizado na região justa-articular e espasmo, torcicolo ou escoliose quando localizado na coluna.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
O osteoma osteóide comum que ocorre na diáfise dos ossos longos apresenta-se como um nicho radiotransparente oval ou arredondado, com uma zona reacional esclerótica densa ao redor da lesão (22) (Fig. 21).

21. Osteoma osteóide da tíbia.
Radiografias de frente (A) e
perfil (B), mostrando o nicho e a esclerose reacional
As radiografias e a tomografia axial compu-tadorizada podem demonstrar efetivamente o nicho lítico (32). A RNM não se mostrou de valia no diagnóstico do osteoma-osteóide (4). O osteoma-osteóide pode se localizar no canal medular ou na região sub-periosteal, locais onde não se observa o processo reacional (Figs. 22 e 23).
A imagem fornecida pela cintilografia do esqueleto mostra um aumento de concentração localizado, mas não é patognomônico do osteoma-osteóide e não auxilia no diagnóstico diferencial.
22
A
|
22
B |
.
23
A |
23
B |
23
C |
23
D |
23. Osteoma osteóide
da região proximal do fêmur de uma criança de 8 anos de
idade. Note na radiografia (A) e na
tomografia (B) a presença do
nicho osteolítico na metáfise proximal do fêmur. Em (C)
na peça e em (D) na radiografia
da peça cirúrgica evidencia-se
o nicho do osteoma osteóide ao lado da área de esclerose reacional.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
As diferenças entre o osteoma osteóide e o osteoblastoma são: o tamanho (osteoblastoma é maior), grau de esclerose (o osteoma osteóide em geral tem um maior grau de tecido esclerótico circundante) e o curso natural (o osteoblastoma costuma ser mais agressivo) (22).
HISTÓRIA NATURAL
O osteoma osteóide é uma lesão autolimitada, com tendência à maturação espontânea em dois a cinco anos (25). O nicho progressivamente se calcifica e ossifica, confundindo-se com o osso esclerótico ao redor. Com a maturação da lesão, a dor diminui. O curso natural é a transformação de uma lesão estádio B-2 (ativa) em B-1 (latente). A cintilografia continua mostrando aumento da concentração, mesmo após a maturação e calcificação do nicho.
TRATAMENTO
O tratamento do osteoma osteóide consiste na exérese "ampla" do nicho com pequena área de esclerose a seu redor. Não há necessidade de ressecção de toda a área de esclerose. Os procedimentos "intracapsulares", que penetram no nicho durante a excisão podem ocasionar recorrência. A biópsia antes da cirurgia raramente é necessária.
Atualmente têm sido publicadas várias técnicas que tentam a ressecção percutânea do nicho, localizado com o auxílio da radioscopia e da tomografia computadorizada e removido com brocas e curetas (3,68,98). No entanto, apesar da baixa taxa de recidiva apresentada com essa técnica, consideramo-la um método de ressecção intracom-partimental que deve ser utilizado com extrema cautela.
PROGNÓSTICO
O prognóstico é bom, podendo haver cura com a evolução natural ou com a cirurgia. As recorrências podem acontecer nos pacientes submetidos a cirurgias intracapsulares ou marginais.
Última atualização: [an error occurred while processing this directive]