III - TUMORES PRODUTORES DE TECIDO ÓSSEO

2 - OSTEOMA OSTEÓIDE


É uma lesão osteoblástica, freqüentemente benigna ativa, caracterizada pelo seu pequeno tamanho (em geral menos do que 1,5 cm), com bordos claramente delimitados e a presença freqüente, mas não constante, de uma zona periférica de neoformação óssea reativa. Histologicamente é constituído por um tecido celular muito vascularizado composto por osso imaturo e tecido osteóide. (21)

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

Aparecem sobretudo nas diáfises dos ossos longos, especialmente na tíbia e no fêmur (57%).

Predominam nos adolescentes e adultos jovens. A lesão costuma ser dolorosa, provavelmente pela presença de fibras nervosas no tumor (88),(90) e não parece aumentar de volume com a evolução. A queixa clínica típica é uma dor persistente, vaga, que piora à noite e é aliviada pelos salicilatos. No entanto, outros processos neoplásicos e inflamatórios apresentam dor persistente, pioram à noite e são aliviados pelos salicilatos. Quando o osteoma osteóide se localiza em uma diáfise como a da tíbia, especialmente ao longo da borda subcutânea, tumefação, sensibilidade, eritema e endurecimento são achados clínicos freqüentes. Reação articular existe quando localizado na região justa-articular e espasmo, torcicolo ou escoliose quando localizado na coluna.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

O osteoma osteóide comum que ocorre na diáfise dos ossos longos apresenta-se como um nicho radiotransparente oval ou arredondado, com uma zona reacional esclerótica densa ao redor da lesão (22) (Fig. 21).


Figura 21 A Figura 21 B
21. Osteoma osteóide da tíbia. Radiografias de frente (A) e
perfil (B), mostrando o nicho e a esclerose reacional

As radiografias e a tomografia axial compu-tadorizada podem demonstrar efetivamente o nicho lítico (32). A RNM não se mostrou de valia no diagnóstico do osteoma-osteóide (4). O osteoma-osteóide pode se localizar no canal medular ou na região sub-periosteal, locais onde não se observa o processo reacional (Figs. 22 e 23).

A imagem fornecida pela cintilografia do esqueleto mostra um aumento de concentração localizado, mas não é patognomônico do osteoma-osteóide e não auxilia no diagnóstico diferencial.

 

22 A 
Figura 22 A

 

22. Radiografia (A), mapeamento (B) e tomografia (C) de
um osteoma osteóide de tíbia,  onde se evidencia na
tomografia o nicho rádio-transparente rodeado por uma área de esclerose reacional

22 B
Figura 22 B



22 C
Figura 22 C

.

 

23 A
Figura 23 A

23 B
Figura 23 B

23 C
Figura 23 C

23 D
Figura 23 D

23. Osteoma osteóide da região proximal do fêmur de uma criança de 8 anos de idade. Note na radiografia (A) e na
tomografia (B) a presença do nicho osteolítico na metáfise proximal do fêmur. Em (C) na peça e em (D) na radiografia
da peça cirúrgica evidencia-se o nicho do osteoma osteóide ao lado da área de esclerose reacional.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

As diferenças entre o osteoma osteóide e o osteoblastoma são: o tamanho (osteoblastoma é maior), grau de esclerose (o osteoma osteóide em geral tem um maior grau de tecido esclerótico circundante) e o curso natural (o osteoblastoma costuma ser mais agressivo) (22).

HISTÓRIA NATURAL

O osteoma osteóide é uma lesão autolimitada, com tendência à maturação espontânea em dois a cinco anos (25). O nicho progressivamente se calcifica e ossifica, confundindo-se com o osso esclerótico ao redor. Com a maturação da lesão, a dor diminui. O curso natural é a transformação de uma lesão estádio B-2 (ativa) em B-1 (latente). A cintilografia continua mostrando aumento da concentração, mesmo após a maturação e calcificação do nicho.

TRATAMENTO

O tratamento do osteoma osteóide consiste na exérese "ampla" do nicho com pequena área de esclerose a seu redor. Não há necessidade de ressecção de toda a área de esclerose. Os procedimentos "intracapsulares", que penetram no nicho durante a excisão podem ocasionar recorrência. A biópsia antes da cirurgia raramente é necessária.

Atualmente têm sido publicadas várias técnicas que tentam a ressecção percutânea do nicho, localizado com o auxílio da radioscopia e da tomografia computadorizada e removido com brocas e curetas (3,68,98). No entanto, apesar da baixa taxa de recidiva apresentada com essa técnica, consideramo-la um método de ressecção intracom-partimental que deve ser utilizado com extrema cautela.

PROGNÓSTICO

O prognóstico é bom, podendo haver cura com a evolução natural ou com a cirurgia. As recorrências podem acontecer nos pacientes submetidos a cirurgias intracapsulares ou marginais.

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