X - LESÕES PSEUDO-TUMORAIS

6 - OSSIFICAÇÃO HETEROTÓPICA

É um processo não neoplásico às vezes relacionado ao traumatismo. A lesão pode aparecer na superfície externa de um osso ou desenvolver-se nos tecidos moles, distantes da superfície perióstica. O tecido patológico caracteriza-se pela proliferação de tecido fibroso e pela neoformação de grande quantidade de osso, e menos freqüentemente de cartilagem (22),(44).

O tecido patológico pode ser muito celular. Quando a lesão afeta a superfície externa de um osso, a distinção radiográfica e histológica com o osteossarcoma justacortical pode ser difícil. Nos tecidos moles, também pode ser difícil o diagnóstico diferencial com os sarcomas dos tecidos moles.

É importante ressaltar que na miosite ossificante a maturação do tecido anormal dá lugar à formação de uma cápsula periférica de osso maturo, em torno de uma massa central de tecido mais celular (Fig. 115).

115. Esquema mostrando incidência, faixa etária e localização da miosite ossificante.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

Nos estágios iniciais, a lesão pode não apresentar nenhum sinal de calcificação. Entretanto, freqüentemente existe uma muito bem definida e circunscrita massa óssea, que pode dar a falsa impressão de estar aderida ou contígua ao osso, quando estudada em uma única projeção. Pode haver reação periosteal no osso subjacente. No entanto, o completo diagnóstico por imagem irá mostrar que o córtex ósseo não está envolvido. Esse aspecto de não envolvimento é de extrema importância no diagnóstico diferencial com o osteossarcoma. Com a progressão da lesão, a ossificação se desenvolve e intensifica, até que efetivamente se torna óbvio de que se trata de um processo benigno. O material mineralizado é tipicamente visto como trabéculas de osso e se inicia da periferia da massa, formando uma moldura na lesão. A tomografia axial computadorizada é de extrema valia no diagnóstico, pois mostra o não envolvimento do córtex ósseo, assim como a periferia mais calcificada em relação ao centro da massa. A cintilografia do esqueleto é também importante na definição da atividade da lesão, podendo ser utilizada no acompanhamento da maturação da lesão (44) (Fig. 116 e 117).

Figura 116
116. Aspecto radio-gráfico típico da
ossificação heterotópica da diáfise
do fêmur. Note a linha radiolúcida
entre a ossificação e a cortical óssea.

Figura 117
117. Radiografia de bacia de um paciente portador de ossificação
heterotópica de ambos os quadris.

TRATAMENTO

O tratamento freqüentemente é conservador, desde que os diagnósticos diferenciais tenham sido definitivamente afastados. A cirurgia realizada na tentativa de ressecção das massas de ossificação heterotópica leva, na maioria das vezes, a uma maior agressão dos tecidos e conseqüentemente a novas áreas de ossificação dos tecidos. Devido a isso, recomendamos o tratamento conservador para a ossificação heterotópica. As lesões que efetivamente estejam ocasionando limitações articulares, bursites ou compressões de feixes vásculo-nervosos devem ser ressecadas, mas somente após um período de 12 a 18 meses do término da fase de atividade da lesão (44).

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