X - LESÕES PSEUDO-TUMORAIS

1 - CISTO ÓSSEO UNICAMERAL

É uma lesão pseudotumoral, classificada como benigna ativa e caracterizada por uma cavidade repleta de um líquido claro ou sanguinolento, revestida por uma membrana de espessura variável, constituída por tecido conjuntivo vascular frouxo em que se podem observar células gigantes osteoclásticas disseminadas e, às vezes, restos de hemorragias recentes ou antigas ou depósitos de colesterol. No tecido da parede do cisto se observam com freqüência bandas ou massas de material fibrinóide ou de tecido conjuntivo hialino ou calcificado e, ocasionalmente, trabéculas ósseas. As fraturas costumam modificar as características macros-cópicas e microscópicas das lesões. Eventualmente podem-se encontrar verdadeiros septos ósseos, principalmente nos casos que já sofreram fraturas anteriormente.

Os cistos ósseos solitários aparecem na infância e adolescência e têm predileção pela metáfise proximal do úmero e do fêmur (Figs. 89 e 90).

Figura 89


89. Aspecto radiográfico de um cisto ósseo solitário,
localizado na extremidade proximal do úmero.

Figura 90
90. Radiografia de frente (A) e perfil (B) de um
paciente portador de um cisto ósseo solitário em
atividade, acometendo toda a diáfise do úmero

Após a adolescência, o calcâneo e a pelve são as localizações mais freqüentes, além das lesões que acometem as diáfises dos ossos longos (Figs. 91, 92 e 93).

91 A
Figura 91 A
91 B
Figura 91 B
91. Radiografia no pré-operatório (A) e com 3 meses de
pós -operatório (B) de um paciente portador de um cisto
ósseo solitário de calcâneo. Foi utilizada a colocação de au
to-enxerto.

92 A
Figura 92 A

92 B
Figura 92 B

92 C
Figura 92 C


92. Radiografia de frente (A) e perfil (B) de um paciente
portador de um cisto ósseo solitário da extremidade
proximal do fêmur, região metafisária. O paciente foi
submetido à conduta expectante sem nenhum tratamento
e evoluiu para cura, como se evidencia alguns anos após
na radiografia vista em (C).

 

Figura 93
93. Radiografia da extremidade proximal do úmero de
uma criança de 9 anos de idade, com a presença de
um cisto ósseo solitário. Note a fratura do cisto.

Os cistos que se localizam na proximidade da placa de crescimento são aqueles que continuam em atividade, enquanto que aqueles diafisários ou aqueles que se distanciam da placa de crescimento durante a evolução são considerados latentes. Na radiografia costuma-se encontrar uma lesão osteolítica, com afilamento e abaulamento das corticais, relativamente bem delimitada, podendo apresentar o sinal da espícula ou trabécula caída, que significa um fragmento desprendido da parede e flutuando em meio ao líquido do cisto.

O tratamento convencional do cisto ósseo unicameral é sua curetagem, seguida do preenchimento com enxerto autólogo ou homólogo. No entanto, esse procedimento apresenta uma taxa de recorrência que varia de 15 a 55% (33). Alguns autores, visando diminuir as taxas de recorrência, têm proposto novas técnicas, como a injeção local de corticosteróides após esvaziamento do conteúdo cístico, com bons resultados (Técnica de Scaglietti - 1976) (85). Há autores que propõem ressecção subtotal e diafisectomia (59) ou a realização de perfurações da cortical e a introdução de fios de Kirschner ou parafusos canulados (51).

Na EPM tratamos os cistos ósseos solitários do membro superior de forma conservadora, enquanto que aqueles localizados nos membros inferiores são submetidos à curetagem mais enxertia. As fraturas da extremidade proximal do fêmur, com ou sem deslocamento, podem ocasionar necrose avascular da cabeça femoral.

A taxa de recorrência das fraturas na EPM foi de 22% (50) nos membros superiores tratados pelo método conservador e nesses casos apenas uma refratura ocorreu. Nos membros inferiores a curetagem com enxertia foi acompanhada com imobilização gessada até a integração radiológica dos cistos.

O prognóstico dos pacientes é excelente. Não encontramos em nossa casuística nenhuma complicação, com a consolidação de todos os cistos e com função normal, seja no membro superior como no inferior. Todas as crianças voltaram para a atividade esportiva em um período de 8 semanas, com função dentro da normalidade. Mesmo os pacientes que apresentaram novas fraturas evoluíram bem, não havendo comprometimento do resultado funcional (50).

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