Repercussão internacional das discussões no Brasil sobre a validade dos critérios diagnósticos para a identificação da morte encefálica
2. Cartas do Exterior
2.4 Paul Byrne (EUA) - Presidente da Associação Médica Católica Norte-Americana para o biênio 1997-1998
PAUL A. BYRNE, M.D.
7447 Whispering Oaks
Sylvania, OH 43560
09 de novembro de 1998
Cicero Galli Coimbra, M.D., Ph.D.
Rua Botucatú 862, Ed. Leal Prado
Laboratório de Neurologia Experimental
Vila Mariana - São Paulo - SP - Brasil
CEP 14023-900
Prezado Dr. Coimbra
V.Sa. tem minha permissão para distribuir qualquer de meus textos sobre "morte encefálica" e assuntos relacionados. Uma pessoa está viva até que morra. Uma pessoa declarada com "morte cerebral" está viva. "Morte cerebral" é falsa. V.Sa. notou este fato a partir de sua própria abordagem analítica e investigativa. V.Sa. deve ser parabenizado por ter coragem de sustentar a verdade.
Comecei a estudar a "morte cerebral" em 1975, quando recebi um relatório de EEG onde se lia "compatível com morte cerebral". Joseph, o paciente, estava no respirador mecânico por 6 semanas. Ao ser desligado do respirador, ele não apresentava movimentação respiratória espontânea, e portanto, o exame de eletroencefalograma foi solicitado. Após esse laudo, sugeriu-se o desligamento do respirador. Ao invés disso, continuou-se com a terapia ventilatória. Finalmente, o paciente não precisou mais do respirador mecânico. Quando pode freqüentar a escola, recebeu excelentes notas. Ele correu em pistas e jogou basquete. Atualmente é um paramédico. Devido a esse caso, iniciei meus estudos sobre "morte cerebral". A "morte cerebral" não foi baseada em nenhuma evidência que seria considerada válida para qualquer outra finalidade científica. Os critérios da Harvard foram publicados sem quaisquer dados do paciente ou estudos básicos. O maior estudo é o Estudo Cooperativo. Mais de 800 pacientes foram registrados, sendo relatados os resultados relativos apenas a 503. Dentre estes, 44 não morreram; 10% dos autopsiados não tinham evidência de patologia cerebral. No entanto, os dados foram compilados e publicados no JAMA em 1977. Foi recomendada a realização de um estudo clínico mais extenso, o que não foi feito.
"Morte cerebral" não é a verdade. V.Sa. revelou outras razões que também demonstram porque a "morte cerebral" é falsa. Continue em sua busca pela verdade.
Sincera e respeitosamente,
(a.) Paul A. Byrne, M.D.
Professor Clínico de Pediatria,
Escola de Medicina de Ohio,
Toledo, Ohio, EUA
E Presidente da Sociedade Católica de Medicina, EUA, Biênio 1997-1998.
Tradução por José Martins de Paula e Silva (Tradutor Público Juramentado, matriculado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o número 195), tradução número 21.094, livro 161, fl. 390, em 4/12/98.