Morte Encefálica
4. Conclusões:
Conclui-se, através do exposto neste texto que: (1) não existem fundamentos científicos para o diagnóstico clínico de morte encefálica - a sustentação dessa proposta é completamente contrária à ética médica, pois tem como única utilidade a satisfação de interesses transplantistas, vindo em prejuízo da preservação da vida dos pacientes acometidos por lesões encefálicas graves - os legítimos PROPRIETÁRIOS dos órgãos transformados em alvo da cobiça alheia, e para com a saúde de quem o médico assistente deve primariamente preocupar-se; (2) métodos que promovem a recirculação do encéfalo submetido à isquemia (como hipotermia, e/ou trombólise, sempre seguidas ou associadas à antipirese vigorosa, deixando-se de lado medidas convencionais como a hiperventilação, que podem promover vasoconstrição e piorar o quadro clínico), seja em níveis de FSE superiores ou inferiores ao limiar que determina a perda reversível da função neurológica, DEVEM ser implementados com a URGÊNCIA própria de cada caso. A hipotermia moderada afigura-se como um recurso terapêutico inestimável, não somente (1) pela sua capacidade de promover a recirculação do encéfalo submetido à hipertensão intracraniana, mas também (2) por não depender da própria circulação que pretende restabelecer para benefício do tecido nervoso em sofrimento metabólico, e (3) por ser capaz de bloquear indistindintamente diversos fenômenos neuroquímicos de natureza enzimática determinantes do processo de morte neuronal - o que provavelmente nem mesmo o mais complexo "coquetel" farmacológico poderá reproduzir, pela inviabilidade de reunir-se, em TODOS os elementos de um hipotético conjunto de fármacos, as características favoráveis relacionadas ao transporte sanguíneo (quase sempre prejudicado), permeabilidade através da BHE (frequentemente limitada), e efetividade terapêutica.