Apnéia na Morte Encefálica
1. Introdução
Este texto foi elaborado de forma ilustrativa, de forma a facilitar a visualização evolutiva dos possíveis níveis de fluxo sangüíneo encefálico associados a cada situação clínica individual, ou a cada grupo de pacientes, de acordo com casos ou estudos (clínicos e experimentais) resgatados da literatura médica. À luz do fenômeno da penumbra isquêmica descoberta na década de 80, buscar-se-á enfatizar alternativas racionais aos princípios confusos e incoerentes que embalde têm sido utilizados para fundamentação do diagnóstico clínico de "destruição difusa do encéfalo", "perda irreversível da função do encéfalo", ou "destruição do tronco encefálico" - as 3 formas como a morte encefálica tem sido definida a partir de 1968 (Molinari, 1982). A maior parte das figuras (1, 3, 5, 6, 7, 8 e 9) apresenta o mesmo diagrama básico, contendo em geral 3 curvas de fluxo sangüíneo cerebral acompanhado evolutivamente (casos 1, 2 e 3), que são modificadas conforme a necessidade, de forma a exemplificar ou ilustrar como a evolução natural do déficit circulatório encefálico no paciente em coma pode ser modificada pelo tratamento convencional, pela terapia não convencional (hipotermia, trombólise), por complicações decorrentes do estado de coma (infecções urinárias ou respiratórias associadas à hipertermia), pelo teste da apnéia, e pelos procedimentos destinados a sustentar a função cardiovascular após o "diagnóstico" de morte encefálica, enquanto se aguarda a retirada dos órgãos transplantáveis.