INERVAÇÃO DO ÚTERO


O útero é inervado pelo sistema nervosos autônomo, sendo a inervação vegetativa feita pelos sistemas simpático e parassimpático.
As fibras simpáticas são originadas dos últimos segmentos dorsais da medula e dos segmentos lombares. Essas fibras, através das raízes anteriores e dos ramos comunicantes, penetram a cadeia simpática paravertebral e daí se dirigem aos gânglios paravertebrais, local onde vão originar dois importantes plexos: (a) plexo uterovariano, originado fundamentalmente dos gânglios aórticorrenal e mesentérico superior, os quais seguem o trajeto da artéria ovariana e fundo do útero; (b) plexo hipogástrico superior ou nervo pré sacro, do qual se originam os nervos hipogástricos, que acompanham as artérias do mesmo nome, terminando no plexo hipogástrico inferior, ou plexo de Frankenhauser, cujas fibras inervam o útero e a extremidade superior da vagina.
As fibras parassimpáticas originam-se no plexo sacro e dão origem ao nervo pélvico, que termina, igualmente, no plexo de Frankenhauser, situado próximo do istmo do útero. Unem-se, portanto, as fibras simpáticas e parassimpáticas que inervam os genitais internos. Segundo alguns relatos na literatura, a estimulação desse plexo pode estar relacionada ao orgasmo.
Deve ser salientado que o istmo do útero é a porção mais inervada do útero e a única especialmente dolorosa.
De maneira geral a estimulação das fibras simpáticas causa contração miometrial e também vasoconstricção, enquanto que a estimulação das parassimpáticas inibe a contração miometrial e causa vasodilatação.
As conexões proximais diretas e indiretas estabelecidas pelas fibras nervosas entre o útero e outras vísceras explicam as freqüentes correlações funcionais que ocorrem na clínica. Tais conexões ligam o plexo pélvico com outros plexos simpáticos do abdome. Assim, do plexo útero-vaginal partem fibras tanto para o útero como para a vagina, para a bexiga, e para os ureteres.
Os feixes de fibras nervosas unem-se e formam plexos na superfície do órgão, enviando fibras que penetram juntamente com os vasos sanguíneos. Na intimidade do órgão separam-se para novamente formarem plexos que por sua vez se distribuem pela musculatura, e nas paredes dos vasos e na mucosa. São mais abundantes no colo do útero que se corpo, predominando as fibras amielinicas. No endométrio as fibras nervosas seguem até os epitélios de revestimento e glandular, onde terminam livres, entre as células. No miométrio, finas fibras amielinicas terminam nas células musculares. Fibras nervosas mielínicas, que terminam livres na parede uterina sob a forma de arborização, acredita-se que sejam sensitivas e destinadas aos reflexos de tipo cérebro-espinhal.