HISTOLOGIA

O útero é constituído por três camadas ou túnicas: perimétrio (externa), miométrio (intermediária) e endométrio (interna).





O perimétrio (ou peritôneo visceral) é formado pelo mesotélio, apresentando ainda uma fina camada de tecido conjuntivo em volta do miométrio, ao qual esta fortemente acolado exceto, em duas zonas nas quais se pode separá-lo com facilidade do miométrio; são estas o istmo uterino e a cúpula vaginal posterior. As duas lâminas de peritônio que recobrem as faces anterior e posterior do útero (perimétrio), ao alcançarem as margens do órgão separam-se e deixam entre ambas um espaço que se preenche por tecido conjuntivo, fibras musculares numerosos vasos e plexos nervosos; este conjuntivo se conhece com o nome de paramétrio.
O miométrio é a camada mais espessa do útero, sendo formado por feixes de fibras musculares lisas separadas por tecido conjuntivo. As fibras musculares formam feixes que estão dispostos em três camadas: interna (longitudinal), média (circular, que contém grande quantidade de vasos sangüíneos, chamada de estrato vascular) e externa (longitudinal). Vários modelos para a disposição dessas camadas têm sido propostos, e o mais aceito é a da mola de relógio, onde cada uma começaria na região do colo do útero e se dirigiria para cada tuba uterina, ou para o fundo do útero.



Isso explicaria o fato de que no segmento inferior os estratos musculares encontram-se paralelos e no corpo e no fundo formam uma rede tridimensional.






Durante a gestação, há hipertrofia (aumento do volume) e hiperplasia (aumento do número de células) das fibras musculares lisas, além do aumento do calibre vascular (artérias e veias). O miométrio no termo da gestação apresenta “segmento inferior” bem mais delgado e pelo fato dos feixes musculares nessa região apresentarem disposição paralela, é o local de escolha para a histerotomia (corte e divulsão da musculatura) durante o parto cesáreo. Imediatamente após a dequitação (saída da placenta) a disposição da musculatura no fundo e corpo do útero permite o miotamponamento dos vasos uterinos por meio da sua contração (ligaduras vivas de Pinard) visto estarem muito dilatados durante a gravidez.


O endométrio, camada mais interna, está constituído por epitélio cilíndrico simples (revestimento interno do lúmen uterino) e lâmina própria, que contém inúmeras glândulas tubulares simples (glândulas endometriais).


Sob a ação dos hormônios ovarianos (estrógeno e progesterona) o endométrio sofre modificações estruturais cíclicas, que constituem o ciclo endometrial (ou menstrual). Num ciclo menstrual de 28 dias, a fase menstrual vai do primeiro ao quarto dia do ciclo. A fase proliferativa do 5º ao 14º dia (também denominada de estrogênica) e a fase secretora do 15º ao 28º dia (também denominada de progestacional). A mucosa endometrial pode ser dividida em duas camadas ou estratos distintos: a camada funcional, que descama no período menstrual, e a camada basal, onde se localizam as células que regeneram o endométrio. A camada basal é a região endometrial mais próxima ao miométrio, constitui a base da mucosa que nunca descama, e nela estão localizados os fundos das glândulas. A camada funcional, por sua vez, é a região mais superficial do endométrio e descama a cada ciclo menstrual.
A fase proliferativa coincide com o desenvolvimento dos folículos ovarianos até o estádio de ovulação, quando ocorre a produção de estrogênios, por isto ser denominada também de fase estrogênica. No início dela, as células da camada basal proliferam (sofrem mitose), reconstituindo todo o endométrio. Dá-se a proliferação do tecido conjuntivo e das células epiteliais presentes no fundo dos restos das glândulas. As células epiteliais reconstituem as glândulas, migram e refazem o epitélio superficial (cessando a menstruação), sendo restaurada toda a mucosa perdida durante a fase menstrual. Nesta fase as glândulas endometriais são tubulares retas.

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A fase secretora inicia-se logo após a ovulação, e é dependente da formação do corpo lúteo. Nela, há uma grande concentração de progesterona, por isso denominada ainda de fase progestacional. A progesterona induz secreção de glicosaminoglicanos, com retenção de água pelo estroma, e estimula a secreção das glândulas endometriais. Com o decorrer da fase, o estroma torna-se edemaciado e as glândulas tornam-se tortuosas, com a luz dilatada pela secreção de mucopolissacarídeos que se acumulam no seu interior.


A fase menstrual (início do ciclo menstrual, do 1o ao 4o dia) relaciona-se à queda dos níveis hormonais, em virtude da degeneração do corpo lúteo, resultando na diminuição dos estímulos hormonais sobre o endométrio.


Conseqüentemente, ocorre descamação da porção mais superficial do endométrio. Este processo envolve constrição e ruptura de vasos sangüíneos, liberando grande quantidade de água e de sangue, que se exterioriza pela vagina (sob a denominação de fluxo menstrual). Durante esta fase ocorre descamação gradativa da camada funcional.


O sangue da menstruação é principalmente de origem venosa, pois as artérias, ao se contraírem após a ruptura de suas paredes, obliteram o vaso e impedem a perda sangüínea arterial.