ANATOMIA


O útero é um órgão fibromuscular, ímpar, oco, em forma de pêra invertida, localizado no plano sagital mediano da cavidade pélvica (pelve verdadeira). Recebe as tubas uterinas na região mais abaulada (cranial) e continua-se, inferiormente, com a vagina, com a qual forma usualmente um ângulo de 90 graus. Apresenta paredes espessas, formadas principalmente por fibras musculares lisas (miométrio), sendo a parte interna revestida por mucosa (endométrio) e a externa pelo peritônio (perimétrio). Este último é extremamente delgado, de tal maneira que a sua tonalidade avermelhada é decorrente da visibilização, por transparência, de sua musculatura.





O útero localiza-se sobre a vagina, entre a bexiga urinária e o reto. Na mulher jovem e nulípara, o mais freqüente é o útero inclinar-se parcialmente sobre a bexiga (anteversoflexão).



Além disso, o útero pode variar de forma, tamanho, localização e estrutura, de acordo com a idade, a paridade, o estado gravídico e a estimulação hormonal. Suas dimensões, na mulher adulta, variam de tal modo que o comprimento pode oscilar de 6 a 9 cm e a profundidade ou espessura, entre 2 a 3 cm. O peso do útero varia de 25 a 90 g. Durante o menacme, na nulípara, as dimensões do útero são menores e nas multíparas, podem ser maiores. Após a menopausa ocorre redução de dimensões, principalmente do corpo do útero.

Partes do útero

Morfológica e funcionalmente podem ser identificadas três porções: o corpo do útero, que compreende os dois terços superiores do órgão e que aparece no sentido ântero-posterior; o istmo do útero, porção mais estreita, de forma cilíndrica, mais inferior; e colo do útero (também denominada de cérvice), que se une à vagina, na qual está em parte incluído. A porção intravaginal do colo do útero também é conhecida como portio vaginalis.



A abertura do útero na vagina é chamada de óstio do útero. A região em forma de cúpula do corpo uterino acima e entre os óstios tubários é o fundo do útero. No menacme, o corpo do útero representa dois terços de seu volume total, sendo uma estrutura eminentemente muscular. No seu centro observa-se uma cavidade achatada de frente para trás, que, em cortes frontal e longitudinal, apresenta perfil triangular, de base superior, em cujos ângulos desembocam as tubas uterinas. A cavidade uterina tem comprimento de 6 a 7 cm. Abaixo, a cavidade uterina se estreita na região do istmo e alarga-se ligeiramente junto ao colo do útero.
O corpo do útero tem uma cavidade virtual (cavidade do útero), de forma triangular, que se afunila gradualmente à medida que se aproxima do istmo. Em secção sagital dessa cavidade observa-se estreitamento dessa região em virtude das paredes uterinas anterior e posterior estarem quase em contato. Alterações traumáticas após procedimentos cirúrgicos intempestivos ou processos infecciosos podem levar a destruição da camada de revestimento dessa cavidade (endométrio), acarretando na formação de sinéquias, que são, em alguns casos, responsáveis por infertilidade ou amenorréia.
O istmo do útero, é uma porção estreita que tem cerca de 1 cm ou menos de comprimento. Essa pequena região é mal delimitada e se situa entre o colo e o corpo do útero. No final da gestação, essa área tem suas dimensões consideravelmente aumentadas, sendo denominada “segmento inferior”, e adquire importância funcional durante o trabalho de parto.
O colo do útero estende-se póstero-inferiormente e apresenta forma cilíndrica, com comprimento variável entre 2,5 e 3 cm. Em sua extremidade superior tem continuidade com o istmo do útero. A extremidade inferior, cônica, termina fazendo protrusão na porção superior da vagina (porção vaginal do colo).




COLO DO ÚTERO

Apesar de ser uma parte do útero, as suas características anatômicas, funcionais, histológicas e patológicas tornam o colo do útero de grande importância, e alguns autores o estudam como órgão à parte que se modifica no decorrer da vida. Assim como o corpo do útero, acha-se tunelizado no centro, formando o canal do colo do útero (canal cervical), que tem forma cilíndrica e promove a comunicação da cavidade endometrial com a vaginal.



Pela posição anatômica o colo do útero pode ser dividido em duas regiões: 1ª porção supravaginal do colo (apresenta maior quantidade de fibras musculares lisas) e 2ª porção vaginal do colo (apresenta maior concentração de tecido conjuntivo).
Porção supravaginal do colo - Porção que está em comunicação com o istmo do útero e fica mergulhada no tecido pélvico subperitoneal. Nela fixa-se o retinaculum uteri e, lateralmente, a cerca de 5 cm, localiza-se o intercruzamento do ureter com a artéria uterina.
Porção vaginal do colo ou portio vaginalis - É a região visibilizada durante o exame especular.
O colo do útero estende-se do óstio externo ao óstio interno, sendo no seu interior percorrido pelo canal do colo do útero (cervical) que tem relevo papilar. Na parede do canal cervical encontram-se inúmeras pregas transversais e canais laterais que são ramificações dessas pregas.



Esses canais laterais são erroneamente denominados “glândulas cervicais”, as quais penetram na intimidade da musculatura lisa. O revestimento do canal cervical (endocévice), assim como das pregas e suas ramificações, está constituído por epitélio simples colunar que secreta muco relativamente espesso, hialino, viscoso, chamado muco cervical, o qual se acumula no canal e pode ser exteriorizado para a vagina.


A porção do colo do útero que se estende do óstio do útero (externo) ao fórnice da vagina é denominada ectocérvice e está revestida por epitélio estratificado escamoso (pavimentoso) não queratinizado.


O orifício cervical externo (óstio do útero) apresenta morfologia distinta segundo a paridade da mulher: nas nulíparas o formato é puntiforme, e nas multíparas pode ter forma circular, ser ovulado ou de fenda transversa, conforme a ruptura decorrente do trabalho de parto.
Na dependência de estímulos hormonais, endógenos ou exógenos (recém-nascida, pré-púbere, menarca, menacme, menopausa, reposição hormonal, contraceptivos orais, gravidez), os epitélios que revestem a ectocérvice, bem como a junção desses epitélios – junção escamo-colunar -, apresentam variações topográficas decorrentes do estímulo hormonal. Cabe ressaltar que ectocévice não é sinônimo de epitélio estratificado escamoso, nem endocévice é de epitélio simples colunar. Na maturidade sexual, é freqüente situar-se, essa junção, por fora do canal cervical, formando a eversão ou ectopia, chamada clinicamente de mácula rubra durante o exame especular. No climatério, a junção escamo-colunar se faz no interior do canal cervical.