Histórico Detalhado

Início
A informática em saúde começou a ser concebida na EPM por volta do ano de 1985.
Acreditávamos firmemente que a informática médica ocuparia um lugar cada vez mais importante dentro das instituições de saúde.
A concepção e a concretização da idéia foram possíveis, graças alguns setores, dos quais destacamos os docentes que atualmente fazem parte do Departamento: Prof. Dr. Daniel Sigulem, na ocasião docente da Disciplina de Nefrologia, Prof. Dr. Meide Silva Anção, na ocasião docente do Departamento de Medicina; Prof. Dr. Samuel Goihman, que retornara de estágio no Canadá, onde aprendeu a utilizar novas ferramentas de análise estatística, através de computador em ambiente pouco conhecido na época - o sistema operacional UNIX, no Departamento de Medicina Preventiva; Prof. Dr. Roque Monteleone, na ocasião docente da Disciplina de Genética, que iniciava o Projeto Cubatão, que entre outras atividades, estabeleceu um sistema de coleta e registro informatizado de todos os nascimentos daquele Município.
Conscientes da imensa distância existente na área entre a situação brasileira e a dos países desenvolvidos, os grupos de pesquisadores, mapeados, agregados e estimulados pelo Dr. Reginaldo de Holanda Albuquerque, superintendente da área de Ciências da Vida do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico - CNPq começaram a movimentar-se e a mostrar ao país que era preciso preocupar-se com a informática em saúde.
A Secretaria Especial de Informática (SEI) do Ministério da Ciência e Tecnologia - através da Comissão Especial de Informática em Saúde, composta por dezenas de representantes do setor em saúde do país, dos governos federal, estaduais e municipais, de hospitais, universidades, centros de pesquisa e associações profissionais - apresentou a Proposta de Plano Setorial de Informática em Saúde visando à orientação do uso da informática, tanto nos aspectos da aplicação da tecnologia para a solução dos problemas relativos à promoção, prevenção e recuperação da saúde da população quanto nos aspectos de produção de equipamentos, programas e serviços necessários a essa aplicação. Várias necessidades estão evidenciadas nesse documento: a de formar profissionais especializados na área e a de equipar os centros de pesquisa já existentes, bem como a de dar suporte a grupos emergentes, entre outras. Dois docentes, além de outros profissionais da UNIFESP/EPM e da BIREME, participam da elaboração desse documento: Daniel Sigulem e Samuel Goihman.

Inauguração e finalidades
Em 1986, com o apoio da então Diretoria da Escola Paulista de Medicina e com a predisposição dos órgãos governamentais e de fomento de dar suporte aos centros de pesquisa de informática em saúde, o Centro de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina - CIS-EPM deixava de ser um ideal de poucos e passava a ser uma necessidade institucional e um compromisso com a sociedade. O Dr. Sigulem foi nomeado presidente da primeira Comissão de Informática da EPM, criada pelo Vice-Diretor Prof. Dr. Antônio Checelli de Mattos Paiva, composta pelos seguintes membros: Antônio Carlos da Silva, Carlos José Reis de Campos, Cláudio Elias Kater, Fausto Miranda Júnior, Jairo Hidal, José Francisco da Silva, Marco Antônio Vivolo, Meide Silva Anção, Nelson Akamine, Nylson Gomes da Silveira, Regina P. Markus, Roque Monteleone Neto, Samuel Goihman, Sandra Roberta Gouveia, Sérgio Draibe e Stephan Geocze, entre outros. Essa Comissão elaborou e encaminhou à direção da EPM a proposta de criação do Centro de Informática em Saúde (CIS-EPM).
De acordo com essa proposta, o futuro órgão deveria ter por finalidades a pesquisa, a formação de profissionais na área de Informática em Saúde e o desenvolvimento de aplicativos de informática para a área da saúde. Em março de 1988, o CIS-EPM foi oficialmente inaugurado, instalado em uma área de 180 m2, equipado com 17 microcomputadores e 12 impressoras e contava inicialmente com cinco profissionais da área de informática, um da área de saúde e três médicos, docentes de outros departamentos e disciplinas. Os recursos humanos do CIS-EPM foram organizados fundamentalmente segundo linhas de pesquisa. Vale ressaltar que esta organização é temporal e dinâmica, havendo intercâmbio de elementos entre as equipes. As equipes foram:
1. equipe de cursos (ensino): responsável pela coordenação e organização de palestras, cursos extracurriculares, treinamento nos laboratórios, cursos curriculares e help-desk;
2. equipe de pesquisa e desenvolvimento de aplicativos e sistemas: equipe de programas educacionais; equipe de sistemas de informática; equipe de sistemas de apoio a decisão; equipe de sistemas distribuídos
3. equipe de rede: responsável pela implantação, manutenção e suporte da REPM.
Em 22 de junho de 1999, após 10 anos de atividades, o Centro de Informática em Saúde é oficialmente transformado em Departamento Acadêmico da UNIFESP/EPM, através da portaria nº 952 do Ministério de Estado da Educação.
Pós-Graduação em Informática em Saúde
Histórico: A Informática em Saúde
O impacto da informática na prática da medicina tem sido surpreendente. As técnicas não invasivas de produção de imagem, como a ultra-sonografia, a medicina nuclear, a tomografia e a ressonância magnética, alteraram sensivelmente o processo de diagnóstico médico. Novos equipamentos digitais para processamento de sinais biológicos e monitorização de pacientes, como videolaparoscopia e analisadores automáticos de eletrocardiogramas, fluxos sangüíneos e gasosos, globais e regionais, tem oferecido informações vitais que auxiliam o médico, quer no tratamento eficaz do paciente, quer no apoio à pesquisa.
Na prática médica diária, a informática ajuda na coleta, no registro e na análise de dados; gera conhecimento sobre o conhecimento e, desta forma, diz respeito a todas as áreas de medicina, indo da assistência individual à saúde coletiva.
Os sistemas de informação em saúde podem monitorar o processo de assistência à saúde e tem melhorado a qualidade da assistência ao paciente por auxiliar no processo de diagnóstico ou na prescrição da terapia, por permitir a inclusão de lembretes clínicos para o acompanhamento da assistência, de avisos sobre interações de drogas e de alertas sobre tratamentos duvidosos bem como de desvios dos protocolos clínicos.
Nos Estados Unidos, o primeiro projeto de informatização hospitalar - Hospital Computer Project - foi realizado em 1962 no Massachusetts General Hospital, tendo sido financiado pelo National Institute of Health.
O professor Peter Reichertz (Hannover- Alemanha) foi um dos primeiros a escrever, na década de 70, sobre a importância da informática médica tanto para a pesquisa, quanto para melhorar o currículo médico. Também é de Reichertz a visão das mudanças que aconteceriam na relação entre o médico e o paciente com o advento da informática médica.
A Informática em saúde no Brasil
No Brasil, a situação dessa especialidade era bastante diversa do que ocorria na quase totalidade dos países do hemisfério norte e Europa, onde a informática médica contava com hardware e software avançados e abundância de recursos para o desenvolvimento e a manutenção de sistemas que utilizavam tecnologia de ponta. No entanto, apesar das restrições impostas, inicialmente pelo estabelecimento de uma comissão para a Coordenação de Atividades na área da Eletrônica (CAPRE) em 1972 e depois pela Lei Nacional de Informática, institucionalizada em novembro de 1984, a área de informática aplicada à saúde era estudada, acompanhada e desenvolvida por grupos isolados em todo o país. Destacam-se, entre outras, as iniciativas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Estadual de Campinas, da Universidade de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e da própria máquina do governo federal.
A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) é uma instituição oficial de ensino superior, vinculada ao Ministério da Educação e do Desporto. A UNIFESP, criada em 15 de dezembro de 1994, resulta da transformação da Escola Paulista de Medicina, fundada em 1º de junho de 1933, federalizada em 21 de janeiro de 1956, e transformada em estabelecimento isolado de ensino superior de natureza autárquica em 29 de setembro de 1964.
A UNIFESP tem por objetivo desenvolver, em nível de excelência, atividades interrelacionadas de ensino, pesquisa e extensão, com ênfase no campo das ciências da saúde. O ensino compreende as áreas de graduação, pós-graduação e cursos de extensão.
Na área da pós-graduação a UNIFESP oferece: residência, cursos de especialização e estágios; cursos e programas de pós-graduação em sentido estrito: mestrado e doutorado, assim como programas de pós-doutorado.
Visão futurista
Na Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo, a informática começou a ser implantada em 1976, graças à visão, em nossa opinião revolucionária na época, de um de seus médicos, o Prof. Dr. Silvio Borges. Ciente das necessidades de coleta padronizada da informação e de seu adequado armazenamento, este professor criou o Serviço de Informática, que mais tarde se transformou no Centro de Processamento de Dados (CPD) da Escola Paulista de Medicina. Diversos protocolos de coleta sistematizada de informações foram idealizados pelo professor Silvio e são referidos, até hoje, por sua engenhosidade e adequação e por revelarem uma visão de futuro extremamente precisa.
O CPD da EPM, hoje Departamento de Processamento de Dados, tem como tarefas o gerenciamento das informações administrativas da instituição e também o das informações do seu Hospital Universitário - o Hospital São Paulo (HSP).
Em 1986, com o apoio da então Diretoria da Escola Paulista de Medicina e com a predisposição dos órgãos governamentais e de fomento de dar suporte aos centros de pesquisa de informática em saúde, foi criada a primeira Comissão de Informática da EPM com o objetivo de planejar e criar o Centro de Informática em Saúde.
Realidade
Em março de 1988, o CIS-EPM foi oficialmente inaugurado pelo então Ministro da Educação Hugo Napoleão. Instalado em uma área física de 280m2, equipado com 17 microcomputadores e 12 impressoras o CIS-EPM contava inicialmente com cinco profissionais da área de Informática, um da área de saúde e três docentes (médicos) de outros departamentos e/ou disciplinas.
A introdução da disciplina de Informática em Saúde nos cursos de graduação da UNIFESP e, em alguns cursos de pós-graduação permitiu que o CIS-EPM treinasse mais de 3.000 estudantes de 1988 a 2002.
Sistemas de apoio à decisão, aplicativos educacionais para o estudante e de orientação ao paciente, aplicativos baseados na Internet, sistemas de gerenciamento de informação em saúde e sistemas de educação a distância através da Internet foram investigados, desenvolvidos e implantados.
Como atividades de extensão mais de 5.000 membros da comunidade foram treinados de 1988 até 2002, com o uso de laboratório de informática, para a realização de trabalhos acadêmicos e de atividades de pesquisa.
Em 1999, o CIS-EPM contava com sete docentes, dos quais três livre-docentes, três doutores e um mestre, com doutorado em andamento; 45 funcionários das áreas de saúde, informática e tecnologia, dos quais cinco mestres, quatro com mestrado em andamento e dois com doutorado em andamento.
De 1988 a 1998, a atividade científica docente do CIS-EPM produziu 208 publicações, sendo 155 em periódicos (80 em revistas internacionais), 37 capítulos de livros e 16 publicações técnicas.
Pós-graduação em informática em saúde como referência
Em 2001 o Programa de Pós-graduação em Informática em Saúde é aprovada pelo Conselho de Pós-Graduação (CPG) da UNIFESP. No ano seguinte é aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em nível de mestrado acadêmico e doutorado, em 22 de novembro de 2002.
O curso, um dos pioneiros neste segmento no país, conseguiu pelo programa da CAPES avaliação nível 4 nos anos de 2004 a 2006.

