Compacta Ginecológica
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Número 17
Reposição
Androgênica no Climatério.
Rosana Durões Simões
Claudio Emilio Bonduki Dayse Maria Lourenço Mauro
Abi Haidar Geraldo Rodrigues de Lima Edmund Chada
Baracat Ivaldo da Silva
A expectativa de
vida da mulher aumentou de forma surpreendente nas últimas
décadas. Nos EUA o número de mulheres com idade superior
a 65 anos ultrapassará os 18 milhões, referentes a
1990 para 25 milhões em 2020 (HAMMOND, 1996). FRIES et al. (1989) encontraram três
fases de predominância de doenças ao longo da história
da saúde pública. A primeira fase estendeu-se do início
deste século e se caracterizou pela identificação
das moléstias infecciosas bem como de sua terapêutica.
A segunda, pela preponderância de câncer e doenças
circulatórias. A terceira, diminuição da função
tais como, cognição, memória, etc. Atualmente, a proposta básica de promoção
de saúde é melhorar a qualidade de vida e estabelecer
programas de medicina preventiva que tenham maior impacto sobre
a morbidade que a mortalidade. A
apreciação das perspectivas da mulher no período
de deficiência hormonal é essencial para prescrever
tratamentos eficazes e apropriados para cada fase. Sabe-se que o período de insuficiência estrogênica
se acompanha de queixas desagradáveis como os sintomas vasomotores,
secura vaginal, dispareunia, alteração do humor, dentre
outros, que por sua vez acarretam o aparecimento de outras doenças
num verdadeiro efeito em cascata (SOWERS & LA PIETRA, 1995).
A associação entre morbidade
e estado menopausal inclui depressão, incontinência
e infecção urinária, doença cardíaca
isquêmica, osteoporose, distúrbio do sono e cognição,
dentre tantos (SOWERS & LA PIETRA, 1995). A reposição hormonal usualmente na forma
de estrogênio isolado ou associado à progesterona efetivamente
trata as condições referidas acima. Deve ser individualizada
para as necessidades de cada paciente. O médico deverá
ter em mente de forma objetiva as razões para cada indicação
e os desejos da paciente (LAURITZEN, 1996). Além dos esteróides mencionados acima, há
condições que se beneficiam da adição
de androgênios como a osteoporose, disfunção
sexual, distúrbio psicológico e tegumento (HENDRIX,
1997). A osteoporose acomete
em torno de 20 milhões de mulheres americanas e se responsabiliza
por um custo de 10- 20 bilhões de dólares anualmente
em gastos de saúde (ROSENBERG, et al 1997). A análise do processo de remodelação
óssea permite compreender a prevenção e as
estratégias de tratamento. Cada hormônio parece ter
ação direta bem como indireta na formação
e reabsorção ósseas embora o mecanismo exato
de atuação não seja totalmente esclarecido
(ROSENBERG, et al 1997). O estrogênio
apresenta receptor no osso e age mediante a inibição
da atividade osteoclástica, diminuindo a reabsorção
óssea. Exerce ação indireta modulando o metabolismo
renal da vitamina D e aumentando a secreção de calcitonina,
ambos os mecanismos inibidores da reabsorção ( ROSENBERG
et al., 1997). O androgênio
possui receptor no osso aumentando a atividade osteoblástica,
proporcionando maior formação. Efeito indireto inclui
redução da reabsorção através
da conversão à estrona nos tecidos ósseo e
adiposo ( ROSENBERG et al., 1997). NEED
et al.(1986) estudaram 191 mulheres pós-menopáusicas
com osteoporose tratadas ou com decanoato de nandrolona ou combinação
de estrogênio, cálcio e/ou calcitriol. Demonstraram
que o grupo que recebeu o androgênio apresentou um significante
aumento na sua densidade óssea. BARLOW et al. (1986) avaliaram 75 mulheres pós-menopáusicas
tratadas com estrogênio associado a decanoato de nandrolona,
a cada seis meses, por um período de três anos ou somente
com estrogênio. Encontraram um aumento de 2,5% no conteúdo
mineral metacarpiano enquanto o grupo que recebeu somente estrogênio
apresentou discreta diminuição, não significante,
na mesma área analisada. A
redução do desejo sexual é uma queixa freqüente
nas mulheres com deficiência hormonal. A capacidade do androgênio
melhorar esse sintoma remonta desde 1940. Nesta época mulheres
com câncer de mama estrogênio-dependente utilizavam
tal medicação obtendo melhora da função
sexual (ROSENBERG et al., 1997). Os
mecanismos propostos para explicar a ação de estrogênio
e androgênio na esfera sexual salientam: melhora da atrofia
da mucosa vaginal e aumento da libido (THACKER, 1997). Entre 30% e 70% de mulheres pós-menopáusicas
referem problemas psicológicos (ROSENBERG et al., 1997).
Diversos estudos sugerem que a associação
de estrogênio e androgênio melhora a função
psicológica dessas mulheres comparativamente ao estrogênio
sozinho (ROSENBERG et al., 1997). O
tegumento apresenta espessado em trabalhos experimentais que utilizam
androgênio. Daí a sua importância clínica,
em alguns casos de distrofia vulvar (ROSENBERG et al. 1997).
Algumas precauções devem
ser tomadas quando se faz a opção de utilizar o androgênio.
Dentre elas, preocupar-se com possíveis efeitos colaterais:
virilização e hirsutismo, toxicidade hepática,
lípides e doença cardíaca isquêmica,
câncer de mama e endométrio (ROSENBERG et al., 1997).
5Como conclusão, pode-se propor
um maior número de trabalhos para que se possa utilizá-lo
com mais segurança quanto ao tipo, dose e duração.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BARLOW, D.H. et al., Long-Term hormone
implant therapy: hormonal and clinical effects. Obstet. Gynecol.
67:321-5, 1986.
FRIES et al. - Health preservation
and the compression of mortality. Lancet i: 481, 1989.
HAMMOND, C.B. - Menopause and hormone
replacement therapy: an overview. Obstet. Gynecol. 87:2S-15S, 1996.
HENDRIX, S.L. - Nonestrogen management
of menopausal symptoms. Endocrinol. Metab. Clin.North Am.26: 379-90,
1997.
LAURITZEN, C. - HRT prescibing guidelines:
dream or reality. Int. J. Gynecol. Obstet.. 52(suppl. 1):s3-s9,
1996.
NEED, A.G. et al., Comparison of
calcium, calcitriol, ovarian hormones and nandrolone in the treatment
of osteoporosis. Maturitas 8:275-80, 1986.
ROSENBERG, M.J. et al., - Estrogen-androgen
for hormone replacement a review. J. Reprod Med. 42: 394-404, 1997.
SOWERS, M.R. & LA PIETRA, M.T.
- Menopause: its epidemiology and potential association with chronic
diseases. Epidemiol. Rev. .17:287-302,1995.
THACKER, H.L. - Menopause. Prim.
Care 24:205-21, 1997.
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