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Compacta Ginecológica on line

Número 17

Rastreamento das Neoplasias Genitais Malignas na Pós-menopausa

Claudia de Carvalho Ramos Bortoletto
Wagner José Gonçalves
Maria Gabriella Giusa
Mauro Abi Haidar
Edmund Chada Baracat
Geraldo Rodrigues de Lima


As neoplasias genitais malignas preponderam, no geral, no período da pós-menopausa. Desta forma, métodos de rastreamento, visando o diagnóstico precoce em estádios iniciais, em muito podem contribuir para o aumento da sobrevida.
Câncer de vulva: O câncer de vulva é responsável por 3 a 5% das neoplasias malignas do trato genital feminino. Trata-se de carcinoma que atinge mulheres entre 65 e 75 anos de idade. O principal sintoma é o prurido que, em geral, está presente há meses ou mesmo anos antes da paciente procurar o auxílio médico. Outras queixas são: tumor vulvar, dor, ardor e sangramento. Como se depreende, as doenças benignas e malignas compartilham da mesma sintomatologia. Desta forma, mister se faz examinar atentamente a região vulvar, não hesitando em biopsiar qualquer lesão encontrada. Vários são os procedimentos utilizados para o diagnóstico das neoplasias vulvares. Todavia, a maneira mais eficaz de diagnosticar é promover a inspeção meticulosa da região vulvar durante o exame ginecológico e biopsiar, rotineiramente, toda área suspeita. Desta forma, o exame deve ser feito com o colposcópio, realizando-se a inspeção ampliada de toda vulva, da região perianal, do ânus, das pregas interglúteas e intercrurais, da vagina e do colo. Utiliza-se também o teste de Collins, que consiste na embrocação com azul de toluidina a 1%. Câncer de endométrio: Ocorre, comumente, em mulheres na pós-menopausa, encontrando-se, as pacientes, entre 50 e 59 anos. Aproximadamente 20 a 25% das enfermas não são menopausadas e, apenas 5% dos casos ocorrem antes dos 40 anos. Na anamnese devem ser identificados fatores de risco, como a obesidade, a nuli ou oligoparidade, a menopausa tardia, a síndrome da anovulação crônica, os tumores de ovário produtores de estrogênio e o uso de estrogênios exógenos isoladamente. Algumas doenças clínicas associam-se com maior freqüência, destacando-se o diabetes mellitus, a hipertensão arterial sistêmica e o hipotiroidismo. No rastreamento desta neoplasia conclui-se que o uso de diferentes métodos e, não somente um, em população de risco é a mais adequada maneira de se promover o diagnóstico precoce. No que diz respeito à citologia cérvico-vaginal, sabe-se que apenas 30 a 50% das mulheres com câncer de endométrio irão apresentar resultado positivo. Quando positiva, com freqüência existe invasão miometrial profunda, os tumores são G2 ou G3, a citologia peritoneal é positiva e tratam-se de casos de estádio mais avançado. O achado de hemáceas, histiócitos e índice de maturação compatível com ação estrogênica torna impositiva futura investigação. Já, quando a coleta é endocavitária, a acurácia do método pode aumentar para até 90%. Entretanto é necessário salientar que o uso isolado de técnicas citológicas geralmente é inadequado como método de rastreamento do câncer de endométrio. O teste da progesterona pode ser utilizado como rastreamento populacional para detecção de lesões precursoras e carcinomatosas do endométrio. O teste, quando é negativo apresenta alta acurácia. Entretanto, os resultados falso-positivos podem ser da ordem de 56% (Bortoletto, 1994). A ultra-sonografia é, indubitavelmente, o método que deve iniciar a propedêutica endometrial, quer seja para orientar o diagnóstico em mulheres sintomáticas (com sangramento genital) ou rastrear as assintomáticas. No Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo, considera-se como espessura normal do eco endometrial na pós-menopausa valores de até 3mm; entre 4 e 7mm pode-se observar endométrios não atróficos; a neoplasia de endométrio com menor espessura da imagem endometrial foi de 9 mm. Assim, quando a espessura do eco endometrial não é compatível com atrofia, deve-se proceder ao estudo histológico da mucosa. Atualmente, preferimos a histeroscopia com biópsia dirigida. Na ausência da mesma, pode-se realizar a biópsia endometrial das quatro paredes uterinas. Câncer de ovário: Constitui a neoplasia mais letal em Ginecologia, mormente por tratar-se do carcinoma de diagnóstico mais tardio. Em dois terços dos casos o diagnóstico é realizado nos estádios III e IV. O uso de métodos de diagnóstico precoce, pode detectar a doença nos estádios I e II em 80% dos casos. Isto implica em uma redução de 50% na mortalidade por câncer de ovário. A anamnese cuidadosa seleciona as mulheres com fatores de risco para propedêutica complementar. Deve-se atentar para a síndrome do câncer familiar (câncer de ovário; câncer de ovário associado à câncer de mama; síndrome do câncer familiar - Lynch II -câncer de cólon, endométrio, ovário, mama, estômago e trato urinário). Dentre os métodos propedêuticos para rastreamento destacam-se a ultra-sonografia transvaginal e a dosagem do CA-125. Os valores da dosagem de CA-125 estão aumentados nos tumores epiteliais, à exceção da variante mucinosa, onde os resultados falso-negativos são da ordem de 20%. Contudo, a maior freqüência da variante serosa, faz com que este antígeno esteja aumentado em 85% dos casos de câncer deste orgão. Todavia, no estádio I, 50 a 77% das doentes apresentam dosagem sérica normal. Acredita-se, atualmente, que o significado de uma dosagem única de CA-125 no rastreamento do câncer de ovário é limitado. Assim, reporta-se a associação de métodos no diagnóstico precoce desta neoplasia, em especial a combinação da dosagem de CA-125 e da ultra-sonografia transvaginal. A ultra-sonografia pélvica e transvaginal apresenta sensibilidade de 100 a 80%, valor preditivo positivo para malignidade de 37 a 73% e valor preditivo negativo para excluir malignidade de 100 a 91% (Sassone et al., 1991). A dopplervelocimetria não deve ser utilizada no rastreamento mas, particularmente, no diagnóstico diferencial dos tumores ovarianos. Câncer do colo: Nos últimos anos, o carcinoma invasor do colo uterino acometeu, mais freqüentemente, mulheres jovens, principalmente em decorrência da maior incidência de papilomavírus neste grupo etário. Todavia, observou-se o aumento da incidência de carcinoma "in situ" em mulheres na pós-menopausa. Desta forma, programas de rastreamento, que se embasam essencialmente na citologia cérvico-vaginal, devem continuar nesta fase da vida da mulher. A citologia oncológica cérvico-vaginal apresenta especificidade de 99,8% e sensibilidade de 85%, na detecção de alterações neoplásicas (Wilkinson, 1990). Na vigência de anormalidades citológicas deve-se proceder à colposcopia e, se necessário, ao estudo histológico. Por vezes, em decorrência do déficit estrínico, a visibilização da junção escamo-colunar e da endocérvix encontra-se prejudicada. Nestes casos recomenda-se o uso de cremes de estrogênio de uso tópico por cerca de 15 dias, seguido pela repetição do exame colposcópico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORTOLETTO, C.C.R. - Estudo clínico, morfológico e ultra-sonográfico do endométrio de mulheres na pós-menopausa, consoante o teste provocativo pelo progestogênio. São Paulo, 1994. [Tese - mestrado - Escola Paulista de Medicina]

SASSONE, A.M.; TIMOR-TRITSCH, I.E.; ARTNER, A.; WESTHOFF, C.; WARREN, W.B. - Transvaginal sonographic characterization of ovarian disease: evaluation of a new scoring system to predict ovarian malignancy. Obstet. Gynecol., 78: 70-6, 1991.

WILKINSON, E.J. - Pap smear and screening for cervical neoplasia. Clin. Obstet. Gynecol., 33: 817-25, 1990.

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