Atualidades

 

 

Título: Avaliação a Longo Prazo das Curvas Glicêmicas em Usuárias de Implantes Subdérmicos de Levonorgestrel

Autor: Prof. Dr. Fabio Fernando de Araújo

 

Norplant® é o conjunto de seis cápsulas de silástico, medindo 34 mm de comprimento por 2,4 mm de diâmetro; cada um deles preenchidos com 36 mg de levonorgestrel, perfazendo o total de 216 mg para serem inseridos no subcutâneo do braço. Tem sido bem aceito no mundo inteiro como uma vantajosa alternativa contraceptiva, uma vez que é muito eficiente e suas taxas de falhas vão de 1 a 3% em cinco anos. Todavia ainda existem dúvidas quanto o seu potencial de desenvolver diabete melito, o qual por sua vez se inter-relaciona com outros fatores de risco cardiovascular. Avaliaram-se as curvas glicêmicas (glicose-oxidase) antes da inserção e anualmente até o final dos cinco anos preconizados para o método em 46 mulheres clinicamente saudáveis, que firmaram o termo de responsabilidade. Para a inferência estatística utilizou-se a análise de variância para casos desbalanceados ou em grupos (NETER). No primeiro ano houve pequenos aumentos nas médias das glicemias, que não foram significantes. Nos segundo e terceiro, os valores variaram irregularmente, e também não foram significante, exceto para o pequeno aumento da glicemia de jejum aos três anos. Nos quarto e quinto anos ocorreram pequenas diminuições que na sua maioria foram significantes. Da mesma forma levantou-se os dados das demais variáveis, para as quais se empregou o teste “t“ de Student. O perfil lipídico (kit laboratório ABBOTT) apresentou diminuições do colesterol total, no quinto ano; ocorreram diminuições do HDL-colesterol no segundo e quinto anos, contudo o índice de Castelli I não variou. Nos três primeiros anos houve leves quedas nos níveis de LDL-colesterol, porém o leve aumento do índice de Castelli II não ultrapassou o limite da normalidade. O IMC aumentou progressivamente chegando ultrapassar o limite do normal, no quinto ano. E, a pressão arterial não se modificou. Conclui-se que o anticoncepcional subdérmico de levonorgestrel não apresenta risco diabetogênico, e secundariamente também não se constitui fator de risco cardiovascular.

 

 

Título: Perfil Epidemiológico da Demanda de Mulheres em um Serviço de Planejamento Familiar

Autor: Elaine de Moraes Krauss

 

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e retrospectivo, sobre o perfil epidemiológico da demanda de mulheres em um Serviço de Planejamento Familiar. Foram analisadas 1521 prontuários de mulheres de 11 a 50 anos matriculadas no período de 1997 a 1999. O perfil da população evidenciou maior demanda de clientes entre os 20 e 39 anos, unidas, com primeiro grau completo e ocupando-se de atividades domésticas. Quanto ao perfil ginecológico, a maioria teve a menarca em torno de 13 anos e a primeira relação sexual aos 17 anos, tendo relatado apenas um parceiro sexual, já utilizando algum método anticoncepcional. A associação entre a idade e o método anticoncepcional utilizado mostrou um predomínio do uso de anticoncepcional oral hormonal até os 40 anos, o condom até os 30 anos e o DIU entre 30 e 40 anos (p=0,000). Observou-se, também, que a utilização dos anticoncepcionais orais aumenta com o número de filhos (p=0,000). Ao se correlacionar os métodos anticoncepcionais e o diagnóstico cérvico-vaginal foi observado que as mulheres em uso de anticoncepcionais hormonais representam quase a metade das lesões de baixo grau. O corrimento, foi a principal queixa referida, e a Gardnerella vaginalis foi o agente específico mais encontrado nos exames de citologia cérvico-vaginal. A associação do número de parceiros sexuais com agente específico encontrado na flora vaginal foi significante para Trichomonas vaginalis (p=0,008). O perfil obstétrico mostrou que a maioria já havia gestado, sendo a mediana de 2, a paridade com mediana de 1 e amplitude de variação de zero a 13 e o abortamento apresentando uma mediana de zero. Pode-se observar, também, a relação do maior tempo de estudo, com a menor paridade (p=0,000). Quanto aos hábitos de vida, encontrou-se 19,5% das mulheres tabagistas e 1,2% usuárias de drogas. Das doenças pré-existentes a hipertensão, ruptura perineal e a obesidade foram as mais observadas.

 

 

Título: O Enfermeiro na Educação de Adultos em Planejamento Familiar

Autor: Profª. Drª. Márcia Barbieri

 

O estudo teve como objetivo verificar o efeito da utilização de estratégia didática, fundamentada no modelo andragógico de ensino de Knowles (educação de adultos), em programa educativo sobre planejamento familiar, em relação ao nível de conhecimento assimilado e à opinião pessoal das clientes. Foi realizado em serviço ambulatorial específico, de um hospital de ensino do município de São Paulo. A amostra populacional foi constituída de 164 mulheres adultas divididas, igualmente, nos grupos controle e experimental. No primeiro, utilizou-se estratégia didática baseada no modelo tradicional de ensino e, no segundo, estratégia fundamentada no modelo andragógico. A caracterização da amostra evidencia que a população apresenta média de idade próxima dos trinta anos, com nível de escolaridade predominantemente de 1º grau, referindo, em média, 2 a 3 gestações e um alto índice (90,2%) de uso anterior de algum método contraceptivo. O número de respostas corretas às questões sobre planejamento familiar e métodos contraceptivos, após as mulheres receberem a aula, foi considerado satisfatório em ambos os grupos, controle (67,2%) e experimental (84,7%). No entanto, o grupo experimental apresentou número maior de acertos nas respostas (95,1%), havendo diferença estatisticamente significante a favor desse grupo. Nos dois grupos, um percentual mais elevado de respostas corretas foi encontrado no maior nível de escolaridade. A atribuição da nota mais alta à estratégia didática ocorreu, com maior freqüência, no grupo experimental, independente do nível de escolaridade. A análise de conteúdo das opiniões das mulheres, sobre as estratégias didáticas utilizadas no programa educativo, permitiu identificar qualificações positivas atribuídas, inclusive ao educador, principalmente no grupo experimental, enquanto o grupo controle foi o que ofereceu a maioria das sugestões para melhorá-la. Os resultados permitiram concluir que o modelo andragógico de ensino é efetivo, e deve favorecer a escolha consciente e o uso seguro de métodos contraceptivos, entre mulheres adultas que freqüentam serviços de planejamento familiar.

 


Título: Qualidade do Atendimento em um Setor de Planejamento Familiar sob a Percepção das Usuárias

Autor: Enf. Patrícia Albuquerque Moraes

 

Trata-se de uma pesquisa descritiva realizada no Setor de Planejamento Familiar da Universidade Federal de São Paulo, no período de março a maio de 2002, com o objetivo de conhecer a opinião de usuárias sobre a qualidade percebida acerca do atendimento recebido. A amostra foi constituída por 271 mulheres que consentiram em participar da pesquisa, respondendo a um questionário semi-estruturado de saída. Segundo a opinião das usuárias, 97,0% informaram terem sido atendidas com educação na recepção e 98,9% consideraram satisfatória a atenção recebida da equipe. Sobre o ambiente, 98,9% da clientela o consideraram limpo e o mesmo número relatou Ter recebido as informações que desejavam e compreenderam as explicações do profissional. Quanto ao exame ginecológico, 94,3% das usuárias receberam informações sobre o procedimento antes que o mesmo fosse realizado, 98,8% compreenderam essas informações e 97,5% alegaram que houve privacidade no momento da consulta. Quanto ao método contraceptivo que utilizavam, 83,0%informaram estarem adaptadas, sendo que 63,4% adotaram o método de sua escolha. A opinião sobre o atendimento recebido revela satisfação de 95,0% das usuárias, apesar do tempo de espera que foi considerado longo e 99,6% recomendariam o Setor para parentes e amigas. Os resultados obtidos permitiram concluir que há um bom nível de satisfação por parte das usuárias e que a longa espera para o atendimento não foi considerada um fator impeditivo para atruibuir qualidade ao Setor estudado.

Título: Avaliação do perfil lipídico em adolescentes usuárias de anticoncepcional hormonal oral por tempo prolongado

Autor: Profª. Drª. Cristina Guazzelli

O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do uso prolongado do contraceptivo hormonal oral combinado monofásico contendo 30µg de etinilestradiol e 75µg de gestodene, sobre o metabolismo lipídico de adolescentes. A população estudada foi constituída de 33 jovens de 14 a 19 anos, usuárias de anticoncepcional hormonal oral anteriormente referido, por um período de três anos. As jovens que participaram da avaliação não referiam antecedente tromboembólico, hipertensão arterial, diabetes, doenças hepáticas e tumores genitais, deveriam ter níveis de colesterol total inferiores a 200mg/dl, concentração de hemoglobina igual ou maior do que 12g%, não ser fumante e nem obesa. Os seguintes parâmetros foram analisados: colesterol total, HDL-C, LDL-C, VLDL-C, triglicérides, índices de risco de Castelli I e II (colesterol/HDL-C e LDL-C/HDL-C). Estes exames foram realizados antes do início do emprego do contraceptivo e após um, dois e três anos de utilização. O valor inicial de cada parâmetro foi considerado como controle para cada paciente. A a nálise estatística demonstrou a elevação dos níveis sanguíneos de colesterol total, de HDL-C, LDL-C, VLDL-C e triglicérides, quando foram comparados os valores anteriores ao uso de AHO como os e um, dois e três anos de utilização, ressaltando-se que as médias não ultrapassaram os níveis de normalidade. Não houve alteração nos índices de Castelli I e II durante todo o estudo. Estes dados ressaltaram a importância da avaliação do perfil lipídico das adolescentes, antes do uso de AHO e periodicamente após seu início, visando melhor seguimento e orientação quanto à prevenção de doenças cardiovasculares.