| |
Manuscrito especial de
calouros
Sejam muito bem vindos!
________________________________________
O índice não está disponível na versão on-line d’O
Manuscrito, “... porque aquilo que ainda não foi impresso,
continua sendo escrito à mão...” DCE-Unifesp – Fevereiro de
2007 – Gestão “Contra~Corrente”
Editorial
É com entusiasmo diferente, e maior, que
recebo os calouros do ano de 2007. Calouros da nova Unifesp,
que agora abrange as três principais áreas do conhecimento.
Desse entusiasmo brota esse Jornal, que é, de forma
revolucionária, diferente dos passados, tanto na diagramação
e “arte” quanto e principalmente no conteúdo. Pode-se dizer
que essas mudanças no jornal refletem em parte as mudanças
que estão ocorrendo no nosso DCE e que nos dirigem a um
caminho politicamente e culturalmente diferente.
Esse Manuscrito pretende apresentar uma
visão geral do mundo, Brasil e Unifesp segundo o olhar dos
estudantes que o escreveram e oferecer a vocês, calouros,
informações sobre a nossa realidade, para que você consiga
entender o que é a Unifesp vista de dentro e também essas
coisas que só temos contato na universidade. Em alguns
textos buscamos localizar as coisas no tempo e no espaço,
tentando mostrar sua gênese e o seu desenvolvimento. Esses
textos ficaram grandes, mas também merecem ser lidos.
Na primeira parte do Jornal discutimos algo da problemática
que cerca nossa sociedade e as formas pelas quais elas são
manipuladas, antes de serem apresentadas a nós, o povo.
Sugerimos caminhos e buscamos soluções para alguns dos
problemas, portanto, tentamos cumprir com nosso papel de
estudantes universitários do Brasil, país com potencial,
porém atrasado.
Também buscamos oferecer notícias sobre qual é a atual
posição e participação dos estudantes perante o processo
pelo qual passa a Unifesp e a sociedade.
A Unifesp tem problemas, receio avisar a vocês. Falar de
problemas num editorial de jornal especial de calouros não é
muito aconselhável, mas amigo é aquele que avisa. No
decorrer do Manuscrito vocês perceberão quais são as maiores
qualidades e os maiores defeitos da Unifesp e as origens de
alguns.
No Manuscrito também temos cultura, extensão... ele poderia
ser resumido em um guia sobre a Unifesp e o Movimento
Estudantil. Esses são alguns dos objetivos desse Jornal.
Para finalizar o Editorial, que não pode ficar muito longo,
eu dou parabéns a vocês pelo ingresso na Unifesp e digo que
tenho em vocês muitas expectativas. Espero que esse jornal
sirva de motivação para vocês começarem a buscar informações
sobre as coisas, a lutar por nossos direitos e a cumprir com
nossos deveres como estudantes da universidade do povo
brasileiro.
O Editor
O Manuscrito
“...porque aquilo que ainda não foi impresso, continua
sendo escrito à mão...”
Editor: Cairo Mendes Sobrinho.
Diagramador: Cairo Mendes Sobrinho
Colaboradores: todas as queridas
pessoas que escreveram para esse Manuscrito e encontram
seus nomes no final dos seus textos, a Pró-Grad, e todos
os injustiçados.
Tiragem: 1300 cópias.
Agradecimenos:
Fernanda Senna
Ivandick Rodrigues dos Santos Jr.
Maíra Tavares Mendes
Rubens Luis Folchini Fernandes
Todos os outros escritores
Pró-Reitoria de Graduação.
Sejam muito bem vindos!
Aos calouros do ano de 2007, que
esperamos com tanta ansiedade temos a gritar: sejam muito
bem vindos! É claro que vocês já devem ter ouvido milhares
de “parabéns!!!” de todo mundo mas nunca é demais. O
vestibular é muito cruel e quem consegue passar no da
Unifesp realmente merece muitos “parabéns!!!”. Parabéns
calouros!
Entretanto o clima de “oba oba!” uma hora vai acabar. Pra
uns acaba rápido e eles logo se deparam com a realidade.
Para outros só termina com o início da terceira idade.
Espero que vocês curtam o clima de “oba oba!!!” mas logo se
sensibilizem com a realidade e comecem a construir.
Construir tudo. O seu campus, o seu Centro Acadêmico, a
nossa Unifesp, o nosso Brasil e a nossa América Latina.
Talvez não dê tempo de construir o mundo, mas tentar é
recompensador.
Tudo é novo para quase todos vocês. As primeiras aulas são
sempre diferentes. Todo mundo irá sorrir para você o tempo
todo, logo que olhar para tua cara. Principalmente os
professores legais. Eles adoram calouros. Vêem nos calouros
a chance de formar um bom estudante. Mas depois do segundo
ou terceiro ano eles já te olham de cara mais fechada,
dependendo da tua simpatia e notas.
A semana de calouros é aquela primeira semana de aula em que
você fica sabendo a história da atual Unifesp o que é
Reitor, DCE, faculdade, extensão. A cabeça de vocês fica
girando de tanta informação. Vocês ficam vulneráveis a todos
os convites de veteranos (o que nem sempre é bom porque nem
todo veterano é responsável) e fazem o que eles pedem.
Aí está uma preocupação do DCE, pois somos contra trotes,
principalmente os ofensivos. Se você sofrer algum tipo de
trote e se sinta constrangido ou “violentado” venha no DCE e
preste queixa do veterano. Encaminharemos à Pró-Grad e quiçá
à polícia se nada for feito.
Mais uma vez: parabéns!!! Aproveitem o momento que é único.
Aproveitem a boa vontade dos pais nesses tempos de vitória
no vestibular. Aproveitem a fama de vocês na Unifesp.
Aproveitem tudo. E participem do DCE, que está sempre de
portas abertas para todos vocês e sempre tratará vocês com o
respeito que todos os estudantes merecem.
Cairo, Raquel e Erik – do DCE
O DCE da Unifesp
Bem vindos calouros 2007!!! O DCE tem
grande prazer em recebê-los nessa que será sua casa nos
próximos anos: a Unifesp. Passamos por uma acelerada
expansão, nos últimos dois anos quase quadruplicamos o
número de vagas oferecidas no vestibular e a expectativa é
que a expansão ainda continue.
Apesar do DCE ter diversas críticas ao planejamento e
execução da expansão da Unifesp, sempre fomos e continuamos
sendo favoráveis à expansão e a abertura de mais vagas
públicas no ensino superior brasileiro. Mas exigimos que
isso se dê de forma responsável e bem planejada.
O DCE da Unifesp está passando por grandes transformações.
Novo Estatuto, reforma do espaço interno, mudança da postura
frente aos estudantes (Construção Coletiva), como a campanha
“Mutirão – O DCE somos todos!”, fortalecimento do Conselho
de Entidades, construção de um site e mais outras pequenas
coisas que significam muito.
Temos atualmente, somente, quatro coordenadores eleitos:
Cairo Mendes Sobrinho (Coordenador Geral), Erik Halcsik
(Coordenador Geral), Raquel Peixoto (Coordenadora de
Finanças) e Varum Ribeiro de Farias (Coordenador de
Finanças). Esses quatro coordenadores contam com a ajuda dos
Centros Acadêmicos e de pessoas especiais desses CAs e de
outras que não participam de CAs mas também ajudam o DCE. A
perspectiva é de realizar uma eleição para coordenadores das
novas coordenadorias até dia 10 de fevereiro, mas como essa
matéria foi escrita antes, não poderemos colocar os nomes
deles aqui, para que você saiba a quem cobrar.
O DCE serve para muitas coisas. Além de representar os
estudantes de graduação da Unifesp em todos os lugares onde
eles necessitem ser representados (órgãos colegiados da
Unifesp, UNE, congressos mundo a fora, fóruns de discussão,
reitoria, pró-reitorias, etc.), nós lutamos por assistência
estudantil (bandejão bom e barato em todos os campi,
auxílios e bolsas de permanência, auxílio moradia etc),
qualidade de ensino, cultura para os estudantes e mais
várias outras coisas.
Participar do DCE é muito simples e interessante. Não pense
que todo mundo aqui fica só falando sobre política,
filosofia ou sociologia, quem somos nós pra isso... aqui tem
de tudo e sempre estamos receptíveis ao novo, para novas
discussões. Você não precisa ser “expert” em metodologia de
avaliação de estudantes, por exeemplo, para vir ao DCE
propor que discutamos isso e sugiramos à Pró-reitoria de
Graduação um novo modelo de avaliação dos estudantes. Ou até
um novo modelo para os estudantes avaliarem os professores.
Tudo que construímos aqui é fruto do trabalho de inúmeras
pessoas, não só de duas ou quatro. Nosso projetos de
extensão, nossas oficinas, nossas teses. Tudo é fruto da
construção coletiva que incentivamos mais e mais,
acreditando ser essa a saída contra o marasmo que vive hoje
o Movimento Estudantil aqui na Unifesp. As coisas estão
melhorando aos poucos, mas se não melhorarem envolvendo um
grande número de pessoas e sem envolver os novos, que estão
chegando, vocês calouros, essas melhorias são
insustentáveis. A todo ano a diretoria se renova, a todo ano
pessoas que muito faziam se formam e “abandonam” o DCE,
deixando um buraco. Quem tem que tapar esse buraco é você,
estudante do primeiro ano.
O DCE é subdividido em Coordenadorias e comissões, e
participar das comissões e coordenadorias do DCE não implica
na obrigatoriedade de ir a todas as reuniões ou perder dias
da sua vida. Simplesmente implica na oportunidade de você
fazer uma coisa legal, que você gosta, contribuindo com os
estudantes (DCE) e aprendendo coisas novas e vivendo novas
experiências. Sempre me faço a seguinte pergunta: por que
todo mundo não participa do DCE? É muito bom participar da
construção da nossa sociedade e do nosso meio e de brinde da
construção de nós mesmos. Vocês vão perceber isso um dia.
Esse Manuscrito, que editei com carinho e preocupação com o
conteúdo, pode ter ficado extenso demais, mas espero que
vocês o leiam todo. Tem muita informação que só ficamos
sabendo depois de alguns anos de universidade e que esse
ano, estão aí, de bandeja para vocês. Não joguem informação
fora, ela servirá um dia. No nosso caso, servirá desde já,
pois estamos numa Universidade, e pública, o que
conceitualmente nos traz ainda mais responsabilidade.
Falar do DCE é complicado, porque nunca conseguimos
expressar tudo o que queremos. É como falar pra uma pessoa
muito amada a frase “eu te amo”. Ela nunca expressa tudo que
queremos dizer. Com esse texto é a mesma coisa. Não consigo
falar tudo que quero do DCE. Resumindo: participem do DCE e
só assim vocês entenderão o que esse texto queria dizer e o
que o DCE pode ser para vocês.
Cairo – Biomedicina 39
Panorama
Qual é nosso contexto?
O nosso a que se refere o título engloba
de forma geral a juventude mundial e não somente nós,
estudantes brasileiros da Unifesp. Depois desse
esclarecimento vamos fazer um breve resumo do texto e,
portanto de qual é o nosso contexto. Resumir nosso contexto
com uma palavra é simples como a imprensa nos faz pensar o
mundo. Eu resumiria nosso contexto na palavra:
socialconformismo.
Resumir o contexto foi muito fácil, complicado seria se nós
buscássemos a origem desse contexto e especulássemos qual
será o seu futuro. Isso requer uma análise histórica e uma
dose de conhecimento político. Vamos tentar.
O socialconformismo no qual estamos inseridos é resultado de
uma estratégia imperialista de dominação e por favor, não me
comparem com as figuras que aparecem na televisão falando
essas coisas. Eu falo com a naturalidade de quem constata
fatos. Não há nada de revolucionário em constatar esse fato.
Até o mais conservador dos conservadores admite que estamos
inseridos numa redoma de socialconformismo que tem por
finalidade nos alienar e consequentemente nos dominar.
Essa estratégia imperialista de dominação, a da alienação,
vem desde Caio Otávio com a política do “pão e circo”, e
depois da crise do esgotamento de incrementos de lucro do
capital que nossos pais viveram na década de 70 ela assumiu
outra forma: fragmentação e televisão. O que nós jovens
ouvimos falar da crise de 70 é que ela quebrou com o
crescimento de 10% anuais do Brasil e foi provocada pela
guerra Iran x Iraque e conseqüente crise do petróleo. Na
verdade essas duas coisas são resultado do motivo
verdadeiro: a crise capitalista de 70. Ela foi provocada
pelo esgotamento do modo de acumulação produtivista que para
manter taxas de incremento de lucro precisaria que o os
níveis de consumo aumentassem em mesma proporção. Então a
saída foi a tecnologia que agrega valor aos produtos, ou
seja, agrega dinheiro ao dinheiro fazendo do produto algo
mais lucrativo e a financeirização do capitalismo que como
vemos hoje, tornou-se surrealmente virtual. A guerra do Iran
x Iraque na verdade foi provocada para desviar a atenção da
população mundial e elevar o preço do petróleo, quebrando as
economias emergentes dependentes e mantendo-as submissas.
Mataram dois coelhos de uma só vez.
A nova fase do capitalismo que surgiu dessa crise já tinha
sido professada por Marx no “O capital”, e talvez até tenha
sido ele o solucionador do problema dos capitalistas. Ele
disse, e acontece hoje, que o capitalismo sempre que em
tempos de mudanças de hegemonia e turbulência assume uma
forma financeira ainda mais flexível para que possa
aproveitar as turbulências para gerar lucros. A transição de
hegemonia que vivemos, e muitos não querem acreditar, é a
que desvia o eixo do mundo dos EUA para a China e Índia. O
que talvez “O Capital” não previu foi como a hegemonia em
crise, a norte-americana, buscaria manter o poder: por meio
do imperialismo rezado pelo neoliberalismo.
Na década de 90, mudanças ainda mais aceleradas ocorreram no
capitalismo. Houve uma abrupta financeirização de suas
atividades e do dinheiro, tornando a lógica de produção de
capital tão virtual que quase surreal. Duas coisas
contribuíram para essa financeirização abrupta e violenta: a
queda definitiva da União Soviética e a informática. Com o
surgimento da internet e a disseminação dos meios de
comunicação alienantes as mudanças e a quantidade de
informação manipulada se acentuaram de forma muito voraz e
isso permitiu ao novo capitalismo um avanço sem nenhuma
barreira sobre as formas de vida das sociedades. Uma das
estratégias neoliberais e imperialistas para a manutenção do
estado social atual (o chamado status quo) foi a
disseminação da “grande incerteza”, fazendo com que as
pessoas acreditem que estão num mundo de incertezas fica
mais fácil de convencer que não adianta pensar no futuro, já
que ele é incerto. O que resta a essa sociedade, alienada do
pensamento, é viver intensamente o presente, sendo esse
“viver” algo intrínseco ao consumismo. A vida condicionada
ao dinheiro, ao consumo. É o que vemos o tempo todo sendo
veiculado pela publicidade: “a vida é agora”; “para todas as
outras coisas existe ...”... e por aí vai. Se a juventude
mundial pensasse no futuro e pelo qual processo social e
histórico ela está pensando provavelmente ela não o
aceitaria e isso causaria muitos problemas aos dominantes.
Existiriam muito mais protestos do que existem hoje. Mas
enfim, é tudo especulação minha... vai ver que ela sabe e eu
que estou enganado achando que ela não sabe.
A idéia que a mídia, que representa o
imperialismo/neoliberalismo, quer nos passar é de que “nada
é previsível”, de que “em qualquer lugar que nos metermos
tudo será competição e incerteza”, de que “devemos nos
considerar presidentes de uma empresa de nós próprios,
gerenciando nossas vidas como líderes empresariais que tem
consciência de que a qualquer momento tudo pode mudar”, de
que “devemos escapar da irrelevância” buscando e enfatizando
as diferenças entre nós e os outros. Aliás essa política de
individualização (que é o contrário de coletivização) é mais
uma estratégia de enfraquecimento dos movimentos de
resistência ao imperialismo/neoliberalismo, visto que é mais
fácil dominar os fragmentados aos unidos. Todos os textos
entre aspas citados acima foram retirados de uma entrevista
de um “guru” neoliberal chamado Tom Peters à revista Veja.
Luiz Carlos de Freitas, professor titular da Unicamp, fez
uma leitura magnífica da entrevista de Tom Peters a revista
Veja. Segundo o Professor, poderíamos ler tudo aquilo da
seguinte forma: sobreviver na selva de espinhos da
competição capitalista e manter as taxas de lucro elevadas,
a custas da auto-exploração e da exploração do outro e/ou
trabalho do outro, por meio da vulnerabilização de sua
resistência criada pelas incertezas dos novos tempos. E isso
tanto para a vida empresarial quanto para a vida pessoal. É
a empresarizaçao da vida pessoal! Resumo a entrevista de
Peters em uma frase ainda menor: devemos ser e viver como os
Orcs do “Senhor dos Anéis”!
Quando tentam tornar nosso futuro incerto eles estão
tentando evitar a discussão sobre o futuro que queremos para
que assim não existam barreiras para o capital ditar qual
será nosso futuro de forma que esse futuro possa favorecer a
manutenção das taxas de incremento de lucro. Assim plantam
um clima de que não há futuro, há o agora. Carpe Diem! Essa
é uma justificativa social muito recorrente para a alienação
e quem a veicula é a mídia, em especial a televisão, refém
do capital publicitário neoliberal.
Outra estratégia para a alienação do futuro é a fragmentação
da vida e da notícia que provoca o fenômeno do crescente
individualismo que junto com a incerteza sobre o futuro e a
necessidade de viver o presente gerindo a vida como se ela
fosse uma empresa em meio a altos riscos e turbulências
econômicas, formam a dupla que provocam a doença do século
passado e muito provavelmente a desse também: o estresse. É
sério! Ninguém consegue viver tendo que acordar todo dia
precisando vencer a concorrência em meio à selva do capital.
Ao invés de sermos individualistas, vamos ser coletivistas e
seremos muito mais felizes. Sorrisos. Será porque que a
televisão não diz essas coisas? Será que é porque ela
concorda com esse modelo de socialconformismo para a massa,
neoliberalismo para os Estados Nacionais e imperialismo para
o mundo? Deve ser.
Só vou comentar mais uma coisa, o papel da filosofia
positivista em todo esse processo e a necessidade de
extinguirmos ela da pesquisa e pensamento social, que
desenvolveremos em Guarulhos. Eu não gostaria de ver nossos
pensadores humanos pensando o mundo de forma positivista e
por isso lanço a batalha desde já. Basta de positivistas na
Unifesp! O maior ninho de positivistas do Brasil. A ciência
positivista é aquela experimental que nega formas
metafísicas ou não mensuráveis materialmente e que,
naturalmente, tem muitos adeptos em nossa Escola e também
adeptos em outras escolas, mesmo algumas escolas de ciências
humanas.
O positivismo age ajudando as estratégias imperialistas
porque o método positivista (“pragmático”) de ver o mundo
exclui uma análise temporal, espacial e evolutiva dos dados,
preocupando-se apenas com os dados e o que eles podem
sugerir. Podem! É... o modo positivista de ver o mundo
também contribui para a construção da ilusão da incerteza na
qual querem nos mergulhar. Tudo é estatisticamente possível.
Peço que você tenha atenção na hora de procurar a relação do
positivismo com tudo que já comentamos até aqui. Ela existe
e é muito forte.
Para terminar, esse grandioso texto, eu devo especular qual
será o futuro que planejaram para nós. Se o objetivo é
manter a rotatividade e produção de capital a partir do
capital eu creio que nosso futuro é a servidão ou a
escravidão pelo capital. Mas é claro que nós não vamos saber
ou perceber quando essa hora chegar. Quiçá já até chegou e
eu não percebi. Você acha que os servos do feudalismo sabiam
que eles eram servos e eram bobos? Claro que não. Só foram
perceber depois que o sistema mudou. Enfim, o futuro que
planejaram para nós não me agrada e me parece muito injusto.
É por isso que eu luto contra ele, escrevendo textos
gigantes e enchendo o saco de vocês, calouros e não
calouros, para se ligarem nesse contexto de servidão
coletiva e inconsciente. Vamos pensar, vamos discutir, vamos
construir uma alternativa social para esse futuro. Uma
alternativa em que o Estado seja o responsável pelo
bem-estar social e o “clima” seja de coletividade e não de
competição.
Refletir sobre esses vários aspectos da vida social, mesmo
quando somos engenheiros, médicos ou biomédicos, é a única
forma de evitarmos o que está por vir. Lembre-se de que se
você não pensar e desenhar seu futuro e o futuro social de
nosso povo alguém fará isso por nós e com os interesses dele
e não o nosso.
Finalizando, queria dizer que sei que a luta pela
sobrevivência diária nos tira grande parte do tempo para
pensar e planejar o futuro da sociedade. E isso também é uma
estratégia dos dominantes, perceba porque. Entretanto
insisto para que você não renuncie a pensar teu futuro e o
futuro da sociedade. Nos desfragmentando seremos muitos e
seremos fortes.
Resumindo e discutindo as idéias de Luiz
Carlos de Freitas sobre o contexto.
Cairo – Biomedicina 39
Abrolhos
Eram os tempos em que a imprensa buscava
mostrar a verdade, o real, sendo por isso obrigada a colocar
receitas de bolo, ou poemas nas colunas de jornal. Mas, o
que se vê hoje em dia é uma crise generalizada na mídia. Em
uma de suas edições, a revista “Carta Capital” já havia
comentado tal problema. Mas, qual tipo de crise estou
falando? Certamente não é a financeira, pois os grandes
conglomerados da mídia brasileira possuem muito
financiamento das empresas, através de publicidade. Chamo
essa crise de crise ideológica, ou seja, quando se lê uma
“Veja” ou um “Estadão” observa-se o vazio intelectual das
matérias ou se não, as posturas ocas anti-governo ou
pró-oligarquia brasileira. Parece que não há discussão.
Todos os veículos de massa parecem ter sempre a mesma
opinião, com uma ou outra diferença superficial mas acabam
dando costas à discussão, à informação real, ao
aprofundamento das questões.
Porque isto? Será porque as empresas exercem uma influência
direta na propalação da informação? Acredito em algo
diferente. Se observarmos os jornalistas que escrevem nos
principais jornais e nas principais revistas, podemos
observar que a maioria deles era de esquerda na universidade
e defendiam a visão da sociedade igualitária. Mas o que
ocorreu então? A revista Caros Amigos (edição 116), através
de Emir Sader comenta humoristicamente um guia para os
ex-esquerdistas, mas o que eles passaram a defender então? Á
quem estão a serviço? Não acredito na idéia de que os
jornalistas se venderam ou é o editor-chefe que quer só
vender mais e mais exemplares ou ter mais Ibope (O Jornal
Nacional nem precisaria disso, já virou parte da mesa
brasileira e se bobear até mais importante que o feijão) . O
problema é que muitos deles vivem uma realidade totalmente
diferente ao qual eles se propõem a escrever. Podem escrever
sobre ciência, mas não são cientistas e então são induzidos
ao erro. Denigrem a imagem e a ideologia de qualquer
movimento social de esquerda ou contrário ao governo
(coloquei aqui uma aparente redundância), pois não vivem a
realidade dos mesmos. Qual jornalista dos grandes meios de
comunicação vive entre os sem-teto, ou entre os sem-terra?
Qual deles tinha um irmão que virou “mula” do tráfico e se
tornou traficante? Qual deles vivia com um salário mínimo
por mês ou com falta de recursos para se manter na
Universidade? É necessário se viver a realidade para poder
opinar sobre a mesma de uma maneira verossímil, assim como
fez John Reed, em Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, que
viveu de perto a Revolução Mexicana e a Revolução
Bolchevique, retratando glórias e suas mazelas das
realidades vividas em cada um dos países. Há ínfimas
exceções.
Aliado a isso, podemos também observar a grande influência
do que vivemos hoje em dia, que é a tendência do pensamento
único, padronizado, ou seja, aquele pensamento oriundo da
Nova Ordem Mundial, a partir da queda do Muro de Berlim, em
1991, em que se valoriza o individualismo, a máxima eficácia
e o sucesso na carreira como fórmulas a serem seguidas para
se alcançar o sucesso profissional. As grandes corporações
mostraram-se mais transparentemente como uma força sobre a
sociedade, determinando padrões de consumo, de ética e de
lógica. Mas não diretamente. Isso vem sido feito e apoiado
através da venda do produto e a propagação de idéias e
valores que deveriam ser tidos para uma pessoa que vive no
melhor da sociedade atual. Somado a isso, há a repulsão de
idéias de que o Estado possui deveres e que estes devem ser
cumpridos, ou que o Estado é naturalmente incapaz de cuidar
do social, como se fosse uma instituição falida (veja que
temos o Estado desde a Antiguidade!) ou ainda que as utopias
de pensamento de uma sociedade mais justa e mais equilibrada
financeiramente são um fiasco, levando à conclusão que
miséria e injustiça social são processos inevitáveis.
É interessante controlar a opinião das pessoas de uma
maneira sutil pois, gota por gota, somos convencidos de uma
visão de mundo em que mercado é aquela mão invisível que
atua subindo ou baixando as bolsas de todo o mundo, com uma
reinvenção do laissez faire, laissez passare (deixe ser,
deixe estar) liberal, mas com os aprendizados de 1929 e o
Keynesianismo e que se traduz em bilhões de pessoas
trabalhando por centenas. Por outro lado, a informação de
massa bombardeia-nos a todo momento com simulacros de
sociedade, através da montagem de necessidades que não temos
(estimulando-se o consumo, e os que não podem consumir são
renegados à marginalidade da felicidade e da sociedade “top”)
e valores que não possuímos naturalmente, como um
individualismo exagerado, resultando disso uma alienação.
Alienação aqui é colocada como tanto o fato das pessoas não
saberem o que realmente ocorre com o mundo que a cerca assim
como a alienação no sentido da perda de poder de mudança de
sociedade que o cidadão tem (neste sentido, parafraseando o
livro “Depois do Capitalismo”, de Seymour Melman, que
discute a democracia no ambiente de trabalho como uma forma
de desalienação).
O próprio Milton Santos, um notável sociólogo brasileiro,
alertou-nos através do que se chama de “globaritarismo”,
devido à ideologia de consenso, do pensamento coletivo
comum, firmemente ligado à globalização, eliminando qualquer
forma de debate.
Extendendo isto ao Brasil, o que temos são que os grandes
conglomerados da mídia controlam toda a informação no país!
Não há grupos fortes independentes, que afirmam uma postura
crítica sem no entanto cair no “sou do contra”.
A mídia, a imprensa infelizmente possui essa realidade, esta
condição. A minha humilde opinião não foi feita ao acaso.
Percebi que, em um momento, as coisas não eram tal como
aquilo que aparecia nos jornais, principalmente no que se
diz à Universidade. Comecei a ver que os jornalistas tem uma
visão deturpada do que é ser estudante de uma Universidade
hoje em dia, já que quem reinvidica seus direitos é tido
como fascista ou vagabundo ou perseguidor.
É necessário abrir os olhos!
Erik – Biomedicina 38
As Reformas do Estado
B r a S i L e i R o
Estamos vivendo a época da Reforma do
Estado e nesse contexto, a Universitária. São as famosas
“reformas que o Brasil precisa” que vários candidatos
professaram fazer como se fossem coisas boas. São todas de
caráter elitista e neoliberal, sendo que se implantadas no
Brasil provocarão a maximização da desigualdade social a
níveis ainda maiores do que os atuais, que já são
inaceitáveis. Parte da Reforma Universitária, por exemplo,
já foi aprovada e parte do que se queria com ela, a
transferência do poder e dever da educação do Estado para as
empresas de educação, já foi conseguido. Quando engessaram
os investimentos do Estado em educação durante os governos
da década de 90 e se facilitou de forma inacreditável a
criação de universidades, faculdades, institutos de ensino e
até centros universitários no quintal de algumas casas, o
que se estava fazendo era essa Reforma Universitária que
prevê, como já dito, a mercantilização do Ensino Público
transformando-o em mais um ramo da atividade comercial.
As atuais Reformas do Estado, e também a Universitária,
sempre vêm acompanhadas de alardes falaciosos de que elas
trarão melhorias a vida do cidadão e são necessárias para a
modernização do país. Na verdade todas essas reformas fazem
parte de uma reestruturação do Estado que é ditada do norte,
pelos Organismos “Multilaterais”, para o sul, visando
diminuir ao máximo o poder do governo em detrimento ao poder
das empresas e da “livre iniciativa”. Um Estado sem o poder
de regulação do mercado e o direito de educar seus cidadãos
facilita o avanço das multinacionais sobre os mercados em
desenvolvimento para que assim possam manter seus níveis de
incremento de lucro, o que fará com que as ações se
valorizem, alimentando o surreal mercado acionário.
Ainda tentando contextualizar as Reformas, em especial a
Reforma Universitária, comentarei alguns mecanismos de
privatização que fazem parte dessa conjuntura que nos cerca
e dita todas essas reformas. As famosas Parcerias
Público-Privadas (PPPs) são parte da estratégia neoliberal
da tomada do poder do governo e estão de forma muito clara
presentes nesse projeto de Reforma Universitária do governo.
A política das PPPs é o eixo central da transferência dos
deveres, e do lucro, do Estado para a iniciativa privada.
Algumas conseqüências desse processo já foram comentadas e
outras ainda o serão ao longo do texto. Não devo ficar
comentando o papel do Estado em defender os mais pobres e
regular o mercado porque parece até óbvio que seu
enfraquecimento tornará os mais necessitados ainda mais
servos do capital. A fim de ilustrar o que significa uma PPP,
que é política assumidamente neoliberal, devemos notar que
seus inventores, os ingleses da ex-ministra Thatcher, vivem
num dos países da Europa Ocidental em que a taxa de
desigualdade mais aumentou. Se fizermos uma análise de IDH e
riquezas dos países “desenvolvidos” do norte, veremos que
onde se implantou políticas neoliberais como as PPPs agora
se colhe relativamente os menores índices de desenvolvimento
humano e, ao contrário do que professam os neoliberais,
esses países não se tornaram mais ricos do que outros de
tradição mais social-democrata como França, Alemanha e
Suécia, por exemplo. Vejamos então os resultados: nos países
de neoliberalismo mais voraz o que se vê é aumento da
desigualdade e taxas instáveis de crescimento financeiro.
Isso prova que a política neoliberal, privatista,
minimizadora do Estado é mais capciosa do que verdadeira.
Trata-se de um conceito enganador de que sem regulamentação
e com mais liberdade para os “negócios” o país fica mais
rico. Na verdade a desregulamentação só promove a autofagia
do mercado o empobrecimento da população e do país. Mas
enfim, é essa política que alguns países ricos tentam impor
aos mais pobres como o Brasil e é contra essa política que
nós, estudantes e esclarecidos que não concordam com ela,
lutamos.
E qual a importância da Educação em todo esse processo que
os órgãos neoliberais querem programar no resto do mundo?
Será que há alguma ligação entre os interesses neoliberais e
as crises econômicas mundiais da década de 90? Essas crises
fizeram com que os países subdesenvolvidos corressem ao FMI
(entre eles o Brasil) para pedir empréstimos, o que deu a
oportunidade ao FMI de sujeitar seus empréstimos ao
“enxugamento do Estado” que nada mais é do que a
implementação da política neoliberal. No “enxugamento do
Estado” estão inseridos os cortes de gastos sociais e as
reformas que os governos brasileiros tentam realizar e nesse
aspecto o governo Lula é muito bom, já que ele realiza todas
as reformas neoliberais sem que quase ninguém o questione e
ainda por cima, leva o apoio de grupos tradicionais de
esquerda, como grande parte da UNE e CUT. Deve ser por isso
que Bush tanto admira o Lula. Em síntese, não há
coincidência em geopolítica e essas medidas estão inseridas
numa estratégia etapista de desmantelamento do
Estado-Providência, que é aquele que provê seus cidadãos de
saúde, educação, emprego, lazer e outros direitos sociais.
O que perguntei, no início do parágrafo anterior, tentarei
complementar agora. A educação é o principal foco de
resistência à política de neoliberalização do Brasil, já que
é por meio dela, e talvez só por meio dela, que os cidadãos
brasileiros saberão em qual processo ela está inserida e
qual será o fim que ela nos levará. Controlando a educação,
poderão “selecionar” o que é mais importante na formação
acadêmica de um estudante: o senso crítico e a formação
profissional ou o senso competitivo e a formação técnica,
sendo que esses últimos são parte da receita neoliberal de
alienação dos estudantes. Mas não devo ficar escrevendo
sobre tudo ou o texto ficará ainda mais longo. Então espero
tê-los situado no contexto das Reformas, em especial a
Universitária e espero ter levantado uma idéia de para que
elas vêm. Resumindo: ela vem para transferir a educação do
Estado (que representa o povo, ou em tese deveria
representar) para a iniciativa privada, transformando-a em
mais um ramo de mercado e obtenção de lucros.
Falando mais especificamente da Reforma Universitária atual,
notamos que o governo vê nela inúmeros benefícios. Na
verdade ela pode trazer um só benefício que na verdade nem
necessitaria de um projeto abrangente para ocorrer: a
deselitização, que engloba a expansão e a democratização do
acesso. Mas se bastaria um projeto de lei específico para
esse fim, o da deselitização, por que o governo quer fazer
um muito maior que abrange transferência de verba pública
para o meio privado, diminuição da autonomia universitária,
parcerias público-privadas e outras amarguras menores? Só
pode ser porque mesclando avanços com retrocessos fica mais
fácil de empurrar os retrocessos no povo, sendo que os
avanços podem ser suspensos posteriormente, como muito se
faz hoje. Lembrem-se que nosso congresso é um balcão de
negócios políticos e econômicos e é ele quem emenda e
modifica os projetos de lei. No entanto devemos voltar à
reforma e esquecer essas mazelas políticas.
O governo chega a ressaltar cinco motivos que justificariam
a Reforma. Para o texto não ficar grande vou comentar o
primeiro: “Reformar para fortalecer a Universidade Pública”.
Em seguida vem um texto que critica o mercantilismo no
ensino superior ocorrido na década de 90. Observem que
dentro dessa reforma, que na verdade não é de um governo só,
e sim de vários, está inserida políticas de isenção fiscal
para instituições privadas e também a política do ProUni. É
claro que o ProUni analisado em caráter de programa
emergencial é, quiçá, justificável. Mas se analisado
tecnicamente, trata-se de um programa para transferir o
dever do Estado, de dar educação, a setores privados. Isto
também é privatização. A do direito do povo.
O mesmo governo que se diz contra a privatização promove uma
reforma no contexto neoliberal; no contexto das Fundações
“de Apoio” que vieram para preencher o espaço deixado pela
falta de financiamento à educação pública aconselhada pelo
FMI ao Fernando Henrique e seguida até hoje; no contexto das
Organizações Sociais que administram muitas vezes o que
deveria ser administrado pelo Estado; no contexto em que
indústrias querem ajudar a Unifesp a construir prédios, sem
nenhum interesse financeiro, é claro; no contexto em que
coordenadores de cursos ou campus são assessorados por gente
de indústria farmacêutica. E as Reformas, incluindo a
Universitária, vêm para legalizar tudo isso.
Nosso papel como estudantes é questionar o governo, é avisar
a população, é lutar pela manutenção e ampliação dos
direitos dos cidadãos e deveres do Estado. Peço que entendam
que quando falo governo não trato de apenas um ou dois
partidos, mas sim da trupe inteira formada por governo e
“oposição”... mas essa é outra longa história. Como eu
dizia, somos praticamente o último, porém poderoso, foco de
resistência e se ajoelharmos, como fizeram alguns setores da
UNE, a sociedade, mesmo a de direito, sucumbirá à ditadura
aberta do capital.
Discuta esses assuntos com teus amigos e colegas e busque se
informar em outras fontes independentes para que assim você
construa suas idéias e conclusões. Procurem na internet. Lá
também tem bons textos. Procurem no DCE, no site do DCE, ou
nos grupos de formação política do DCE. Converse conosco,
nos visite, enfim. Acho que até já escrevi demais e mesmo
assim falei muito pouco do que eu queria falar a vocês.
Perdoem-me pelo tamanho do texto e pensem sobre tudo isso
que conversamos. Grande abraço e mais uma vez, parabéns a
cada um de vocês por mais essa vitória nas suas vidas: a do
ingresso na universidade pública brasileira.
Cairo – Biomedicina 39
A UNE e a partidarização do
Movimento Estudantil
Todo mundo já deve ter ouvido sobre o
papel dos estudantes durante a ditadura militar, a campanha
pelas Diretas Já e deve se perguntar por que hoje, que
teoricamente seria mais fácil fazer manifestações, não se
ouve falar muito de movimento estudantil.
Não tenho pretensão de responder essa pergunta, que
apresenta inúmeros fatores como resposta (lógica
individualista da sociedade, comodismo, descrença, falta de
um inimigo comum que aglutine todos, etc.), mas quero
abordar um desses fatores nesse texto, que é a conjuntura
atual da nossa UNE (União Nacional dos Estudantes).
Depois do término da ditadura, não havia mais um fator
unificador do movimento estudantil e esse mesmo passou a se
fragmentar em diversas instâncias. Assim, além dos Centros
Acadêmicos que já existiam, ocorreu a proliferação dos DCEs
e das Executivas de Curso (que congrega todos os estudantes
de um determinado curso). Nesse mesmo período, alguns
partidos perceberam o enorme peso político da UNE e passaram
a aparelhar um determinado grupo de estudantes para ter o
domínio da entidade.
Dando um enorme salto para os dias atuais, ainda hoje a UNE
é disputada por esses grupos de estudantes com partidos
políticos por trás, sendo que hoje a complexidade dessa
disputa ainda é maior. Assim, hoje temos como grupo
majoritário da UNE a União da Juventude Socialista
(financiada pelo PC do B), e como oposição diversos grupos
do PT (articulação, kizomba, etc.) além do surgimento de
grupos financiados por partidos de direita (PSDB e PFL); já
existem até determinados grupos políticos que não acreditam
mais na legitimidade da UNE, como é o caso do CONLUTE
(articulado com o PSTU).
Devido a essa realidade acima exposta, a UNE está muito mais
para defender os interesses do PC do B do que dos estudantes
e isso vem ficando claro em algumas questões polêmicas, como
a Reforma Universitária (que foi apoiada pela UNE, apesar da
posição contrária da maioria dos estudante). A consequência
disso é que os estudantes passaram a desistir da disputa da
UNE, simplesmente a consideraram falida e abriram mão de
tudo que a entidade pode representar, tornando até mesmo os
fóruns de participação facilitada em espaços esvaziados,
caso do CONEB (Conselho de Entidades de Base, formado por
CAs e DAs) e do CONEG (Conselho de Entidades Geras, formado
por DCEs e Executivas).
O intuito desse texto é apenas informar sobre o que está
acontecendo, omitindo muitos fatos por falta de espaço, mas
possibilitando que algum estudante se interesse e organize
em seu CA ou no DCE uma forma de ocupar os espaços da UNE
com mais qualidade, para evitar que uma minoria seja
legitimada por uma maioria que mal sabe o que está
acontecendo e simplesmente considera a UNE inexistente. A
UNE não só ainda existe, como possui uma fácil via de acesso
com o Governo Federal e Movimentos Sociais e que por esses
motivos precisa ser DISPUTADA.
Avelino – Medicina 71
A privatização da
Universidade Pública
Esse não é o único texto nesse jornal que
fala sobre a privatização da Universidade Pública. Muitos
outros textos, com outros temas, falam muito sobre a
privatização das nossas universidades. E não é por acaso.
Desde a década de 90 como vocês sabem estamos sendo
desmontados. Não há como negar.
Grosseiramente poderíamos classificar a privatização em três
categorias: privatização do acesso á universidade, a
privatização da finalidade da universidade e a privatização
mista (que é um mix das duas ou as duas completamente).
Sob a ótica dos privatistas, cada uma tem seus benefícios. E
sob nossa ótica cada uma traz inúmeros e graves malefícios à
população brasileira. A privatização do acesso, por meio das
universidades privadas e mais recentemente pelo ProUni,
serve para transformar o acesso á educação, geralmente de
baixa qualidade, em mais um ramo de mercado. Os donos e
gestores desenham uma estrutura para arrancar dinheiro dos
estudantes, escravizar os professores e enganar a sociedade.
Nessas “escolas” não há material adequado para aulas
práticas, não há o ensino associado à pesquisa e extensão e
muitos outros problemas que não vou citar aqui. No Brasil é
muito freqüente as pessoas não conhecerem seus direitos e os
estudantes não fogem a isso, não conhecendo qual “educação”
realmente deveria lhe ser oferecida.
As universidades de acesso privatizado também têm a
finalidade privatizada, quando conseguem ter alguma
finalidade que não enganar as pessoas e tirar-lhes o
dinheiro. Essa finalidade que falo significa o que a
universidade faz para a sociedade tanto na graduação quanto
no fornecimento de cidadãos modificadores e construtores da
sociedade. Se uma universidade não modifica em nada a
sociedade durante a graduação dos seus estudantes e não
consegue formar um graduado com capacidade para transformar
e construir a sociedade de acordo com os interesses da
sociedade e do indivíduo (não podemos negar que existe esse
interesse) ela não tem finalidade nenhuma a não ser a de
surrupiar as pessoas.
A privatização da finalidade é o que vemos atualmente dentro
de muitas universidades públicas. Essas podem ser
subdivididas em dois tipos: a que serve para formar
mão-de-obra para fazer lucrar um dono de empresa e a que
serve para fazer pesquisa para as indústrias. O segundo
subtipo parece menos grave, mas não é. Caracteriza, além de
privatização, transferência de dinheiro publico para a
iniciativa privada. Ao terminar essa frase eu até imagino os
“burgueses reacionários” a desqualificando... mas não há
como negar fatos. É só parar pra analisar e constataremos
que não cometi nenhum exagero. As universidades de acesso
“público” e finalidade privada têm a estrutura de
privatização mais complexa, porque precisam burlar toda a
fiscalização do ministério público e dos órgãos
fiscalizadores, já que são de direito público, financiadas
pelo povo.
É nesse contexto, e no da falta de financiamento por parte
do governo, que surgiram entes como as fundações de apoio
(ditas de apoio), as OSS (que são organizações não públicas
e não submetidas às obrigações dos entes públicos mas que
podem administrar bens públicos com lógica privada (são
empresas “sem fim lucrativo”, mas com lógica privada
administrando bens públicos, ou seja, privatização)) e as
incubadoras pra falar só de algumas. A Unifesp tem quase
tudo, mas aqui é tudo bonito e maravilhoso.
As universidades privadas mistas estão em expansão. Existem
, por exemplo, cursos de especialização que são ministrados
dentro das dependências da nossa gloriosa Unifesp e são
particulares. Nem vou falar o que diz a constituição sobre
esses casos para não criar polêmica demais.
Os defensores dessa política dizem: “Ah! Qual o problema de
ministrar cursos pagos dentro da Unifesp se estamos
aproveitando a estrutura ociosa? A Unifesp também precisa de
dinheiro!”. Eu ouvi isso de um Pró-Reitor numa aula de Temas
de Pós-Graduação do meu curso. É claro que eu respeito a
opinião de todos, mas se fossemos discutir não haveria como
o professor argumentar. Como podemos cometer o despautério
de dizer que há estrutura ociosa numa universidade pública
como a Unifesp num país como o Brasil, onde muitos querem e
poucos podem? Por que ao invés de dar cursos pagos, não
abrimos novas vagas públicas de graduação? Qual a finalidade
da Unifesp? Ganhar dinheiro e servir de meio para ganhos
extras para professores ou fornecer conhecimento e ciência à
sociedade e transformá-la?
Existe uma forte inversão de valores e só quem pode mudar
isso somos nós, estudantes, porque ainda temos o contato com
a realidade, nós ainda (e eu pretendo nunca fazer isso) não
nos isolamos no castelo de nós mesmos fechando os olhos para
a pobreza que nos cerca. Não há como não ver! Na saída desse
mesmo anfiteatro que eu tive a aula que esse professor disse
aquela frase, há sempre grandes filas de pessoas esperando
atendimento de um médico oftalmologista. Pessoas
financeiramente sensíveis e que têm que se submeter ao
levantar de madrugada pra conseguir um direito que deveria
lhe ser fornecido em casa. É muito incompreensível pra mim.
É dadaísta, no mínimo. É triste.
Vamos ver se conseguimos mudar esse jogo. Eu sozinho posso
fazer muito pouco, só buscar mobilizar vocês para que juntos
e horizontais, possamos fazer algo maior: a transformação.
Cairo – Biomedicina 39
Reforma Universitária
Vocês transpassaram um obstáculo na vida
e agora estão em uma Universidade, e nesse momento, nada
melhor de falar da Reforma Universitária que vem sendo
implementada desde 2004 (ou será que antes) e está em
processo de conclusão.
Antes de falar do que está acontecendo hoje, vamos a um
pequeno resumo do que já aconteceu. Por muito tempo, as
regras da educação superior não eram modificadas e por isso,
havia um consenso de estudantes, professores, funcionários e
governo da necessidade de uma reforma.
Assim, em 2004 surgiu a primeira versão do anteprojeto da
Lei Orgânica que alteraria a Educação Superior, só que o
teor desse documento foi bastante criticado, já que muitos
setores o consideravam neoliberal e de lógica mercadológica.
Nesse período, de intensa pressão social, com inúmeras
manifestações dos diversos setores da sociedade, inclusive
estudantil, apesar da UNE ter se colocado favoravelmente,
mas a UNE é assunto para outro texto deste jornal.
Nesse contexto, o governo utilizou duas estratégias para
aprovar esse projeto: a fragmentação e a “ditadura das
medidas provisórias". Dessa forma, os assuntos de maior
polêmica do projeto foram retirados da Lei Orgânica e
passaram como mediadas provisórias, podendo citar as leis de
Inovação Tecnológica e Parcerias Públicas – Privadas, que
transformam a Universidade em um simples prestador de
serviço do capital privado, colocando uma lógica de mercado
forte na instituição, afastando a Universidade ainda mais da
sociedade. Outra “parte” que passou por MP foi o projeto de
inserção universitária, ou seja, o PROUNI, que é um projeto
de inserção que não pensa em permanência, centrado nas
instituições privadas de Ensino Superior, que serviu para
mostrar a influência dos grandes empresários da educação
nesse processo.
Depois desse rápido e incompleto resumo, vamos a situação
atual. Você deve pensar que já que tudo que era ruim passou
por medida provisória, que agora a lei orgânica teria poucos
problemas, o que infelizmente não é verdade. Esse
anteprojeto, que já está em sua quarta versão, ainda não
tocou em três assuntos cruciais que precisam ser
modernizados nas universidades: a lei de mensalidades, a
assistência estudantil e políticas de permanência, além da
democracia interna das IES (instituições de Ensino
Superior). Nesse momento, percebemos uma incoerência desse
processo, já que a política de acesso está centrada nas
instituições privadas, no entanto, não se toca na Lei das
mensalidades e a única assistência estudantil prevista é uma
bolsa trabalho, fazendo desse estudante mão de obra barata e
não permitindo que ele aproveite a Universidade como um todo
(ensino, pesquisa e extensão), mostrando que nada que
desagrade o Capital da Educação terá voz nesse projeto. Por
fim, a democracia interna não avança nada, já que poucas
privadas apresentam participação estudantil nos fóruns de
decisão e as públicas estão alicerçadas em uma porcentagem
irrisória de estudantes e funcionários, sendo uma falsa
democracia.
Para terminar, esse texto foi só um apanhado geral de um
assunto enorme que influenciará vocês diretamente, portanto,
caso queira saber mais, procure o DCE ou seu Centro
Acadêmico.
Avelino – Medicina 71
Uma Carta à Juventude
Congratulações, calourada!
Passado o aperto, sejam bem vindos à universidade. Logo,
passarão a estabelecer seus conceitos próprios para toda uma
série de termos e siglas que cansarão de ouvir por esses
dias. Até mesmo o próprio conceito de “universidade”...
Aqui, tentarei falar um pouco sobre algo que provoca paixões
(como no meu caso): o movimento estudantil.
O Movimento Estudantil nada mais é que um movimento social,
ou seja, uma ação coletiva de caráter contestador, no âmbito
das relações sociais, objetivando a transformação ou a
preservação da ordem estabelecida na sociedade. Neste caso,
militam os estudantes, especialmente os universitários e
secundaristas, em prol de pautas específicas e outras mais
abrangentes (no tocante de um projeto de sociedade).
Na atual conjuntura, o movimento estudantil relaciona-se com
uma coletividade de movimentos sociais, em todos os âmbitos
(municipal, estadual e federal), que lutam por mudanças
profundas na realidade em que se encontram inseridas, por
entenderem que esta ordem político-econômica não é justa.
Para tanto, cabe aos militantes do movimento estudantil
associar suas pautas especificas (em sua maioria pertinentes
às questões educacionais) com as pautas da sociedade (como
diria o sociólogo Florestan Fernandes, “ou os estudantes se
identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a
mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso,serão
aliados daqueles que exploram o povo”).
Como toda luta é composta por dois lados, as entidades
conservadoras (aquelas que pregam a conservação das forças
que estão no poder) utilizam-se de instrumentos alienantes
para desmobilizar ou deslegitimar os movimentos, vendendo
suas imagens como as de verdadeiros criminosos (como se
fosse crime brigar pelos seus direitos constitucionalmente
garantidos!). É fácil exemplificar esta atuação: Quando
vemos na Globo imagens dos estudantes brigando com a policia
e o repórter “esquece” de dizer que a manifestação era
contra a redução das passagens de ônibus e que iniciou de
forma pacífica.
No que se refere à nova realidade de vocês, vivemos um
momento de alienação, não só dos universitários, mas da
juventude como um todo: o sistema “massifica” a juventude,
tratando a todos como uma coisa só que ainda é muito imatura
para tomar decisões e opinar acerca dos caminhos do país.
Mas, cá entre nós, quem melhor do que os próprios
estudantes, usuários do serviço, para debater a estrutura da
educação? E dessa relação, decorrem outras tantas, porque
cada “estudante”, continua sendo cidadão com direitos a
saúde, trabalho, habitação, transporte, coisa e tal, e com o
dever de lutar pela garantia de qualidade e acesso a todos
esses serviços.
Contribui para a desmobilização o fato de que, entidades
outrora representativas e que conduziam a luta estudantil
(como a UNE), encontram-se nas mãos de grupos que submetem o
debate e a construção coletiva, assumindo decisões muitas
vezes discordantes da grande maioria, mas que coadunam com
propósitos político-partidários. Tipo assim: uns e outros
abandonam bandeiras do movimento estudantil em função da
opinião do partido, como vem acontecendo com a tal da
reforma universitária, da qual vocês ainda ouvirão falar
muito. E isso significa que o problema não está nas
entidades ou nos partidos, mas na interpretação que alguns
têm desses organismos.
Por outro lado, momentos de crise, ao mesmo tempo que têm
sua porção perturbadora, trazem consigo um grande poder de
renovação e transformação.
Se a luta continua, é porque há razões e pessoas. E as
pessoas, somos todos nós.
Trotsky (desse vocês se lembram, né?), em 1938, escreveu um
artigo intitulado “Uma Carta à Juventude” em que conclama a
juventude a aproveitar de sua energia e entusiasmo em causas
que contemplem a sociedade em sua maioria, inclusive um novo
projeto de sociedade (socialista). Destaca, entretanto, que
para canalizar essa força de luta, são necessárias a
reflexão, o debate e troca das experiências acumuladas.
Cada um saberá a dor e a delícia de ser universitário... E
nesse processo, o Diretório Central dos Estudantes coloca-se
à disposição para promover as trocas necessárias para a
construção de uma nova sociedade.
Saudações revolucionárias,
Fernanda Senna - Fonoaudióloga
Estatuinte Já!!!
O Conselho de Entidades da Unifesp, que é
formado pelo Diretório Central dos Estudantes, Associação
dos Pós-Graduandos, Sindicado dos Trabalhadores
Técnico-administrativos, Associação dos Docentes e
Associação dos Médicos Residentes, realizou um Congresso em
outubro, como vocês podem ler melhor no texto que fala sobre
o Congresso, que foi o I Congresso da Unifesp.
Uma das principais deliberações desse Congresso foi a
campanha da Estatuinte Já!!! que visa compor uma comissão
estatuinte de composição com paridade entre estudantes,
professores e técnico-administrativos para a elaboração de
uma nova carta estatutária para a Unifesp. A reforma do
Estatuto da Unifesp é indispensável, como era a do DCE (que
já realizamos, somos mais sagazes :D ) e por isso exigimos o
começo da reforma do Estatuto da Unifesp já esse ano e
também exigimos o mínimo de 30% de composição estudantil na
comissão estatuinte.
A nossa atual estrutura é monárquica. O Conselho
Universitário (CONSU) é formado em sua maioria por
professores que não foram eleitos, ou seja, democraticamente
é um CONSU ilegítimo. Não que os professores titulares não
mereçam toda nossa consideração, admiração e respeito, eles
merecem. Mas deve existir outra forma de reconhecer todo o
mérito dos professores titulares que não os ceder uma
cadeira cativa e vitalícia no CONSU. Para quem não sabe
professor titular é aquele que já fez muita cosia pela
universidade, que desde muito tempo dá aula e contribui para
a construção de uma Unifesp melhor, segundo seus pontos de
vista. São realmente profissionais admiráveis. Mas como eu
disse, o CONSU não é a melhor recompensa.
Na visão do DCE, como discutido na construção da tese de
democracia interna para o I Congresso da Unifesp o Conselho
Universitário deveria ser composto paritariamente por
professores (25% da composição), técnico-administrativos
(25%), estudantes (25%) e controle social (25%). Seria o
CONSU democraticamente mais avançado do Brasil. Entretanto
temos idéia da dificuldade que seria implantar algo como
isso, ainda mais tendo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB)
garfado grande parte da autonomia universitária com aqueles
escandalosos 70% de peso de voto para professores.
O que queremos é a Estatuinte Já!!! e lá poderemos discutir
qual seria a composição ideal para o Conselho Universitário
da nova Unifesp. Agora vocês já tem noção sobre como
funciona burocraticamente a Unifesp, como os estudantes
podem lutar pela melhoria da Unifesp e como é a “democracia”
atualmente por aqui.
E mais uma vez, parabéns calouros! Vocês deram um importante
passo na vida.
Cairo e Raquel – do DCE
“Lojinha do DCE”
Um dia, querida(o) caloura(o), você
precisará comprar algumas coisas para usar em sua graduação
ou sobre o seu corpo com os nomes e marcas do DCE-Unifesp ou
simplesmente da Unifesp. Então você não saberia onde
encontrar esses produtos se não fosse esse pequeno texto
informativo que fala dessa gloriosa e valente Loja: a
lojinha do DCE. Ela fica sobre o Banco do Brasil, pertinho
do CUJA, do DCC do Farmacinha entre outros departamentos e
projetos de extensão. Infelizmente ainda só temos a lojinha
no campus de São Paulo, então vocês que não estudam em São
Paulo terão de se mobilizar para ir até lá e dar uma olhada
nos produtos. É claro que você não vai em Sampa só para
olhar produtos da lojinha, venha com seus colegas e
aproveite para passar no DCE e conversar conosco. Mas nos
avise antes da sua vinda ou então você corre o risco de não
nos encontrar de plantão no DCE. Sabe como é... também temos
aula.
Na lojinha do DCE vende avental, caneta, blusa, mochila,
caneta, lápis, estojo e algumas coisas variadas relacionadas
à vida acadêmica. Apareça! E esse foi um texto informativo e
não publicitário.
Entre em contato com o DCE para saber
como a nova estrutura regida pelo novo Estatuto permite a
criação de diretorias parciais do DCE para cada campus !!!
A União Nacional dos
Estudantes
Mais conhecida pela “carteirinha do
estudante” do que por suas lutas históricas, as entidades
estudantis nacionais representam muito mais do que o mero
benefício de descontos para estudantes em atividades
sócio-culturais.
Os calouros que lêem este Manuscrito, a partir do momento de
sua matrícula na universidade, deixam de ser representados
pelos quadros políticos da União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas (UBES), afinal não mais pertencem ao Ensino
Médio. Logo, não iremos analisar, neste texto, a atuação da
UBES, e sim da entidade que irá representá-los, no âmbito
nacional, durante o período de graduação de vocês, a União
Nacional dos Estudantes (UNE).
Muito citada nos livros de história do Brasil por sua
participação ativa num recente período obscuro da política
nacional, a UNE lutou ativamente pela redemocratização e
pelo fim da intervenção dos militares na universidade
brasileira, além do apoio às campanhas desenvolvimentistas,
nacionalistas e éticas, tal como a campanha do “Petróleo é
Nosso”, que resultou na criação da Petrobrás, na década de
50, e a manifestação dos “caras-pintadas”, que culminou com
o impeachment de Fernando Collor.
Hoje, a função dessa entidade, que completa 70 anos em 2007,
é difundir a cultura tupiniquim, proporcionando através da
BIENAL DE CULTURA DA UNE o contato entre as manifestações
artístico-culturais das cinco regiões brasileira, e
principalmente LUTAR PELAS NECESSÁRIAS MELHORIAS DE
CONDIÇÕES DO ENSINO SUPERIOR, tal como a tão falada Reforma
Universitária.
Esta reforma tem sido objeto de divergências entre os
diversos campos políticos que militam no ME denominado GERAL
(possuidor de um caráter mais genérico do que o denominado
ME de ÁREA, que reivindica as questões especificas de cada
curso).
Aliás, não é só a Reforma Universitária que tem sido objeto
de divergência. A própria conduta da UNE em relação a esta
pauta, considerada a pauta máxima do movimento, é objeto de
críticas severas pelos campos mais desenvolvimentistas do
ME.
Comandada pela UJS (União da Juventude Socialista), grupo
vinculado ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil), a direção
nacional da UNE assumiu uma postura muito menos propositiva
e combativa do que se esperava neste momento histórico.
Devido ao fato de estar vinculada a um partido da base
aliada do Governo Federal, a UNE assumiu uma posição
extremamente governista, quando defendeu o Pro-Uni, deixando
de lado algumas de suas bandeiras históricas, tal como a
luta pela Universidade Pública, Laica, Gratuita e de
Qualidade para todos.
Este assunto atinge você diretamente, caro leitor!
Contudo, o ano de 2007 pode representar uma mudança nos
ventos que conduzem esta jangada, vez que, neste ano,
ocorrerá o 55º CONEG (Congresso Nacional das Entidades
Gerais) e o 50º CONUNE (Congresso da UNE), eventos que
contarão com a presença do DCE-Unifesp.
O CONEG é a assembléia que determina como serão as eleições
para a diretoria da UNE, que tem mandato de 2 anos, e o
CONUNE é a assembléia que elege a nova diretoria e
estabelece as diretrizes para o cumprimento do mandato, ou
seja, estabelece as linhas políticas que a UNE representará
perante o Governo Federal.
Por isso, caro estudante, chegou a hora de ingressar nesta
instância, que também pertence à sua vida acadêmica, com o
mesmo vigor que foi utilizado para romper a barreira do
vestibular, e brigar por uma universidade com a sua cara.
Para tanto, mantenha-se informado sobre as datas dos
congressos e sobre as teses que serão apresentadas nos
mesmos. Reivindique junto ao DCE que se promova discussões
sobre as teses para que seu voto seja consciente, pois,
agora, ESTA UNIVERSIDADE TAMBÉM É SUA!
Ivandick Rodrigues dos Santos Jr.
Acadêmico de Direito da Univ. Mackenzie
Notícias e Derivados
I Congresso da UNIFESP
Aconteceu em outubro, nas dependências da
Universidade, o primeiro Congresso das Entidades
Representativas da UNIFESP. Esse congresso foi totalmente
baseado na discussão e aprofundamento de três temas
fundamentais para o crescimento da UNIFESP: expansão,
democracia interna e privatização do ensino superior.
Esse congresso é um anseio antigo das entidades (ADUNIFESP,
SINTUNIFESP e DCE) e começou a ser mais bem articulado no
início de 2006, com a APG agregando – se a construção. Foram
meses de planejamento e árduo trabalho, tudo para que o
evento conseguisse ter o impacto que as mesmas esperavam.
E o DCE cumpriu muito bem seu papel pré – congresso,
construindo uma tese avançada sobre Democracia Interna
dentro da UNIFESP (caso queira conhecê-la, passe nas
dependências do DCE), mas o principal mérito do DCE foi
encarar o desafio de tentar unir dois braços dessa
universidade. Assim, tivemos inúmeros delegados do campus de
Santos, o que garantiu o aprofundamento da discussão sobre
expansão e assistência estudantil.
Por falar em Pré – Congresso, ocorreram duas mesas antes do
congresso propriamente dito, uma sobre expansão e a outra
sobre OSS (organizações sociais em saúde); sendo que as duas
foram riquíssimas e quentes, sempre mostrando os dois lados
das questões.
Mas vamos falar do congresso que foi estruturado em três
dias. No primeiro dia, tivemos a abertura solene e uma mesa
sobre Reforma Universitária, com representantes das três
classes (docentes, funcionários e estudantes), que
proporcionou uma discussão ampla sobre o contexto histórico
e social em que as universidades estão inseridas hoje. No
segundo dia, que foi o mais importante do congresso, tivemos
três mesas de discussão , uma sobre cada um dos grandes
temas do congresso, o que garantiu o aprofundamento de todos
os presentes sobre os temas, além de revelar diversas falhas
no processo administrativo da UNIFESP e no projeto de
expansão. Após as mesas, ocorreram os grupos de trabalho, em
que se garantiu que houvesse mistura entre as classes, com
todos os grupos contando com a presença de docentes,
funcionários, pós – graduandos e graduandos. O objetivo
desses grupos era tirar propostas que seriam votadas na
plenária do dia seguinte. O último dia foi o momento
deliberativo, com cada classe contando com 60 delegados,
totalizando 180. Como nem todos puderam estar presentes,
mais uma vez o DCE se destacou pela mobilização, já que os
estudantes eram a classe mais numerosa na plenária.
Com o fim do congresso, começamos a tocar seus
encaminhamentos e lutar por seus anseios, assim, as classes
se comprometeram a lutar por uma reforma ampla dos nossos
órgãos colegiados (ESTATUINTE JÀ), para garantir que a
expansão seja melhor planejada e executada e posicionaram se
contrária às OSS e ficou o compromisso de repensar as
fundações da apoio. Mas com certeza, o grande ganho do
congresso foi sua visibilidade e seu impacto imediato, visto
que depois do mesmo, a reitoria que estava estagnada
organizou um outro congresso, exatamente sobre os mesmos
temas, mostrando que as entidades mostraram as feridas da
instituição, sendo agora obrigação de todos curá – las.
Avelino Z. Caetano – Medicina 71
Fórum “Novos Caminhos da
UNIFESP”
Em 8 e 9 de dezembro de 2007 aconteceu o
fórum “Novos Caminhos da UNIFESP”, realizado pela
Pró-Reitoria de Extensão com o objetivo de construir
coletivamente algumas propostas que traçariam os caminhos da
Universidade. Esse fórum acompanha a proposta do Congresso
de Entidades realizado em outubro deste mesmo ano, a de
discutir sobre o presente e o consequente futuro da UNIFESP.
Foram tratados os temas “Fundação de Apoio”, “Expansão da
UNIFESP” e “Gestão Universitária” em mesas compostas por
docentes e administradores. Foi um fórum de professores para
professores, pois além de ser realizado durante o período de
férias da maior parte dos graduandos, o DCE e a APG
(Associação de Pós-Graduandos) foram convidados (durante o
fórum) para participar apenas como debatedores e não como
expositores, tendo, portanto, menor possibilidade de
expressar seus posicionamentos.
No primeiro tema, “Fundações de Apoio” as fundações foram
tratadas pelos palestrantes como uma boa solução para os
problemas da Universidade, como financiamento,
burocratização, etc... Foi uma mesa bastante parcial, de
defesa das fundações para Universidade, houve até
comparações entre elas e organizações não governamentais,
entre outras tentativas maniqueístas de idealizar as
fundações e desqualificar o debate contrário a elas. Mas era
o que se esperava de uma mesa composta apenas por
administradores de fundações e pelo diretor da CONFIES
(Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de
Ensino Superior).
Já no eixo “Expansão da UNIFESP” foram expostos os nossos
projetos de expansão e o da UNESP, pelos diretores dos novos
campi e pelo Reitor da UNESP. Também foi convidado para
compor essa mesa o Exmo. Ministro da Educação Prof. Dr.
Fernando Haddad, que infelizmente não pode comparecer e
enviou um representante. Como se esperava pela composição da
mesa e pelo teor do fórum, houve poucas críticas negativas à
forma precipitada e conturbada com que foi feita a nossa
expansão. Esperando pela presença do Ministro, alguns
estudantes lá presentes protestaram contra o IV Anteprojeto
da Reforma Universitária e projetos já aprovados
separadamente exibindo uma faixa (já utilizada pelo DCE em
manifestação em Brasília) que trazia as palavras: “Estamos
de luto e choramos a ruína da Universidade do Povo”. Outro
destaque dessa mesa é que não só na fala do Reitor da UNESP,
como na fala do representante do MEC, foi pontuada a
necessidade de uma reforma de estatuto na UNIFESP, para que
se adeque à nova realidade, de uma Universidade com muitos
campi e diversas áreas do saber. Até nossa estrutura
departamental foi questionada.
Assim, como se esperava pelo teor das falas na palestra do
dia anterior, no debate sobre “Gestão Universitária” a
reforma estatuinte ficou bem clara como demanda urgente da
Universidade. No entanto, nessa mesa ficou clara a postura
da reitoria com relação à participação discente nesse
processo. Apenas a ADUNIFESP (Associação dos Docentes da
UNIFESP) foi convidada a expor sua “visão” sobre a forma de
palestra. Essa foi a discussão mais polêmica do Fórum, pois
foi quando falamos na Comissão Estatuinte. A reitoria
acredita que essa comissão deve ser criada dentro do
Conselho Universitário e não deve ser fretaria, enquanto que
o Conselho de Entidades defende a eleição de uma Comissão
Estatuinte fretaria e eleita de forma direta. Neste dia o
DCE expôs seu posicionamento através de cartazes que diziam:
“Estatuinte já, fretaria e eleita de forma direta!”. Mas,
pelas respostas que recebemos durante o fórum, acho que essa
será uma luta difícil...
Enfim, não são muito claros os produtos deste fórum, mas
penso que trouxe informações importantes não para a
construção dos “caminhos da Unifesp” mas para nortear nossa
luta por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e
que atenda às necessidades do povo.
Lara – Medicina 74
Reestruturação do
DCE-Unifesp
O DCE passou por uma forte reestruturação
nesses últimos meses. Com a necessidade de reformar do
Estatuto, por conta do novo código civil, fomos obrigados,
em apenas dois meses, discutir, votar e registrar um novo
Estatuto. Todavia não pense que pela falta de tempo nós
deixamos passar a oportunidade de redesenhar todo o DCE e
montar uma nova estrutura, totalmente diferente e que
julgamos mais adequada para um DCE. Os estudantes sabiam que
era arriscado promover discussões muito aprofundadas sobre
mudanças tão sérias, mas eles aceitaram o desafio e o final
foi feliz: já registramos o Estatuto que foi discutido,
rediscutido e votado artigo a artigo.
Quais mudanças foram essas? Antes o DCE funcionava com
Assembléia Geral, que é sempre soberana por aqui, e uma
diretoria sob forma de conselho: quatro coordenadores do DCE
eleitos diretamente mais um representante de cada Centro
Acadêmico (CA) e um representante do Departamento de Cultura
Científica (DCC). Tínhamos apenas duas coordenadorias fixas:
a Coord. Geral e Coord. Finanças. Agora funcionamos com
Conselho Representativo e com Diretoria, além da sempre
soberana Assembléia Geral (ela é sempre soberana porque nela
todos os estudantes tem direito a voz e voto, sendo assim
numericamente a mais instância mais representativa). O
Conselho Representativo é praticamente a antiga diretoria,
com a diferença que nesse Conselho já está prevista a
representatividade dos novos campi que ainda não têm DAs.
Cada campi sem Diretório Acadêmico (DA) terá direito a ter
dois membros no Conselho Representativo, mesmo quando eles
já tiverem CAs. Com isso esperamos tornar o DCE mais
democrático.
A diretoria agora é composta por Coordenadorias e foram
criadas oito novas coordenadorias: Extensão, Formação
Política e Movimentos Sociais, Assistência Estudantil,
Comunicação, Cultura e Eventos, Ensino e Pesquisa,
Integração Estudantil e Representação Discente. Somando as
duas coordenadorias antigas, Geral e Finanças, somos agora
dez coordenadorias.
Vamos ver para o que serve cada uma? Se você já sabe pode
saltar essa parte, mas se não sabe é bom ler.
1- Coordenadoria Geral: coordenar as atividades do DCE,
representar os estudantes em quaisquer eventos que isso se
faça necessário, presidir as reuniões e as assembléias,
referenciar a gestão do DCE de forma coerente com o programa
da chapa ou deliberações das reuniões e assembléias,
articular com o Movimento Estudantil (ME) externo e com o
Conselho de Entidades da Unifesp e a Reitoria, quebrar
galhos ou tapar buracos e etc.
2-Coordenadoria de Finanças: supostamente era “só” pra
controlar a movimentação financeira do DCE, planejar
políticas de gestão de recursos, prestar contas junto ao
Conselho, à Assembléia e a Diretoria mas na verdade hoje os
Coordenadores de finanças fazem tudo além disso. E etc.
3- Coordenadoria de Comunicação: gritar tudo que o DCE faz e
tudo que os estudantes precisam saber para eles. Manter o
site, fazer “O Manuscrito”, se relacionar com a mídia
popular e etc.
4- Coordenadoria Cultura e Eventos: organizar eventos,
principalmente culturais, manter o “Theatro do Hipocampus”,
fomentar criação artística e cultural, fazer saraus,
intercambiar culturalmente os graduandos da Unifesp com
outras entidades e etc.
5- Coordenadoria de Extensão: acompanhar os trabalhos de
extensão do DCE e da Unifesp, elaborar novos projetos e
apoiar os estudantes na elaboração de novos projetos,
promover eventos e discussões sobre o tema e etc.
6- Coordenadoria de Assistência Estudantil: fiscalizar e
participar ativamente de projetos relacionados ao auxílio e
permanência do estudante na Unifesp, auxiliando na definição
de políticas de alimentação, transporte, cultura, moradia e
bolsas de permanência e etc. A assistência estudantil é um
grande problema na Unifesp, porque quem manda hoje não
conhece a realidade dos estudantes.
7- Coordenadoria de Formação Política e Movimentos Sociais:
promover cursos, palestras, seminários e debates visando à
formação política e social dos estudantes etc. É muito legal
participar dessas coisas, não deixe a chance escapar.
8- Coordenadoria de Ensino e Pesquisa: acompanhar, intervir
e discutir o desempenho, qualidade e caráter social das
atividades realizadas pela Unifesp no ensino e na pesquisa,
formular diretrizes educacionais adequadas a realidade
social do País etc.
9- Coordenadoria de Integração Estudantil: estimular e
auxiliar na criação de Centros, Associações e Diretórios
Acadêmicos além de buscar a contínua integração entre os
estudantes dos diversos campi por diversos meios, desde
encontros a eventos etc.
10- Coordenadoria de Representação discente: uma coisa muito
importante dentro da Universidade são os órgãos colegiados e
conselhos de deliberação. Por exemplo, o Conselho
Universitário (CONSU) que define a macropolítica de uma
universidade, o Conselho de Graduação, onde se define
praticamente tudo sobre política para a graduação, além de
outros como Conselho Técnico-Administrativo. Os estudantes
tem pequenas representações em cada um desses órgãos e já
que pequena deve ser bem aproveitada. Para ser bem
aproveitada é preciso que cada representante do DCE ou dos
CAs etc saiba o que está acontecendo na Unifesp para que
baseado nisso ele vote consciente de acordo com o interesse
do corpo discente. A Coord. Representação Discente serve
para isso, discutir os assuntos que estão passando nos
órgãos colegiados e fazer com que o corpo discente vote de
acordo com o discutido no DCE e com o interesse dos
estudantes.
Basicamente é isso.
Quando pensamos em reestruturar o DCE tinhamos dois grandes
objetivos. O primeiro era edequar a estrutura aos novos
campi para que eles tivessem representatividade dentro do
DCE. O segundo era desenhar um DCE que podesse mais
facilmente atender as espectativas dos estudantes abrindo
sempre a possibilidade para a construção coletiva e
participação de todos.
Bom, era isso galera. Não sei se consegui expressar a
importância dessa reforma ou os benefícios que ela pode
trazer aos esudantes, e portanto o DCE, se os estudantes se
convencerem de seu papel dentro do DCE e da sociedade. O
nosso DCE vem sendo construído com muito trabalho por todas
as gestões desde sua fundação e a cada gestão nós evoluimos
mais. A expansão traz consigo um grande leque de
oportunidades e uma gama de esperança de melhores ainda
maiores e mais rápidas. Essa reforma estatutária vem pra
confirmar isso. Não sejam conformados e se mobilizem.
Cairo, Erik, Raquel e Varum – do DCE
Seja sócio do DCE! Procure a Van na
secretaria do DCE em São Paulo e peça já a sua
carteirinha de sócio. Pague meia no cinema e tenha
descontos na capoeira, yoga, dança do ventre, ballet,
chocolates sobre o Banco do Brasil etc... é muita
vantagem.
Artigos indefinidos
“O direito e o dever de
mudar o mundo.”
Caro e mais novo colega de Unifesp, a
essa altura você já deve ter sido bombardeado com milhares
de informações, umas significativas e outras não, porém eu
vos trago mais uma e espero, entusiasmadamente, que esta
seja significativa pra você! Diz a constituição que a
universidade está baseada no famoso tripé: ensino, pesquisa
e extensão. O ensino é identificado mais facilmente, afinal
é o que você, provavelmente, veio buscar. Entretanto
acredito que você não encontrará só isso, a universidade é
muito mais que sentar os glúteos na cadeira e aprender em
sala de aula, ou pior, fingir que aprende enquanto o
professor finge que ensina. A pesquisa, ah! pesquisa... o
orgulho da nossa Universidade, é opcional, mas diante de
tanta grandeza você se sentirá na obrigação de fazê-la e na
verdade isso também é bom. Por último , mas não menos
importante, a extensão, esquecida por alguns, marginalizada
por outros e amada por tantos anônimos.
Aqui na nossa universidade temos a extensão curricular (há
controversas) na qual os estudantes são levados para
comunidade e desenvolvem ações de educação em
saúde/assistência e temos os PROJETOS E PROGRAMAS como:
Cananéia, Lá Fora, Corporalidade e Saúde, Saber Cuidar,
Farmacinha, CUJA, Xingu e outros que desenvolvem ações,
buscando o crescimento do estudante e da comunidade,
trocando e adaptando o conhecimento científico e o popular.
Estes projetos estão de portas abertas para todos vocês!!!!
E o DCE disposto a novas experiências, caso você queira
montar um novo projeto. Falando em DCE (Diretório Central
dos Estudantes, só pra lembrar afinal são tantas siglas...)
existe a comissão de Extensão que iniciará um grupo de
estudos sobre extensão, todos estão convidados!!!
(divulgaremos a data).
Você já parou pra pensar que está em uma universidade
pública? Que não é gratuita? Que é custeada por todos nós?
Claro que sim! Querendo ou não, aquele pai que trabalha dia
e noite e sonha ver seu filho “doutor”, mas seu filho que
estudou a vida inteira em escolas de péssima qualidade e não
tem dinheiro para pagar um cursinho, portanto dificilmente
entrará na Famosa “Escola Paulista de Medicina”, sem
arcaísmos, UNIFESP, aquele pai também paga!
“da educação que, não podendo jamais ser
neutra, tanto pode estar a serviço da decisão, da
transformação do mundo, da inserção crítica nele, quanto a
serviço da imobilização, da permanência possível das
estruturas injustas, da acomodação dos seres humanos á
realidade tida como intocável.” (Paulo Freire)
E você vai fazer o que? Se formar e
depois ganhar muito dinheiro? Vai ignorar tudo isso? Pode
ser o mais cômodo, mas não é o mais justo. Agora, talvez,
alguns de vocês, devem estar pensando em arrecadar roupas,
brinquedos, alimentos... Não, por favor não! Não é dessa
forma que devemos retornar à sociedade o que nos é
concedido. Uma das formas é a extensão que ainda hoje é
confundida com assistencialismo, mas ela vai muito além.
Extensão é trocar experiências, vivencias e fazer da
universidade um espaço de crescimento da sociedade e não
apenas dos que nela estão inseridos. È integrar ensino
pesquisa vivendo tudo isso na prática onde nada é previsível
como na academia. È misturar o conhecimento cientifico com o
popular de modo que nenhum se sobressaia e sim se completem.
È construir junto com a comunidade um lugar melhor para se
viver. É se tornar mais humano, estranho dizer que o ser
humano se torna mais humano, mas ultimamente temos visto
que, se um dia já foram, alguns desaprenderam....
“…a gente não quer só comida, a gente
quer saída para qualquer parte…a gente quer inteiro e não
pela metade.” (Comida – Titãs)
Mas será que só devemos sociabilizar o
conhecimento porque estamos em uma universidade pública ou
devemos porque é uma obrigação moral, porque seremos
profissionais e logo temos um compromisso com a sociedade,
porque que seremos detentores de conhecimento, e como disse
Foucalt, saber é poder, sendo assim a democratização do
saber é uma forma de diminuir a desigualdade, promovendo a
emancipação, o empoderamento de todos para o que é de todos!
Não é só questão de compromisso social, mas pensar sim que a
sociedade deve ter acesso a educação e os conhecimentos que
a universidade possa ofecer, para que desta forma tenha
autonomia e possa de fato lutar pelos seus direitos a
cidadania.
A população tem muito a contribuir para a construção da
universidade, além disso o estudante desde da graduação deve
conhecer a realidade e os problemas sociais, para que desta
forma identifique-se com as causas e venha lutar por uma
sociedade mais igualitária.
Bom... Esperamos ter conseguido deixá-lo(a) curioso(a) o
bastante para experimentar a extensão. Você certamente não
se arrependerá, é crescimento profissonal, mas acima de tudo
pessoal, vivências irrecompensáveis, acredite!!!
Parabéns e seja bem-vindo!!!!
Selma – Enf 66
Cassiane – Enf 66
Cairo – Biomedicina 39
Reforma ou Demolição?
“Não aceiteis o que é de hábito como
coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de
confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de
humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada
deve parecer impossível de mudar”
Bertold Brecht
Entre Córdoba e Brasília, desvirtuaram
nossos sonhos
A defesa de alterações no ensino superior é cadeira cativa
na pauta do movimento estudantil. Reivindicar uma
universidade cujo acesso seja democratizado, assim como suas
estruturas de poder, com maior investimento público,
certamente é uma luta central que não ficou estagnada no
passado e nem perde a validade para períodos futuros.
Exemplo de reivindicação foi a Reforma Universitária de
Córdoba, em 1918, em que os estudantes mobilizados
conquistaram importantes medidas progressistas, como a
participação de estudantes na gestão das universidades e
adoção de concursos públicos como forma de admissão de
professores. Com a eleição de Lula em 2002, o debate sobre
Reforma Universitária voltou a ser pautado. Entretanto,
diferentemente das reivindicações históricas do movimento
estudantil, as medidas tomadas pelo governo se apropriaram
de bandeiras históricas para implementar políticas que em
nada se aproximam desse projeto de educação que defendemos.
Reforma Universitária e Acesso: a opção pelo privado
A democratização do acesso sempre foi ponto central de
debate dos movimentos sociais de educação, em especial do
sistema público. O ProUni, implementado por medida
provisória em 2004, vai na contramão da consolidação da
educação pública pois, ainda que coloque o estudante na
universidade, o faz pela porta dos fundos: são as vagas
ociosas as ocupadas, ou seja, a superprodução das vagas que
as empresas de educação venderam, de muito bom grado, ao
governo federal. No entanto, esse mesmo montante investido
poderia, em 2004 ter dobrado o número de vagas nas federais,
com uma política de assistência estudantil que garantisse a
permanência do estudante na instituição. E enquanto isso a
proposta de cotas nas universidades públicas se apresenta
uma realidade cada vez mais distante se depender da
negociação no âmbito do Congresso Nacional.
A adoção de uma política compensatória ao invés de repensar
a estrutura da universidade pública com vistas a expandi-la
e democratizá-la não é só uma medida do governo Lula: a
farra dos empresários da educação também é muito bem
utilizada por governos declaradamente conservadores, como a
última gestão do governo estadual de Paulo Souto (PFL-BA).
Lá também se viu que quem mais ganha com esse tipo de
política são os donos das empresas da educação, que tem
garantida a ocupação de vagas para que seu prejuízo seja
nulo, através do Programa "Faz Universitário". Uma medida
que cai como uma luva para o novo governo do PT no estado, o
de Jacques Wagner.
De decreto em decreto, a educação pública vai para a privada
Se para o ProUni há um frágil argumento de melhorias para os
estudantes, menos palatáveis ainda são outras medidas tendo
em vista um projeto de educação estratégico para superar as
desigualdades do país. É o caso da Lei de Inovação
Tecnológica, mais um decreto que, junto com o ProUni, o
Decreto de Fundações, as Parcerias Público-Privado, o SINAES
e o Projeto de Lei do Ensino Superior compõe o quadro da
Reforma Universitária implementada ou em processo de
implementação do governo Lula. A Lei de Inovação Tecnológica
possibilita que docentes de instituições públicas prestem
serviços a empresas, admitindo que ele seja afastado da
instituição. Ou seja, o Estado paga pra que um servidor
público deixe de fazer um serviço público, recebendo
subsídios para entidades privadas, contribuindo ainda mais
para a desvalorização e desmonte da universidade. E mais:
caso a empresa tenha prejuízo, o Estado cobre. É um
empreendimento sem risco, a não ser para a universidade
pública, já agonizando com seu escasso quadro de docentes.
mitindo que ele seja afastado da instituiçtaç Decreto de
Fundaçde educaçrelaçs fundos:
As PPPs - parcerias público-privado ou promiscuidade público
e privado, são o termo que o governo federal e muitos
governos estaduais utilizam hoje para "tucanar" a
privatização da educação. Assim como o governo Alckmin/Lembo
no estado de São Paulo implementaram essa lógica na linha 4
do metrô de São Paulo, e que o governo federal já anunciou
que fará com as rodovias federais, em que o Estado entra com
a infra-estrutura e a empresa explora comercialmente, a
Reforma Universitária vem no sentido de preparar o terreno
para que o mesmo aconteça com a educação. E podemos
visualizar essa diluição da fronteira entre o público e o
privado em muitas das universidades públicas no país, por
meio das Fundações Privadas.
Essas fundações se utilizam de toda a infra-estrutura da
universidade pública para, sem licitações e utilizando
indevidamente do nome (a "marca") da instituição, oferecer
cursos de pós-graduação milionários, prestar consultorias, e
outros serviços. Através do PL 7200/06, apresentado pelo
governo para “reformar” o ensino superior no Brasil,
propõe-se "regulamentar" essas fundações, ou seja, criar um
aparato legal que as permita funcionar no exercício pleno do
parasitismo da coisa pública. No mesmo sentido caminha o
decreto 5205, assinado pelo presidente Lula e o ex-ministro
da Educação Tarso Genro, legalizando a atuação dessas
instituições, decreto já avaliado por diversos juristas como
inconstitucional.
Se o desmonte da universidade pública e a explosão das
privadas é uma realidade, o governo se utiliza do
instrumento da Avaliação Institucional como resposta mágica
para o problema que esse modelo de educação privatista
criou. O SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino
Superior) busca através do ENADE (Exame Nacional de
Desempenho do Estudante, ou Provão revisitado) ranquear as
universidades para indicar quais possuem mais estrelinhas no
mercado da educação. Assim cria-se uma “elite” de
universidades cujo desfrute é sentido pelas empresas de
educação que podem com isso fazer propaganda de seus grandes
feitos, através de uma prova que é aplicada em todo país,
sem respeitar qualquer tipo de especificidade regional ou as
diferenças entre as instituições públicas e privadas. E
pior: caso uma universidade pública apresente “baixo
rendimento”, a proposta do SINAES não é diagnosticar os
problemas e propor soluções, mas sim punir a instituição.
Sem falar em deturpações mais graves como na FAAP, faculdade
privada de São Paulo, que apresenta um cursinho preparatório
para o ENADE, maquiando os problemas do ensino e criando
mais uma fatia de mercado a ser explorada, e vendendo uma
educação sem qualidade mas muito lucrativa.
O papel do movimento estudantil
Nesse contexto de gritantes ataques à educação pública, o
movimento estudantil não pode ficar parado. Uma postura
independente e coerente com o que ele sempre defendeu não
pode ser relativizado num momento tão importante em que
estamos às voltas com ameaças tão perigosas a um projeto de
educação pública com soberania, emancipadora e estratégica
para a construção de um país justo e igualitário. A maioria
dos setores que estão na UNE hoje (UJS e PT), preferiram
optar pela submissão a essa política do governo, defendendo
como tática a disputa do projeto no Congresso Nacional. O
movimento não pode se paralisar e achar que é nesses marcos
que se faz a disputa, ainda mais numa conjuntura em que o
lobby das empresas privadas é forte e consoante com o
projeto do governo e que o funcionamento fisiologista da
imensa maioria dos deputados expôs a corrupção cotidiana
nesses espaços. É um equívoco a atuação do ME se centrar no
calendário do Congresso Nacional. Não há possibilidade de
esperar de um governo neoliberal uma reforma universitária
que o país precisa.
Muitos são os setores que não aceitaram a política
neoliberal travestida de democratizadora do governo Lula. O
movimento “Vamos Barrar essa Reforma” construiu ao longo de
2 anos debates importantes em diversas universidades, além
de ter organizado uma importante plenária em Brasília em
2004, com estudantes de todo o país. No último CONEB,
buscando unificar @s que lutam contra essas medidas
privatizantes, diversos grupos resolveram construir a Frente
de Oposição de Esquerda da UNE (FOE), por entender que essa
disputa tem que ser travada de maneira mais ampla possível,
passando por dentro ou por fora da entidade. A FOE, assim
como a Conlute e muitas Executivas de Curso tem buscado
impulsionar uma frente ampla, que agregue todos os setores
que se preocupam com a ameaça que a Reforma Universitária em
suas diferentes linhas de frente representa. Assim, a Frente
de Luta Contra a Reforma Universitária se apresenta como uma
alternativa em construção para tod@s @s que apostam na
importância de não se calar frente aos descalabros desses
decretos e projetos de lei.
Temos muitas tarefas para o próximo período e portanto é
necessário escolhermos a tática adequada para barrarmos
essas medidas privatistas. A disputa através das táticas
utilizadas atualmente por alguns setores da sociedade não
são capazes de dar resposta às demandas da educação: a
ampliação do sistema público através do maior investimento
do Estado, maior democracia das estruturas de poder,
garantir a permanência, fazer a discussão sobre a Lei de
Mensalidades, o limite claro entre o setor público e o
privado, com vistas à diminuição deste em virtude da
ampliação do primeiro. Para alcançar esses objetivos a
principal tarefa do movimento é impedir a aprovação desse PL
e revogar as outras medidas já em curso, o que vai requerer
de nós organização e a necessidade de construir com todos os
setores possíveis uma unidade em torno de barrar essa
reforma.
É preciso estar atento ao fato de que apenas a retirada
desse projeto de lei não acumula pra nossa luta histórica em
defesa da educação pública. É preciso apontarmos que projeto
de educação queremos e analisarmos a nossa conjuntura a
partir do que já temos em curso. A retirada aponta para que
projeto nós queremos? Existe correlação de forças no
Congresso Nacional para que apresentemos uma nova proposta?
A resposta a essas questões é negativa porque o governo Lula
representa não só nas suas políticas educacionais, mas
também econômica, na saúde, na previdência, na relação com
os movimentos sociais, uma política neoliberal que se ancora
em medidas compensatórias para garantir sua sustentação.
À luz de todos esses elementos, acredito que o central para
os movimentos sociais de educação no próximo período seja o
de construir a luta cotidiana e resgatar as nossas
reivindicações históricas. É preciso partir do que já temos,
como o PNE, do que temos condição de construir com a Frente
de Luta Contra a Reforma Universitária, e continuarmos
elaborando um projeto de educação que caminhe para a
universalização através do sistema público. Essa elaboração
invariavelmente aponta no sentido contrário à Reforma
apresentada pelo governo, sendo assim a tarefa central do
movimento confrontar esses projetos e travar uma luta
incansável em defesa de uma universidade pública, gratuita e
de qualidade para tod@s.
Maíra Tavares Mendes
Diretora de Universidades Públicas da UNE
Campo Romper o Dia!
Frente de Oposição de Esquerda da UNE
Partido Socialismo e Liberdade
Poder Popular / MES
Cultura
Para falar um pouco sobre o que é
cultura, vamos à definição do que é cultura, do ponto de
vista das ciências sociais, que seria o aspecto da vida
social que se relaciona com a produção do saber, arte,
folclore, mitologia, costumes, entre outros, bem como à sua
passagem para as gerações subseqüentes. Em
Filosofia, o termo cultura designa o conjunto de
manifestações humanas que contrastam com a natureza ou
comportamento natural. Já em antropologia, cultura é
definida como o totalidade de padrões aprendidos e
desenvolvidos pelo ser humano. Nossa! Percebendo o mundo que
nos cerca, tudo é cultura. Logo, não só a música erudita
pode ser considerado como música, mas o pancadão dos morros
cariocas também pode ser considerado um tipo de cultura,
desde que seja passado para as futuras gerações, ou seja,
apareça gente disposta a levar o pancadão pra frente. Logo,
esse papo de que produções eruditas são culturais e
produções popularescas são lixo é uma besteira, alguém que
quer demonstrar que sabe mais que o senso comum, só para
parecer “culto”. Seria o mesmo que desprezar o maracatu, uma
coisa tão popular, só porque é o povo que faz. Mas ninguém
faz isso.
Acredito então que a discussão do que é ou não cultura está
no fato do que ela faz. Se há alienação ou aprendizado, se
há ganho ou se há perda, ou nenhum dos dois, é isso o que
vai tornar a cultura importante para determinado fim. Na
Universidade, espera-se que os alunos possuam a formação de
um pensamento crítico para que, estes entendendo como a
sociedade funciona, transformá-la. Acredito que este também
seja um papel da Universidade e portanto, utilizamos a
cultura como meio de inserção dos conceitos de cidadania e
sociedade.
O DCE tem tentado se mobilizar em torno disso: Constituímos
a Coordenadoria de Cultura e Eventos, uma vez que tentamos
promover a cultura “conscientizante” dentro da Universidade
através de Eventos Culturais, como o sarau, ou como grupos
de expressão artística, como dança e teatro. Com
isso,esperamos suscitar a discussão em torno dos problemas
da Universidade e da sociedade brasileira e fazer com que
ele busque seus direitos. Mas a coordenadoria só é capaz de
efetivamente trabalhar se tivermos gente disposta a isso, e
por isso que precisamos tanto que a própria construção
coletiva pelos estudantes se torne concreta.
Faça sua escolha!
Erik – Biomedicina 38
Em constante construção
O objetivo de todos os órgãos
representativos é representar da forma mais atuante e
democrática possível. Quando se fala em Representação
Estudantil, o objetivo é o mesmo e as dificuldades também.
Para que um órgão representativo seja atuante e atue de
forma coerente com o interesse de seus representados é
preciso que ele conte com a confiança e principalmente a
adesão deles, participando do processo de desenvolvimento,
atuação e conquistas do órgão. O bom funcionamento de um
C.A. ou do DCE depende muito do envolvimento de seus
participantes na construção, manutenção e desenvolvimento de
sua estrutura, bem como da capacidade e vontade de cada
participante em desempenhar seu papel de forma ativa e
construtiva. É como um órgão do corpo de qualquer animal
vivo, que como sabemos não depende de uma só célula, ou de
um pequeno grupo de células, mas de um conjunto de células
que se reúnem a fim de compor os tecidos, que em nosso caso
seriam coordenadorias ou comissões, que juntos constroem,
mantêm e fazem funcionar de forma perfeita o órgão, um CA ou
nosso DCE. Mas o cenário atual é de desmobilização e
socialconformismo, como discutido no primeiro texto desse
Manuscrito. A história mostra que mudanças em modelos
consolidados só se deram, apesar de sempre serem iniciadas
por poucos, quando houve a participação de um grande número
(proporcionalmente) de pessoas envolvidas direta ou
indiretamente com o assunto em questão. No nosso caso,
talvez não existam questões dogmáticas e a proporcionalidade
ideal de participação não seja tão difícil de ser alcançada,
já que não formamos uma multidão de seres. Mesmo assim nós
temos que começar essa mudança que irá transformar para
muito melhor nosso espaço e nos fará sobreviver aqui na
Unifesp e no Brasil, já que a cada dia, perdemos mais um de
nossos direitos. Então o que temos a fazer é discutir
cultura, besteiras, cinema, matérias e também política e
cidadania. Cidadania é política.
E voltando ao DCE, sua eficiência é de grande importância
para a manutenção dos direitos conquistados pelos
estudantes, para a conquista de novos direitos e para o
funcionamento correto da Universidade – que seria o
organismo na analogia feita anteriormente – pois ela só tem
a ganhar com uma maior discussão das idéias e das medidas
tomadas durante o seu processo de desenvolvimento.
Uma universidade sem a efetiva participação dos estudantes
no processo de decisão sobre quais rumos tomar é uma
entidade condenada ao atraso e invariavelmente presa à
inalterabilidade ideológica e de práticas que com o tempo se
tornam conservadoras e empecilhos ao seu progresso e
desenvolvimento para melhor.
Aqui na Unifesp, no entanto, temos uma participação pífia no
Conselho Universitário (que é quem supostamente manda) e
muitas vezes a posição dos estudantes é ignorada. E isso
também é culpa dos estudantes, que não procuram fazer nada
para mudar isso. E esse descaso pode ser conta de que a
maioria dos cursos é integral e, talvez, por conta disso o
tempo que o estudante tem para se informar do que está
acontecendo é muito pequeno e isso por vezes faz com que ele
deixe de se envolver. Mas isso está mudando, estão aí os
novos campi, que poderão mudar tudo isso.
São inúmeros fatores que contribuem para a desmobilização
atual pela qual passa o Movimento Estudantil: UNE vendida ao
governo, representatividade zero, partidarização do
Movimento, fragmentação subseqüente e por aí vai. Esses
fatores agem perversamente desmotivando os estudantes. Ao
mesmo tempo, esses processos e fatores perversos fazem com
que a participação de um grande número de pessoas na gestão
dos órgãos representativos dos estudantes se torne
indispensável para a representação de fato e a realização de
grandes feitos.
E o trabalho? Dizem que dá muito trabalho participar de CA e
DCE. Eu vos digo que dá, mas nem é tanto assim. Se existir
gente disposta tudo fica fácil.
Num CA, para quem vai criar, ou aqui no DCE, como já
tentamos fazer, para dividir o trabalho, a responsabilidade
e o poder foram criadas tantas coordenadorias quantas forem
necessárias para que possamos corresponder de forma
satisfatória aos interesses dos estudantes e lutar por seus
direitos. Essas coordenadorias foram discutidas na reforma
do estatuto, que discutimos e aprovamos em novembro e
dezembro, e precisam de gente disposta a trabalhar,
discutir, pensar e brigar por seus direitos que muitas vezes
nem são conhecidos por alguns estudantes.
A união dos estudantes é desestimulada por muitos porque ela
causa nervosismo a quem não quer ver o sistema sendo
discutido, os problemas reais sendo discutidos. Não
interessa aos gestores que comandam de forma errada porque
eles sabem da força e garra da juventude e do seu
descompromisso com as coisas erradas e com as mentiras que
compram opiniões e manipulam informações que buscam
justificar ou esconder os erros.
Enfim, as possibilidades de ação e atitude de vocês são
muitas e cada uma leva a um caminho levemente, ou fortemente
em alguns casos, diferente. Cabe a você, estudante da
Unifesp, decidir qual caminho tomar, usando como base para
isso o futuro que queremos para nossa Universidade. O que
pedimos é que depois de um tempo você leia esse texto
novamente e com outros olhos se for preciso, tenha
consciência de sua responsabilidade como estudante da
Universidade Federal de São Paulo, reflita bem sobre a
questão de representatividade e mobilização estudantil.
Esperamos que você tome uma atitude de seguir ou voltar,
cair ou levantar, desistir ou lutar. Seja qual for sua
decisão, é importante que você entenda porque a tomou e as
conseqüências dela analisando sua atual posição no mundo, a
que você pretende alcançar e também o que você pretende
deixar aos estudantes que virão.
Cairo – Biomedicina 39
Mas, pra quê???
Quando me pediram para escrever este
texto me propuseram a seguinte pergunta: “Por quê você se
decidiu, ainda caloura, por entrar no movimento estudantil e
assumir a coordenação geral do seu Centro Acadêmico?” A
princípio achei a pergunta um pouco óbvia: “mas não temos
todos os mesmos motivos?” Só então percebi que nem eu mesma
identificava de imediato os meus motivos, o que diria sobre
os dos outros.
Assim, percebi que embora haja semelhanças em ideais, em
intenções e em vontade de trabalhar, nós no DCE e nos
Centros Acadêmicos não constituímos um grupo homogêneo, que
possa ser identificado por alguma característica comum -
exceto o vínculo é claro. Não somos todos comunistas, como
dizem algumas pessoas, nem somos todos revolucionários, a
única coisa que queremos em comum é a melhoria da qualidade
da nossa Universidade e da sociedade, o que não caracteriza
grupo nenhum uma vez que estes são desejos da maioria da
população.
No meu caso, a entrada no C.A. foi natural, pois fazia parte
dos meus sonhos participar de um movimento ainda não
corrompido, radical em suas idéias e sólido, como eu via o
movimento estudantil. Fui meio que por inércia, na minha
vontade de mudar a universidade pública, na minha vontade de
retribuir desde já o gasto que a população brasileira tem
comigo, na minha vontade de mudar o mundo. Quero sim mudar o
mundo, não gosto da forma que ele está, não vejo nada de
estranho ou incorreto nisso, assim como não tenho vergonha
de dizer que trabalho por isso sem medo de me frustrar.
As primeiras reuniões foram um pouco chocantes, muitas
siglas desconhecidas, muitas palavras desconhecidas e uma
sensação de incapacidade e impotência. Até perceber que o
CAPB não considera hierarquias, que a minha palavra de
caloura tinha exatamente o mesmo valor que a de qualquer
“velho”. Aliás, lá, o termo calouro só foi usado
carinhosamente e a diferença de tratamento conosco foi no
máximo didática, quando se explicou uma sigla ou um órgão,
etc (o que, aliás, foi muito bem feito!!).Também foi
importante pra me ajudar a permanecer no CA, saber que
nenhum movimento é feito por uma pessoa brilhante, que as
grandes conquistas são feitas pelo coletivo. A
personificação em mártires e líderes não só é falsa como é
uma estratégia para estimular a desmobilização, pois faz com
que nos comparemos a um grande Homem, e não a um povo que
lutou como formiguinhas e conquistou.
Com relação a assumirmos a gestão do C.A. tão rápido -
porque toda a gestão é da turma 74 da med - foi a melhor
forma que encontramos, em coletivo, para gerir o CAPB em
2007. Não existe nada que impeça isso, existem dificuldades:
a inexperiência e a insegurança que bate de vez em quando. É
interessante dizer também, que no DCE e nos CAs a diferença
entre o pessoal da gestão e os outros acadêmicos, são apenas
o nome e a quantidade de trabalho. Na verdade, os CAs e o
DCE estão abertos a projetos novos, todos ouvem a todos em
suas reuniões e também confiam em todos os estudantes para
desenvolver qualquer trabalho.
Bom, espero ter explicado a vocês o que eu acho que se
encontra e o que se espera de um DCE ou CA, ou pelo menos o
que eu espero. Mas é essencial que vocês saibam que qualquer
conquista, por menor e simples que pareça, é difícil e
precisa do empenho e do trabalho de todos.
Lara – Medicina 74
Ser Calouro
Não é qualquer universitário que realiza
o sonho de estar no curso e na universidade almejada, o que,
certamente, traz consigo tanto sentimentos de alegria e
realização, quanto de medo e incerteza.
Estar em uma nova cidade (para a maioria); participar da
inauguração de um novo campus; sermos as primeiras turmas,
com certeza, dá aquele velho frio na barriga! Esta mais nova
responsabilidade faz aumentar nossas expectativas, o desejo
de lutarmos, e enfrentamos obstáculos, além de fortalecer-se
quando se trata da busca por um ideal.
Quando sairmos daqui, veremos que não foi apenas um caminho
que tivemos que percorrer para nossa formação profissional,
e sim, uma lição de vida, com momentos únicos, ternos,
difíceis, e de grandes mudanças. Veremos que aprendemos a
lidar com todos os tipos de pessoas, fizemos novas amizades,
e levamos ensinamentos essenciais para a vida toda.
É calouro, a partir de agora sua vida não será mais a mesma!
Você irá se deparar com novas pessoas, caminhará por novas
ruas, irá ficar confuso para se localizar entre os canais,
ficará um pouco perdido no início até entender por completo
os eixos e módulos. Você irá ouvir muito em proteína G,
sinapses, gliconeogênese, renina angiotensina aldosterona,...
Os seus conceitos por certas coisas não terão mais a mesma
dimensão: saúde será muito mais que apenas sentir-se bem.
Aliás, o que é saúde pra você? Integração terá um sentido
maior do que apenas aumentar o seu vínculo social. Você
aprenderá a ver os problemas sociais com maior dinamismo e
clareza nas aulas de inserção social e ATS, assim como seu
lado crítico ficará mais fortificado pelas mesmas.
Ufa! Quanta novidade! São tantas que em seu primeiro ano de
curso, já será capaz de perceber o conhecimento que adquiriu
e o quanto amadureceu, mas não precisa se assustar tanto!
Afinal, a vida universitária é muito mais do que as salas de
aula e bibliotecas, ainda mais na Unifesp Baixada Santista.
Virão os barzinhos, a praia com a galera, os luais, as
festas, os professores... E que professores! Além de
doutores, serão ótimos companheiros e amigos.
Vocês enfrentarão tantas dificuldades quanto nós, primeira
turma. A falta de espaço, materiais, refeitório, etc. serão
nítidos, mas o que nunca podemos deixar faltar é a vontade
de construirmos juntos esta universidade tão visada pelos
vestibulandos. E, com certeza, todo esse conjunto fará um
diferencial em sua vida.
Por isso calouro, parabéns pela vitória e seja bem-vindo à
vida universitária! Curta! Aproveite essa fase única e
indescritível de nossas vidas. Viva! Com a intensidade como
se fosse o último dia.
Venha com garra, com força, com vontade de lutar, e
principalmente, com alegria de viver!
Ana Paula Tanaka Hayashi - Unifesp Santos
Michelle Thiemi Miwa - Unifesp Santos
Corinthians e Palmeiras,
PSDB e PSTU ou PT, Centro Acadêmico e Atlética: Variações
Sobre um Mesmo Tema que Perduram a não Resolução do
Essencial
Immanuel Kant, o criador da teoria
criticista acerca do conhecimento, posicionou-se no
argumento de afirmar que, tanto os racionalistas que
defendiam a emergência da sabedoria a partir da razão, ou
seja, indivíduo dependente, quanto os empiristas defensores
do advento do conhecimento a partir dos sentidos, portanto
objeto determinante, possuíam algo de verdade nas
respectivas argumentações quanto à origem desse problema
enunciado. Isso, translocado para a questão dos conflitos
contemporâneos como o que ocorre no Brasil sobre os
escândalos do PT pode armazenar extrema valia para uma
análise mais abrangente de tais fatos.
Segundo a história da Filosofia, Kant faz com teoria do
conhecimento aquilo que Nicolau Copérnico fez na astronomia.
Segundo o próprio criador do criticismo, os racionalistas
como Descartes e os empiristas como David Hume assavam um
frango através de uma pitoresca maneira: o penoso se portava
estático, enquanto ambos giravam o forno. Ressalta-se que as
duas correntes criticadas por Kant possuíam idéias
divergentes sobre o problema filosófico da origem do
conhecimento.
Quando, no Brasil, é época de eleição, bombardeios de
propostas que visam solucionar as contradições sociais
chegam às casas alheias em todos os dias da campanha
partidária obrigatória pela televisão. Muito se viu de
neoliberalismo em oito anos de governo PSDB e, nestes,
também, ouviu-se muita crítica por parte dos partidos de
oposição, principalmente por parte do Partido dos
Trabalhadores que, hoje, é governo escandalizado pela mídia.
Não se vê, em nenhuma parte dos jornais televisivos, um
projeto, seja governamental ou da própria sociedade,
benéfico para o povo brasileiro.
De canal em canal, o país é o antro da sacanagem e do lema:
“salvem-se quem puder”. No governo do PSDB ocorreram muitas
privatizações, a maioria delas escandalosas, algumas,
inclusive, em que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social), entidade estatal, emprestou dinheiro
para o Capital privado adquirir a então nacionalíssima
Companhia Vale do Rio Doce. São os mesmos heróis por tal
feito que, atualmente, contestam, com outra camisa, os agora
governantes, estes zagueiros que, outrora, portavam-se como
aqueles, atacantes.
Quando Kant afirma sobre a origem de o conhecimento provir
do sujeito, ele coloca que ambos, empiristas e
racionalistas, possuíam veracidade no argumento teórico
principal. Segundo o criticismo, uma parte do conhecer
provém do objeto, porém, a grande determinante do
conhecimento, advém da sensibilidade do sujeito. Hoje,
ninguém contesta a teoria kantiana acerca do conhecer, mas,
ainda, a essência desse pensamento continua não aplicada. O
dia da descoberta do projeto comum por rivais, tal qual o
Brasil “de verdade” que o PSDB e o PT defendem, está por
vir. Entender o papel do sujeito nisso tudo: deixa-se de ler
apenas as linhas ou propostas e haverá o exercício daquilo
que está deixado de fato pela História. Contradições que não
sabem sequer dialogar, país mundial sobrevivente do
naufrágio sem encontrar o litoral.
Rubens Luis Folchini Fernandes
Rubens Luis Folchini Fernandes é estudante de Medicina e
admirador das simples conversas de bares de esquina.
Como chegar ao DCE
Para chegar ao DCE você deve encontrar
uma estação do Metrô da cidade de São Paulo e buscar chegar
até a estação Santa Cruz, da linha azul. Descendo nessa
estação, a do metrô santa cruz você sairá do “Shopping” que
há nela e descerá a Rua Pedro de Toledo até o número 840
onde tem um prédio com os seguintes escritos na parede:
“Diretório Central dos Estudantes...” é lá o Diretório
Central dos Estudantes. Quando você chegar até lá, procura
alguém legal para conversar enquanto faz nada ou enquanto
joga sinuca ou outra coisa. Se você quiser falar com alguém
da diretoria vá até a Vanessa, na secretaria no primeiro
andar e fale que você quer conversar com alguém da
diretoria. Ela vai informar o que você tem que fazer para
encontrar um desses.
Depois disso é só esperar um tempo, se precisar, nos CAs
sabendo como é nos outros cursos, como funciona os CAs, o
que eles pensam do DCE e tudo o mais.
O Manuscrito
O DCE-Unifesp agradece a todas as
pessoas que trabalharam para conseguir por esse
manuscrito na mão dos calouros.
Também agradecemos a todos os estudantes, principalmente
aos calouros, que leram todas as matérias desse jornal
ou pelo menos algumas delas. A informação é o primeiro
passo para o questionamento.
Também convocamos todos os estudantes da Unifesp para a
construção do novo DCE e da nova Unifesp. Dificilmente
há um DCE como o nosso: tão aberto à participação dos
estudantes e sem nenhum vínculo partidário. Temos que
saber valorizar isso e lutar para que continue assim,
para que a política de horizontalização continue e
progrida, para que continuemos lutando contra a corrente
maior, puxada por interesses financeiros e não pelo
bem-estar e dignidade de nossos cidadãos.
A mensagem final aos estudantes é de esperança e luta.
Temos que saber nossos direitos e nossos deveres. Temos
que saber que existem momentos de diversão, momentos de
dedicação acadêmica e momentos de compromisso e
responsabilidade social.
O DCE, novamente, agradece.
Diretório Central dos Estudantes da
Unifesp
Gestão “Contra~Corrente” 06/07
O DCE somos todos!
|
|