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Educação Médica
Estamos realmente formando os médicos de que o Brasil
precisa?
Crise nos Hospitais Universitários
por Patrícia Rocha
Filas, falta de leitos e de materiais,
servidores em situações irregulares, etc. Esse é o retrato da Saúde no Brasil e
os hospitais universitários, cenário da maior parte do nosso treinamento em
serviço durante a graduação, ajudam a compor esse quadro. Como solução mágica
para essa crise (cada vez menos verbas federais para a Saúde) muitos hospitais
universitários, os HUs, estão reservando parte dos seus recursos humanos e
materiais para atender convênios e particulares, a chamada dupla porta.
Quais são as conseqüências dessa postura para nós, como estudantes e para o SUS,
como direito constitucional?
Essa prática, não regulamentada ainda (já
existe um projeto de lei do Senador Lúcio Alcântara – PSDB CE - para reservar
25% dos leitos dos hospitais universitários para convênios e particulares), fere
o princípio de eqüidade do SUS, ou seja, todo o cidadão tem o direito de ser
tratado da mesma forma perante o SUS. Só que o cidadão que pode pagar um
convênio não vai amargar filas de espera por vagas nos hospitais como o
“cidadão-SUS” quase que certamente irá. Aí que está a grande questão ideológica:
não pode existir duas categorias de cidadãos! E nós não podemos iniciar nossa
prática médica num ambiente que nutre essa profunda exclusão social. E isso não
é uma realidade distante da gente, acontece aqui, no Hospital São Paulo, todo
mundo conhece (ou ainda vai conhecer) a ala C do Hospital, o PA dos convênios e
sabe Deus o que mais.
Mas a crise financeira existe,
vamos fechar os olhos pra ela? Não podemos. Só que não podemos também tratar a
Saúde como mercadoria, falando apenas em números e assim justificando práticas
que não têm nem mesmo respaldo legal. É preciso cobrar maior atenção/verbas do
Governo para a Saúde, estudar formas de financiamento que não agridam princípios
constitucionais e lutar pelo efetivo controle social. E como nós, estudantes
de Medicina, podemos fazer tudo isso? A gente podia começar por aqui,
tentando descobrir, por exemplo, se no nosso Hospital tem Conselho Gestor, ou
seja, um órgão com representação de estudantes, usuários do SUS, professores e
trabalhadores que decide sobre o Hospital. Se não tiver, podíamos propor a
criação de um e por aí vai...
E então?
por Bruno A.
Nogueira Fala galerinha, esse daqui é o NEM , o
Núcleo de Educação Médica, criado no ano passado com a finalidade de não só
discutir sobre educação nas escolas, como trazer experiências de fora, fazer
Fóruns, organizar palestras e afins, tudo voltado para educação e educação
médica, tanto para professores como estudantes. Mas eu sou só um humilde aluno
do primeiro ano. O que eu sei sobre educação médica? E depois, a Escola não é
proclamada como a melhor do país? Eles sabem o que estão fazendo. Resposta: o
ponto é outro. Sendo ou não a melhor Escola do país, todos sabem que sempre
existem coisas a melhorar. E segundo a Escola também é sua seja qual for o ano
em que você está. Você também compõe a instituição. Se não são as pessoas da
instituição que fazem a instituição, quem a faz? Se você está no início, são as
suas expectativas o mínimo que você pode oferecer para a escola, quanto mais a
sua forma de ver as coisas. Se vc já está a tempos na escola então, é a sua
experiência como estudante que é a contribuição mínima. E você não consegue
imaginar o quanto seja importante a sua participação, o seu feedback para a
Escola, daquilo que ela está fazendo. E o seu feedback se faz tanto participando
do seu Centro Acadêmico, como de atividades como o NEM, fazendo parte dos órgãos
colegiados, preenchendo a avaliação de disciplinas da Pró-Grad. Venha, participe
com a gente! Já temos muitos projetos para esse ano, e você viu o quanto
renderam as atividades no final do ano passado. Para participar do NEM basta
aparecer na reunião do CAPB. Vamos fazer nossa escola cada vez melhor e defender
nossos direitos. Você quer mesmo uma Escola melhor? Espero você lá.
O
CURRÍCULO NUCLEAR ( NÃO DEIXE DE LER O ÚLTIMO PARÁGRAFO!!!!!)
Em
1997, foi implantado na Escola um novo modelo curricular- Currículo
Nuclear- que visa a formação de uma
médico com pensamento crítico e criatividade, educado para a cidadania e para a
participação plena na sociedade. O conhecimento essencial a ser adquirido por
todo o graduado passou a ocupar em torno de 75% da carga horária do aluno que
foi completada com módulos eletivos, optativos e o “tempo pró-aluno”. Aspecto
fundamental desta desta reforma foi a proposta de integrações horizontais
(“básico-básicas” e “clínico-clínicas”) e verticais (“básico-clínicas”) e o
desenvolvimento de sistemática de avaliação do Currículo Nuclear. Alguns dos
princípios norteadores deste processo de mudança foram
-Tempo
livre para o aluno.
-Liberdade
para o aluno construir o seu próprio currículo.
-Integração
do conteúdoi das disciplinas.
-Inclusão
de Ciências Sociais.
-Inserção
precoce do aluno na prática profissional.
-Integração
básico-clínico.
-Mudança
nas metodologias de ensino, priorizando os programas que enfatizem a
auto-aprendizagem.
-Acompanhamento
tutorial docente.
-Criação
de novos ambientes de aprendizagem que vão desde a inserção do aluno em outros
ambientes de trabalho ( atuação junto à comunidade) até serviços de educação à
distância (uso pleno de novas tecnologias de informações e educação, tais como
telemedicina).
-Participação
do aluno em projetos de investigação científica.
-Integração
do aluno com a comunidade.
-Incentivo
às colaborações e parcerias nacionais e internacionais.
-Exercício
de reflexão independente e o trabalho em equipe em contextos
multiculturais.
No
primeiro e segundo anos do curso o desenho curricular foi elaborado a partir de
três módulos: Bases da Medicina Celular e Molécula, Bases Morfológicas da
Medicina e Medicina, Paciente e sociedade.
O
terceiro e quarto anos são divididos em três grandes módulos: Medicina, paciente
e sociedade; Semiologia, Ética e Atitude; Bases da medicina por sistemas e
aparelhos – mantendo-se o elenco das disciplinas eletivas.
No
quinto e sexto ano do curso, os alunos desenvolvem, em sistema de rodízio, o
estágio supervisionado de treinamento em serviço (Internato). No primeiro ano do
Internato o aluno se aproxima da prática das especialidades clínicas e
cirúrgicas, que são integradas em blocos. No segundo ano do Internato os alunos
rodiziam pelos estágios clínicos e cirúrgicos em vários ambientes de serviço
dentre eles o Hospital de Vila Maria, e Centro de Saúde Vila Maria, além do HSP,
que já era utilizado no ano anterior.
PROMED
O Promed é um programa elaborado
pelo governo federal, ação conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde no
sentido de estimular a reforma curricular nas escolas para formar médicos mais
preparados para enfrentarem a nova realidade do sistema de saúde: o SUS. Para
tanto no ano passado, as Escolas médicas de todo o país passaram por uma espécie
de concurso, onde foram avaliadas pelo projeto de reforma curricular que
montaram para si mesmas. Das quase 100 escolas no início do processo de seleção
apenas 10 foram escolhidas. Estas (entre elas estamos nós) ganharam portanto um
financiamento para levar a cabo estas reformas. As palavras do próprio Promed
explica seus objetivos: “ Geral- Reorientar os produtos da escola médica –
profissionais formados, conhecimentos gerados e serviços prestados -, com ênfase
nas mudanças no modelo de atenção à saúde, em especial aquelas voltadas para o
fortalecimento da atenção básica. – Específicos
-Estabelecer de forma
sistemática e auto- sustentável, protocolos de cooperação entre os gestores do
SUS e as Escolas médicas.
- Deslocar
o eixo central do ensino médico da idéia exclusiva da enfermidade, incorporando
noção integralizadora do processo saúde/doença e da promoção da saúde, com
ênfase na atenção básica.
-Propiciar a ampliação dos cenários e da duração da
prática educacional na rede de serviços básicos de saúde.
-Favorecer a adoção de metodologias pedagógicas
ativas e centradas nos estudantes e prepará-los para a auto-educação permanente
num mundo de constante renovação da ciência.”
E VEM
O GRANDE LANCE:
VOCÊ FAZ PARTE DISSO TUDO AGORA!!!! SEU CURRÍCULO NUNCA ESTÁ PRONTO, HÁ
SEMPRE O QUE MELHORAR, IDÉIAS MELHORES PARA RENOVÁ-LO E ADAPTÁ-LO ÀS
NECESSIDADES ATUAIS, OU SEJA, O SEU CURRÍCULO ESTÁ EM CONSTANTE
TRANSFORMAÇÃO E VOCÊ DEVE PARTICIPAR DA FORMAÇÃO DELE
TAMBÉM!! PROCURE SEU
CENTRO ACADÊMICO, SE INFORME MAIS, PARTICIPE, MELHORE AINDA MAIS A SUA
ESCOLA, QUE É SUA TAMBÉM E PRECISA DE VOCÊ!!! |
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Crise nos Hospitais
Universitários
E então?
O Currículo Nuclear
Promed

Aula de Anatomia do Dr. Tulpe.
Rembrandt

A Clínica Agnew. T. Eakins

Médicos de Hogarth. Experimentando
a urina de seus pacientes.

Dr. Charcot. Em sua aula sobre
histeria.

Lição de Anatomia do Dr Deyman.
Rembrandt
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