Apresentação
- Currículo - DENEM - Intercâmbio - Jornais e Textos - Ligas - Links - Mural - Notícias - Planejamento 2003 - Projetos - E-mail - Início

 Educação Médica

Estamos realmente formando os médicos de que o Brasil precisa?

 

Crise nos Hospitais Universitários

por Patrícia Rocha

         Filas, falta de leitos e de materiais, servidores em situações irregulares, etc. Esse é o retrato da Saúde no Brasil e os hospitais universitários, cenário da maior parte do nosso treinamento em serviço durante a graduação, ajudam a compor esse quadro. Como solução mágica para essa crise (cada vez menos verbas federais para a Saúde) muitos hospitais universitários, os HUs, estão reservando parte dos seus recursos humanos e materiais para atender convênios e particulares, a chamada dupla porta. Quais são as conseqüências dessa postura para nós, como estudantes e para o SUS, como direito constitucional?

         Essa prática, não regulamentada ainda (já existe um projeto de lei do Senador Lúcio Alcântara – PSDB CE - para reservar 25% dos leitos dos hospitais universitários para convênios e particulares), fere o princípio de eqüidade do SUS, ou seja, todo o cidadão tem o direito de ser tratado da mesma forma perante o SUS. Só que o cidadão que pode pagar um convênio não vai amargar filas de espera por vagas nos hospitais como o “cidadão-SUS” quase que certamente irá. Aí que está a grande questão ideológica: não pode existir duas categorias de cidadãos! E nós não podemos iniciar nossa prática médica num ambiente que nutre essa profunda exclusão social. E isso não é uma realidade distante da gente, acontece aqui, no Hospital São Paulo, todo mundo conhece (ou ainda vai conhecer) a ala C do Hospital, o PA dos convênios e sabe Deus o que mais.

            Mas a crise financeira existe, vamos fechar os olhos pra ela? Não podemos. Só que não podemos também tratar a Saúde como mercadoria, falando apenas em números e assim justificando práticas que não têm nem mesmo respaldo legal. É preciso cobrar maior atenção/verbas do Governo para a Saúde, estudar formas de financiamento que não agridam princípios constitucionais e lutar pelo efetivo controle social. E como nós, estudantes de Medicina, podemos fazer tudo isso? A gente podia começar por aqui, tentando descobrir, por exemplo, se no nosso Hospital tem Conselho Gestor, ou seja, um órgão com representação de estudantes, usuários do SUS, professores e trabalhadores que decide sobre o Hospital. Se não tiver, podíamos propor a criação de um e por aí vai...

 

E então?

por Bruno A. Nogueira

         Fala galerinha, esse daqui é o NEM , o Núcleo de Educação Médica, criado no ano passado com a finalidade de não só discutir sobre educação nas escolas, como trazer experiências de fora, fazer Fóruns, organizar palestras e afins, tudo voltado para educação e educação médica, tanto para professores como estudantes. Mas eu sou só um humilde aluno do primeiro ano. O que eu sei sobre educação médica? E depois, a Escola não é proclamada como a melhor do país? Eles sabem o que estão fazendo. Resposta: o ponto é outro. Sendo ou não a melhor Escola do país, todos sabem que sempre existem coisas a melhorar. E segundo a Escola também é sua seja qual for o ano em que você está. Você também compõe a instituição. Se não são as pessoas da instituição que fazem a instituição, quem a faz? Se você está no início, são as suas expectativas o mínimo que você pode oferecer para a escola, quanto mais a sua forma de ver as coisas. Se vc já está a tempos na escola então, é a sua experiência como estudante que é a contribuição mínima. E você não consegue imaginar o quanto seja importante a sua participação, o seu feedback para a Escola, daquilo que ela está fazendo. E o seu feedback se faz tanto participando do seu Centro Acadêmico, como de atividades como o NEM, fazendo parte dos órgãos colegiados, preenchendo a avaliação de disciplinas da Pró-Grad. Venha, participe com a gente! Já temos muitos projetos para esse ano, e você viu o quanto renderam as atividades no final do ano passado. Para participar do NEM basta aparecer na reunião do CAPB. Vamos fazer nossa escola cada vez melhor e defender nossos direitos. Você quer mesmo uma Escola melhor? Espero você lá.    

 

O CURRÍCULO NUCLEAR ( NÃO DEIXE DE LER O ÚLTIMO PARÁGRAFO!!!!!)

Em 1997, foi implantado na Escola um novo modelo curricular- Currículo Nuclear-  que visa a formação de uma médico com pensamento crítico e criatividade, educado para a cidadania e para a participação plena na sociedade. O conhecimento essencial a ser adquirido por todo o graduado passou a ocupar em torno de 75% da carga horária do aluno que foi completada com módulos eletivos, optativos e o “tempo pró-aluno”. Aspecto fundamental desta desta reforma foi a proposta de integrações horizontais (“básico-básicas” e “clínico-clínicas”) e verticais (“básico-clínicas”) e o desenvolvimento de sistemática de avaliação do Currículo Nuclear. Alguns dos princípios norteadores deste processo de mudança foram

-Tempo livre para o aluno.

-Liberdade para o aluno construir o seu próprio currículo.

-Integração do conteúdoi das disciplinas.

-Inclusão de Ciências Sociais.

-Inserção precoce do aluno na prática profissional.

-Integração básico-clínico.

-Mudança nas metodologias de ensino, priorizando os programas que enfatizem a auto-aprendizagem.

-Acompanhamento tutorial docente.

-Criação de novos ambientes de aprendizagem que vão desde a inserção do aluno em outros ambientes de trabalho ( atuação junto à comunidade) até serviços de educação à distância (uso pleno de novas tecnologias de informações e educação, tais como telemedicina).

-Participação do aluno em projetos de investigação científica.

-Integração do aluno com a comunidade.

-Incentivo às colaborações e parcerias nacionais e internacionais.

-Exercício de reflexão independente e o trabalho em equipe em contextos multiculturais.

No primeiro e segundo anos do curso o desenho curricular foi elaborado a partir de três módulos: Bases da Medicina Celular e Molécula, Bases Morfológicas da Medicina e Medicina, Paciente e sociedade.

O terceiro e quarto anos são divididos em três grandes módulos: Medicina, paciente e sociedade; Semiologia, Ética e Atitude; Bases da medicina por sistemas e aparelhos – mantendo-se o elenco das disciplinas eletivas.

No quinto e sexto ano do curso, os alunos desenvolvem, em sistema de rodízio, o estágio supervisionado de treinamento em serviço (Internato). No primeiro ano do Internato o aluno se aproxima da prática das especialidades clínicas e cirúrgicas, que são integradas em blocos. No segundo ano do Internato os alunos rodiziam pelos estágios clínicos e cirúrgicos em vários ambientes de serviço dentre eles o Hospital de Vila Maria, e Centro de Saúde Vila Maria, além do HSP, que já era utilizado no ano anterior.

PROMED

            O Promed é um programa elaborado pelo governo federal, ação conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde no sentido de estimular a reforma curricular nas escolas para formar médicos mais preparados para enfrentarem a nova realidade do sistema de saúde: o SUS. Para tanto no ano passado, as Escolas médicas de todo o país passaram por uma espécie de concurso, onde foram avaliadas pelo projeto de reforma curricular que montaram para si mesmas. Das quase 100 escolas no início do processo de seleção apenas 10 foram escolhidas. Estas (entre elas estamos nós) ganharam portanto um financiamento para levar a cabo estas reformas. As palavras do próprio Promed explica seus objetivos: “ Geral- Reorientar os produtos da escola médica – profissionais formados, conhecimentos gerados e serviços prestados -, com ênfase nas mudanças no modelo de atenção à saúde, em especial aquelas voltadas para o fortalecimento da atenção básica. – Específicos

-Estabelecer de forma sistemática e auto- sustentável, protocolos de cooperação entre os gestores do SUS e as Escolas médicas.

- Deslocar o eixo central do ensino médico da idéia exclusiva da enfermidade, incorporando noção integralizadora do processo saúde/doença e da promoção da saúde, com ênfase na atenção básica.

-Propiciar a ampliação dos cenários e da duração da prática educacional na rede de serviços básicos     de saúde.

-Favorecer a adoção de metodologias pedagógicas ativas e centradas nos estudantes e prepará-los para a auto-educação permanente num mundo de constante renovação da ciência.” 

E VEM O GRANDE LANCE: VOCÊ FAZ PARTE DISSO TUDO AGORA!!!! SEU CURRÍCULO NUNCA ESTÁ PRONTO, HÁ SEMPRE O QUE MELHORAR, IDÉIAS MELHORES PARA RENOVÁ-LO E ADAPTÁ-LO ÀS NECESSIDADES ATUAIS, OU SEJA, O SEU CURRÍCULO ESTÁ EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO E VOCÊ DEVE PARTICIPAR DA FORMAÇÃO DELE TAMBÉM!! PROCURE SEU CENTRO ACADÊMICO, SE INFORME MAIS, PARTICIPE, MELHORE AINDA MAIS A SUA ESCOLA, QUE É SUA TAMBÉM E PRECISA DE VOCÊ!!!

 

 

Crise nos Hospitais Universitários

 

E então?

 

O Currículo Nuclear

 

Promed

 

curr1.jpg

Aula de Anatomia do Dr. Tulpe. Rembrandt

curr2.jpg

A Clínica Agnew.
T. Eakins

curr3.jpg

Médicos de Hogarth. Experimentando a urina de seus pacientes.

curr4.jpg

Dr. Charcot.
Em sua aula sobre histeria.

curr5.jpg

Lição de Anatomia do Dr Deyman. Rembrandt