A Engenharia Clínica como estratégia na Gestão Hospitalar e auxiliando na formação profissional.

Durante o curso, haverá a troca de experiências dos estudantes com os profissionais envolvidos.

Por: Renato Conte

Fotos: Orlando Júnior 

Eng clinica 3

 A formação de um profissional que iniciou sua graduação somente pode ser concretizada se este for inserido em contextos reais e situações cotidianas, obtidas através de um estágio.

Através de uma parceria entre a coordenação de estágios do curso de Engenharia Biomédica do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp), Campus São José dos Campos, e a Engenharia Clínica do Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp (HSP-HU/Unifesp), foi estruturado um programa de estágios, que vai possibilitar aos estudantes o conhecimento prático, a aprendizagem da teoria aplicada e uma troca de experiências com os profissionais envolvidos.

Uma vez que o programa de estágio estruturado vislumbra o rodízio entre as áreas internas da Engenharia Clínica, o aluno vivenciará rotinas de calibração e controle metrológico, rotinas de manutenção corretiva e preventiva em equipamentos médicos e laboratoriais de todos os portes e complexidades, trabalhos de especificação técnica de novas tecnologias com a montagem de termos de referência e reuniões com empresas de mercado, rotinas de logística e empréstimo de equipamentos, serviços de fornecimento de gases medicinais e cilindros, participação ativa em reuniões de gerência, inclusive com as diretorias do Hospital além do envolvimento em seminários, congressos e eventos relacionados a Engenharia Clínica.

O programa de estágio teve início em fevereiro de 2018, após a indicação dos graduandos Felipe Hideki Hatano, André Luiz Costa de Arruda e Raquel Campos Parreira pelo ICT/Unifesp e a aprovação destes em entrevista com engenheiros do HSP-HU/Unifesp.

Estas fases preliminares são as responsáveis pelo alinhamento das expectativas e troca de informações sobre como os trabalhos seguirão durante todo o período do estágio.

E assim como proposto, a participação dos estagiários em atividades que visam o aprimoramento e o conhecimento com visão aplicada e de mercado pode ser evidenciada logo nos primeiros meses de estágio onde, no último dia 3 de abril, tiveram a oportunidade de participar do encontro "Café Científico - Gestão e Melhoria dos Processos na Central de Materiais Esterelizados (CME)".

Este encontro teve como ponto central palestras sobre os processos de trabalho na CME de um hospital, focando rotinas, processos, riscos, legislações e demais assuntos correlatos.

“Os estudantes foram acompanhados e tutoreados por nossos profissionais”, explica Victor Piovezan, engenheiro e responsável Engenharia Clínica do Hospital São Paulo/Campus São Paulo da Unifesp. “Observo muito valor agregado neste trabalho. Estamos possibilitando uma formação diferenciada para esses alunos”.

No processo de formação profissional, parte do desenvolvimento provém do conhecimento acadêmico obtido durante a graduação e, com igual grau de importância, está a vivência e aplicação prática do que foi aprendido. Neste contexto, uma vez que o HSP é o hospital universitário da Unifesp e este já compõe o terreno de formação dos profissionais da saúde, o viés de atuação nos âmbitos de pesquisa e ensino também é expansível a demais áreas do hospital, incluindo-se a Engenharia Clínica.

De acordo com Matheus Cardoso Moraes e Karina Rabelo Casali, coordenadores do curso no ICT/Unifesp, o foco é prover, através da interdisciplinaridade, um programa de estágio para os alunos do curso de Engenharia Biomédica. “A troca que se propõe com essa parceria permite com que o aluno possa vivenciar a engenharia aplicada em diversos seguimentos, absorvendo experiências únicas que somente o dia a dia de serviço propicia”, avalia.

Para ele, o aluno é desafiado a produzir estudos se utilizando de casos reais de rotina, elaborando relatórios e análises. O resultado destes estudos e análises se torna um produto, que é uma das trocas que agregam benefícios à Engenharia Clínica, podendo se valer desta aproximação acadêmica para aprimorar seus métodos e desenvolver com qualidade a prestação de serviços para a assistência.

Piovezan destaca, que a integração entre alunos e Engenharia Clínica também favorece que artigos e teses sejam elaborados, agregando grande valor à formação do curso de Engenharia Biomédica e contribuindo com o meio assistencial com os resultados obtidos nestas pesquisas.

Uma vez que a Engenharia Clínica já atua em diversos seguimentos de engenharia, atuando com à gestão completa de tecnologias da área médica e laboratorial, partindo desde a especificação técnica, incorporação, manutenção, calibração e culminando na desativação, a contribuição com o meio acadêmico, que já possui vínculo organizacional com o setor através do Campus São Paulo da Unifesp, promover um programa de estágios com estes valores corrobora com a missão do hospital universitário e se torna um projeto que agrega grande valor à academia e aos alunos graduandos.

Esta é a primeira turma de alunos a compor o programa de estágio da Engenharia Clínica, que possui duração de um ano, sendo esta, portanto, uma turma piloto e que já vem comprovando que os frutos desta parceria serão bastante promissores.


O campo de atuação da Engenharia Clínica do HSP-HU/Unifesp é bastante amplo, podendo se obter mais informações em seu sítio institucional (https://sites.google.com/huhsp.org.br/engenharia-clinica). 

 


 

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