EPM/Unifesp consolida-se como centro internacional de referência na área de fungos

Laboratório de Micologia integra fundo global que visa alertar a sociedade dos riscos das infecções fúngicas e aprimorar a assistência aos pacientes

Por José Luiz Guerra

A Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), por meio do Laboratório Especial de Micologia integra, desde 2013, o Global Action Funding for Fungal Infections (GAFFI), grupo internacional criado com o intuito de alertar a sociedade sobre os riscos decorrentes das infecções causada por fungos, gerar conhecimento estratégico para seu controle e treinar profissionais da saúde para identificar e tratar essas micoses. Composto por pesquisadores de diversas instituições de referência no mundo, a EPM/Unifesp é a única instituição da América Latina a fazer parte desta organização não governamental (ONG).

Arnaldo Colombo, professor titular da disciplina de Infectologia da EPM/Unifesp e coordenador do Laboratório Especial de Micologia, explica que as infecções por fungos são comuns, especialmente em países subdesenvolvidos, onde há grande número de trabalhadores rurais expostos a condições de risco para infecção por fungos encontrados no solo, assim como dificuldades em controlar infecções associadas a procedimentos médicos invasivos em hospitais terciários. Ele alerta também para o fato de que essas doenças acometem, principalmente, pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, seja em decorrência de doenças, como a AIDS, Câncer e Diabetes, ou até pelas formas de tratamentos bastante invasivos utilizados contra esses males.

A identificação do agente causador das infecções fúngicas, segundo o docente, ainda é um desafio para muitos profissionais da saúde. "A falta de treinamento e recursos disponíveis para o diagnóstico das micoses em centros médicos públicos e privados contribuem para que elas continuem sendo subdiagnosticadas e, consequentemente, medicadas de forma inadequada, como é o caso de micoses pulmonares tratadas erroneamente como tuberculose", afirma Colombo.  "Desse modo, além de piorar a condição clínica do paciente, há aumento de custo do tratamento, maiores efeitos adversos e risco de contribuir para o desenvolvimento de resistência das bactérias aos antibióticos".

Alguns tipos de doenças causadas por fungos, como a candidemia – presença fungo do gênero Candida na corrente sanguínea – acometem de 1,5 a 6 em cada mil indivíduos internados em hospitais de alta complexidade e que dispõem de leitos em unidades de terapia intensiva (UTI). "Esta micose tem índice de mortalidade próximo de 50%, o que torna fundamental sua identificação precoce", alerta o docente.

Educação a serviço da sociedade

A partir do GAFFI, foi criado o Leading International Fungal Education (LIFE), considerado o "braço educacional". Por meio dele, são desenvolvidos cursos, materiais de apoio e programas de educação continuada com o objetivo de orientar profissionais da saúde sobre como prevenir, diagnosticar, controlar e tratar as doenças causadas por fungos. Em reconhecimento à relevância dessa temática e à seriedade e impacto do trabalho colaborativo do grupo de pesquisadores, em agosto de 2017, a revista Lancet Infectious Diseases publicou uma série de artigos coordenados pelos consultores do GAFFI.

Protagonismo da EPM/Unifesp

De acordo com Colombo, além de ser um centro de referência em pesquisas de fungos, o Laboratório Especial de Micologia da EPM/Unifesp também treina profissionais, organiza cursos, simpósios, seminários, cria diretrizes de diagnóstico e tratamento e dá suporte à estudos epidemiológicos e no controle de surtos de infecções. "Nas escolas médicas, em especial nos cursos de graduação, praticamente inexiste carga horária para Micologia".

O pesquisador também cita dois exemplos recentes nos quais o laboratório identificou e deu suporte para conter o avanço de infecções: um na Venezuela, onde pacientes internados estavam morrendo em decorrência de surto de candidemia por Candida auris, levedura considerada emergente e multiresistente a antifúngicos, e, outro em Brasília, onde houve um surto por Candida parapsilosis.

Colombo ressalta ainda que os resultados obtidos nas pesquisas rotineiras do laboratório são revertidos para a saúde brasileira e mundial. "Tudo o que desenvolvemos são custeados com verba de pesquisa, muitas delas à serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Unifesp, dentro do cenário da América Latina, tem sido protagonista nas contribuições científicas e no aprimoramento da assistência médica a pacientes portadores de micoses invasivas", finaliza.

 

 

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