22.02.2018 - Lançamento do livro Cirandas do Brincar

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Apresentação


CIRANDAS DO BRINCAR: FORMAÇÕES E PRÁTICAS PROFISSIONAIS é um livro feito por um coletivo de docentes e profissionais de saúde e educação. Os autores têm formação em distintas áreas de conhecimento, como nutrição, psicologia, educação, terapia ocupacional, fisioterapia, porém todos consideram o brincar uma atividade orientadorade suas práticas e intervenções.

A riqueza e a contribuição deste livro consistem em apresentar a atividade lúdica como provocadora da experiência de compartilhar, criar vínculos e aprender, vivenciada em diferentes territórios e contextos. Nos vários capítulos que compõem esta obra, vemos adultos, jovens e crianças brincando, resgatando sua ludicidade e se apropriando de sua criatividade.

Atualmente, o brincar tem-se destacado por sua importância no desenvolvimento humano. Como princípio de qualidade de vida e bem-estar, essa atividade ocupa um lugar privilegiado no processo de amadurecimento do indivíduo. A atividade lúdica instaura uma nova relação com a vida, estabelece outros jeitos de viver e fazer, cria condições de sociabilidade permeadas pela amizade, cooperação e noção de responsabilidade coletiva.

Em tempos difíceis, em que a competitividade, o individualismo e o consumismo parecem ditar normas e condutas, o brincar tem outra função: caminhar na contramão dos processos hegemônicos. Nesse sentido, podemos afirmar que o brincar se apresenta como uma subversão de determinada ordem e organização social.
O primeiro capítulo do livro nos brinda com as dimensões teóricas e conceituais do brincar e, a partir dessa leitura inicial, os capítulosdividem-se em duas temáticas principais: a primeira aborda a formação lúdica de estudantes universitários e profissionais de saúde e educação, evidenciando a importância desse conteúdo em sua formação. Na segunda parte do livro, os autores nos mostram diversos projetos que têm no brincar sua principal atividade para o cuidado de crianças, jovens e adultos.

Os capítulos que tratam da formação lúdica nos mostram que o brincar para o adulto se traduz na sua criatividade para superar obstáculos, na sua confiança no mundo e na sua possibilidade de preocupar- se com o outro, propiciando o cuidado e o encontro. Cyrce Andrade menciona que a infância integra os adultos que somos hoje, de
modo que não é coisa do passado1. Por essa razão, quando na formação lúdica buscamos o brincar e a infância, enfocamos o adulto de hoje e não a criança de ontem. Essa autora, reportando-se a uma citação de Madalena Freire, fala sobre as lembranças e as memórias que nos remetem ao material produzido neste livro:

"Histórias que entram em cena mediadas por suas lembranças. Tais lembranças necessitam ser faladas, escritas, lidas, assumidas, afirmadas, escutadas, para poderem, assim, ganhar status de memória, serem lapidadas. [...] Outra descoberta é conhecer a si próprio e aos outros, não só como sujeito cognitivo, mas também afetivo. Emocionar-se com as próprias lembranças e com as dos outros, avermelhar e chorar [...]. Todos esses instantes de nossas lembranças, quando coletivizados, nos comprovam que não temos só memória, mas “somos memória”, somos autores de nossa história pedagógica e política"2.

Na temática das intervenções a brincadeira de faz de conta, as narrativas, as histórias, memórias e jogos fazem parte do repertório em diferentes contextos da prática, como: centros de atenção psicossociais, creches, instituições de acolhimento, unidades básicas de saúde, centros de apoio à família e Organizações Não Governamentais (ongs).

Esperamos que este livro possa mostrar a riqueza das brincadeiras, de estar junto, de fazer com, além de inspirar novas práticas e experiências brincantes. E desejamos também que, com a leitura dos capítulos, o desejo de brincar aflore e possamos ouvir cada vez mais a pergunta: Quem quer brincar?

Andrea, Maria Ines e Carla

 

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11 C. Andrade, “A Formação Lúdica do Professor”, em Brasil, Ministério da Educação, Jogos e Brincadeiras: Desafios e Descobertas. Brasília, 2008.
2 Madalena Freire apud idem, ibidem, p. 59.

 

 

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