Sexta, 21 Agosto 2015 14:50

Reitora recebe o ministro Pepe Vargas no CAAF/Unifesp

Soraya Smaili acompanhou o ministro da SDH/PR em visita pelo centro e apresentou os projetos de reforma do espaço e de instalação definitiva

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Durante o último dia 19 de agosto o ministro Pepe Vargas, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), cumpriu agenda de compromissos em São Paulo, muitos dos quais envolvendo os novos desfechos do processo de análise das ossadas encontradas em uma vala clandestina no Cemitério João Bosco, em Perus, zona norte da cidade. A suspeita é de que entre esses restos mortais possam estar até 42 desaparecidos políticos da época da ditadura civil militar.

Pela manhã o ministro recebeu jornalistas no Ministério Público Federal (MPF), para anunciar que o armazenamento das 618 ossadas remanescentes, que permaneciam no Cemitério do Araçá, será feito em uma sala-cofre da Procuradoria da MPF de forma permanente, até que sejam finalizadas as obras de reforma do Centro de Antropologia Arqueologia Forense (CAAF), da Unifesp, onde as análises que visam identificar possíveis desaparecidos estão sendo realizadas.

O traslado dos restos mortais foi realizado no último dia 15 de agosto de forma sigilosa para evitar qualquer tipo de atentado. O transporte foi feito pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), da prefeitura de São Paulo, e, após finalizadas as obras do CAAF, serão encaminhadas para a análise dos peritos. O trabalho de identificação está sendo realizado pelo Grupo de Trabalho Perus (GTP), com esforços conjuntos da SDH/PR, Unifesp e SMDHC.

No período da tarde o ministro continuou a agenda relativa às ossadas de Perus em encontro com a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, no CAAF para conhecer de perto os trabalhos realizados pela equipe de peritos, bem como as instalações do centro e o projeto de reforma, prevista para iniciar na próxima semana.

A reitora agradeceu o apoio da SDH/PR em todo processo, e apresentou o projeto de reforma do CAAF, bem como o plano para implantação definitiva do centro. “Nosso pleito atual é a instalação permanente do CAAF. A ideia é criar um curso de especialização e transformar o espaço em um centro de pesquisa e formação. Já temos um curso formatado, com duração de dois anos e carga horária 360h, e iremos levar o projeto ao Ministério da Justiça. Nós apresentamos o pedido para contar com recursos humanos com a proposta de formar um quadro técnico com viés em direitos humanos”, comentou Soraya Smaili.

O ministro Pepe Vargas declarou durante o encontro que “O direito à memória e verdade é fundamental para o povo brasileiro, e deve ser garantido pelo Estado. Ações que visam a prestação de contas sobre o que aconteceu na época da ditadura são essenciais para um Estado democrático, e esta é uma das ações que dizem respeito à construção deste direito. Estamos esquadrinhando o nosso passado para evitar que episódios como esses se repitam”.

Pepe Vargas finalizou a visita ressaltando a importância do CAAF. “O trabalho que vocês realizam é fundamental, não apenas pelo direito à memória, que é o que se busca aqui, com a identificação dos desaparecidos, mas por deixar este legado, pois a política de desaparecimento ainda perdura no Brasil”, enfatizou o ministro.

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